Mais um absurdo exigido pela Fifa

Carlos Chagas

Se não for nesta semana, como parece que não será, na próxima a Câmara dos Deputados estará votando a chamada Lei da Copa, regulamentando princípios para a perfeita realização de maior certame mundial de futebol, em 2014. Perfeita? Nem pensar, do jeito que as coisas vão, porque para conquistar a designação do Brasil para a Copa, o então presidente Lula fez concessões absurdas à Fifa, comprometendo-se a aceitar exigências que contrariavam nossa legislação e até artigos da Constituição.

“Depois da festa dos cravos há que esperar a conta do florista” – dizia o cômico Raul Solnado em seguida à revolução que derrubou a ditadura em Portugal. Aqui, do outro lado do Atlântico, é a mesma coisa. A Fifa impôs e constam do projeto agora em discussão abusivas disposições, como o fim da meia entrada para estudantes, nos estádios onde se realizarão os jogos; a venda de apenas uma marca de cerveja nos estádios, por coincidência aquela que patrocina a entidade internacional; a proibição de propaganda de produtos esportivos, alimentos e bebidas concorrentes dos que financiam a Fifa, nas ruas e avenidas que demandarem os estádios; compromisso do governo brasileiro de arcar com despesas decorrentes de inusitados acontecidos nas capitais escolhidas para sediar as partidas – e outros absurdos.

Pois agora apareceu mais um: a Fifa exige a proibição de greves e sucedâneos nas cidades escolhidas para abrigar os jogos, alegando prejuízo de bilheteria caso se vejam paralisados os transportes coletivos, os restaurantes, a hotelaria, os funcionários dos estádios e similares. Convenhamos, trata-se de rasgar a Constituição brasileira, que prevê o direito de greve para todos os trabalhadores. Uma espécie de imposição nazista ou de ucasse stalinista. Uma humilhação sem paralelo em nossas relações internacionais. Com a palavra os deputados.

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SINDICALISMO, ADEUS

Reúnem-se amanhã com a presidente Dilma os presidentes e diretores das seis principais centrais sindicais de trabalhadores do país. Terão reivindicações, até queixas, mas o objetivo do encontro será levarem ao governo a solidariedade das categorias que representam. Salta aos olhos a acomodação das centrais, com a CUT à frente, desde que o PT foi para o poder com o então presidente Lula. Mesmo a Força Sindical, de vez em quando incômoda, forma nessa frente insossa, informe e inodora, ao menos para quem acompanhava as lutas anteriores dos sindicalistas.

Engoliram a política do salário mínimo e suas fantasias sobre nunca ter sido tão reajustado quanto hoje, esquecidos de que viver com 622 reais por mês é um acinte à força nacional de trabalho. Abandonaram campanhas ideológicas, como as restrições às privatizações e ao lucro dos bancos, sem falar da presença do capital estrangeiro em atividades ligadas à soberania nacional. Nenhum movimento ou passeata de vulto registram-se em todo o território brasileiro, em se tratando de reivindicações salariais dos operários.

Greves, agora, ficam por conta das polícias militares, de um lado, e de outro dos empresários que as estimulam no setor dos transportes apenas para conseguir aumento nas passagens.

O PT e seu criador conseguiram sufocar a voz rouca dos trabalhadores, ou de seus representantes, coisa que se verifica com a sucessora. Para as centrais sindicais, vale aquela máxima popular: “quem te viu, quem te vê…”

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O ESCORPIÃO E O SAPO

É conhecida a história do escorpião que precisava atravessar o rio mas não sabia nadar, pedindo então carona ao sapo. Desconfiado, o batráquio perguntou se poderia ter certeza de chegar intacto à outra margem, já que o escorpião era conhecido por picar todo mundo. Ouviu tratar-se de uma questão de sobrevivência o compromisso de não atacá-lo, porque também morreria afogado. No meio da travessia, porém, o peçonhento inseto não se conteve e picou o sapo. Quando iam os dois para as profundezas, veio a indagação: “Por que, se você também vai morrer?” E a resposta: “Não pude me conter, sou assim mesmo…”

Com todo o respeito e guardadas as proporções, mas como explicar que logo depois de anunciada a disposição de José Serra candidatar-se a prefeito de São Paulo tenha o ex-presidente Fernando Henrique declarado que a candidatura devolve José Serra com força à cena política, revitalizando-o.

Ora bolas, o comentário significa que Serra se encontrava abandonado e enfraquecido, exangue e politicamente desaparecido – o que não é verdade, senão seu nome não empolgaria os tucanos como vem acontecendo. FHC não pode se conter…

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DAS INTENÇÕES PARA AÇÃO?

A cobrança já foi feita mas deve ser repetida, agora que os trabalhos no plenário do Senado estão interrompidos, trancados por duas medidas provisórias. Pela reabertura do ano legislativo, o senador José Sarney pronunciou-se de forma veemente contra as medidas provisórias, alinhando razões para o Congresso suprimi-las ou reduzi-las à expressão mais insignificante. Pois passou-se um mês, e do presidente do Senado não se tem notícia da menor iniciativa. Nem das bancadas do PMDB, do PT e penduricalhos. Se as intenções são umas, as ações são outras,

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