Mais um absurdo: as empresas substituiriam o INSS no pagamento do auxílio doença

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Charge do Bruno (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A reportagem é de Idiana Tomazelli, em O Estado de São Paulo de segunda-feira, e destaca um projeto que substituiria o pagamento do auxílio doença, obrigação do INSS, passando-o para empresas privadas. Trata-se de algo completamente desarticulado, cuja execução concreta não pode dar certo de forma alguma. Em primeiro lugar, essa é uma obrigação do sistema previdenciário e não de empresas particulares. Tampouco poderia acontecer esse tipo de desengrenagem.

Como seria? Pela transferência de recursos financeiros do INSS para grupos privados? A pergunta propõe uma resposta difícil de sustentar por parte do autor ou dos autores de uma iniciativa destinada simplesmente ao fracasso.

HIPERBUROCRACIA – Isso de um lado. De outro o auxílio doença paga a algum segurado teria que se basear em uma hiperburocracia. Ao invés de simplificar, tal matéria complicaria ainda mais o sistema operacional da Previdência.

De outro lado, nem sempre o segurado acometido de doença pode possuir vínculo direto com a empresa de cujo quadro integra. Neste caso teria de ser feita uma linha sinuosa de transferências, ampliando ainda mais o fato causador da doença do pagamento devido pelo INSS.

OPERAÇÃO FINANCEIRA – A ideia talvez tenha como alvo transferir os pagamentos para a rede bancária visando a fortalecer ainda mais as finanças dos bancos que imperam no país, especialmente Banco do Brasil, Itau, Bradesco e Santander. Essa operação nada tem a ver com o fato de pagar o auxílio doença para os que infelizmente passaram a apresentar problemas de saúde, em vários casos pelas próprias condições do ambiente em que trabalham.

Fácil constatar a cortina de absurdos que separa o palco proposto do interesse coletivo dos trabalhadores. Será muito melhor se o INSS atuar firmemente para cumprir a legislação em vigor.

OUTRO ABSURDO – Mas falei em absurdos e aproveito para acrescentar um outro. A direção do PSL, reportagem de Camila Turtrlli e Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo também de ontem, ressalta a iniciativa da presidência do PSL de convidar o ex-secretário da Receita Federal Marcos Cintra para reestruturar o partido.

Marcos Cintra era secretário da Receita Federal e foi demitido em intervenção direta do presidente Jair Bolsonaro por ter anunciado que o governo tinha um projeto para criar uma nova CPMF.

Ele tinha sido indicado para o cargo pelo ministro Paulo Guedes, a quem segundo o próprio teria entregue uma primeira versão da matéria.

TREMENDA CONFUSÃO – No caso desta nova CPMF, a entrevista de Cintra irritou o presidente Bolsonaro que diretamente ordenou ao titular da economia sua exoneração. Não sei como partiu da direção partidária a ideia de convencer Marcos Cintra para uma tarefa que jamais fora de sua personalidade e de sua atuação prática.

Vejam só os leitores a confusão que está reinando tanto na Esplanada dos Ministérios quanto no sistema partidário brasileiro.

6 thoughts on “Mais um absurdo: as empresas substituiriam o INSS no pagamento do auxílio doença

  1. E no Chile, todo mundo sem agua sem comida, graças a uma doença chamada PauloGuedismo Neoliberal…

    Quando ocorrer aqui além da PauloGuedisse, onde temos um tripolar no comando, a coisa vai ser muito feia.

  2. Um incrível absurdo, terceirizar o auxílio doença para as empresas privadas, que em definitiva análise só visam o lucro. Logo alguém vai pagar por isso e será a sociedade, que está amorfa e inodora em discussões inúteis sobre esquerda e direita.
    O Auxílio Doença é uma obrigação do Estado, portanto, intransferível. A não ser, que mudem o Texto Constitucional. Aliás, os três poderes estão se articulando para reformar a Constituição, para mudá-la para pior, não tenham dúvidas nenhuma.
    Esse modelo nefasto de capitalização, implantado pelo Guedes e companhia no Chile, de transferir para os bancos a responsabilidade pela aposentadoria dos brasileiros é a receita do caos, que vemos agora pela televisão nas ruas de santiago, a capital do Chile.
    O povo chileno empobreceu com a receita dos Chicagoboys, ultraliberais até a médula.
    Não existe mágica em política e economia. Quando você transfere renda do setor público para o privado, a outra parte mais fraca perderá, lógico a força de trabalho e nela os mais pobres. Com o tempo, todos passam a configurar na legião de desempregados, de párias da nação e entram definitivamente nos limites da base da pirâmide social.
    Não podemos deixar de tocar no projeto da Reforma Administrativa, a qual tencionam acabar com a estabilidade do servidor público, possibilidade do gestor federal, estadual e municipal, de reduzir salários de acordo com as circunstâncias da Receita de cada ente federativo.
    O presidente da Câmara dos Deputados é o catalizador das propostas econômicas oriunda do sistema bancário e do seu representante, o sr. Paulo Guedes, nessas mudanças, que afetarão a renda das famílias, logo, tão cedo, o poder de compra das classes trabalhadoras será suficiente para alavancar a economia, as vendas do comércio e da indústria. Logo veremos essa relação de causa e efeito quando colocarem em prática a Reforma da Previdência, que será votada hoje no Senado.
    Não somos uma ilha, fazemos parte do mundo e ele está em polvorosa. Não poderíamos rumar para o caos, como acontece hoje no chile, no Equador e no Peru. A Venezuela já está faz tempo, por outros motivos.
    A sorte está lançada.

  3. A ideia não é má se vivêssemos em um país realmente sério, pois o Auxílio-Doença poderia se pago por seguradoras para isto constituídas. Mas como tudo neste país precisa de uma fiscalização enorme para funcionar é melhor deixar como está. Os ventos da modernidade vão demorar muito para assoprar por aqui, a roubalheira e a impunidade ainda andam de mãos dadas e não temem a Lava Jato.

    • Modernidade no Brasil é sinônimo de tirar direitos dos trabalhadores e manter o povo abaixo da linha da pobreza.
      Depois lamentam e ficam desesperados com a queda no consumo das famílias, o que afeta a arrecadação de impostos e a quebradeira das empresas e ainda, consequentemente maior desempregabilidade, uma coisa levando a outra, até que explode como no Chile, o país queridinho do Paulo Guedes, que não consegue alavancar a economia. Será que tem a competência que o setor produtivo e os bancos achavam que tinha? Cartas para a Redação.

  4. Tantos anos de mandato na política e Boçalnato NÃO APRENDEU NADA ! E o pior: escorou-se em um “economista” (?) que sabe menos do que ele… Não dá para acreditar no que está acontecendo nesse país. Isto nunca vai acabar !!!

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