Mais uma história imperdível do Sinatra

http://uploads.neatorama.com/images/posts/129/56/56129/1355288862-0.jpgAlmério Nunes

Estamos em 1943. Frank Sinatra, aos 27 anos de idade, era o maior vendedor de discos do planeta, e seus filmes (os musicais da Metro) batiam recordes de bilheteria. Um dia, no estúdio da Columbia Records, aparece um jovem de nome Nick, vendedor de abotoaduras. “Sr. Sinatra, tenho umas abotoaduras lindas, etc. e tal…” E começou a mostrá-las. Frank comprou um par e… tudo bem, o vendedor foi embora.

Poucos dias depois, nosso Nick aparece lá de novo: “Sr. Sinatra, tenho umas abotoaduras lindas, etc e tal…” Frank disse que já havia comprado, não estava precisando de outras, etc. Mas o vendedor insistia e insistia. Foi quando Frank apresentou-o aos músicos, produtores, enfim, ao pessoal da gravadora. Nick fez o maior sucesso, graças ao garoto-propaganda que arranjara.

E, de tempos em tempos, lá estava o bravo Nick com suas abotoaduras, só que, já fazendo uso da intimidade adquirida, ia também aos shows, entrava nos camarins, nos sets de filmagens etc. Até que… Nick, já nos anos 60, comunicou ao (agora) amigo; “Frank, vou casar no dia tal. Quero um presente muito legal, afinal, você será o padrinho”. E… escolheu um fim de semana no hotel mais caro de Manhattan/New York.

Infelizmente, na sexta-feira do casamento, Frank estava fora da cidade, mas havia providenciado tudo para que nada faltasse ao amigo, durante os três dias no tal hotel.
Segunda-feira de manhã, o tempo acabou… e o Nick tinha que deixar o hotel, mas não foi isto que aconteceu. Tão felizes que estavam, os dois pombinhos foram ficando… até que na quarta-feira foram instados a deixar seus aposentos, pois a conta estava paga somente até o domingo.
Nick, todavia, não tinha dinheiro! A diária era caríssima! Ele então ligou para o Frank (não o encontrou), para amigos, tentou tudo. Até que chegou um telegrama: “Você quer ficar sem dever nada ao hotel? Pule!” – assinado, Frank Sinatra.
Nick falou um monte de palavrões! Não sabia o que fazer! Acalmou-se, entretanto, com a chegada de um cara com um envelope, cheio de dinheiro, em que estava escrito: “Pronto, pague as despesas e… fora!”. Nick foi ao gerente e pagou tudo, ficando ainda com um razoável troco. Quando já ia deixando o hotel… foi chamado de volta.
E, na mesma hora, apareceram dois agentes do FBI com algemas e tudo.”O senhor está preso, todas estas notas são falsas! O senhor é exatamente o cara que estamos procurando há muito tempo, o chefe de uma quadrilha de falsários! Pronto, vamos entrar no carro do FBI e levá-lo para uma penitenciária, aonde aguardará o julgamento”.
Nick estava completamente atordoado. “Mas o dinheiro foi enviado pelo Frank Sinatra!”.
“Ah, é? Ainda tem a cara de pau de dizer que conhece o Sinatra?”
Ninguém queria saber da história do bravo vendedor de abotoaduras. Ao ser empurrado para dentro do carro do FBI, Nick ficou ao lado de um dos agentes, e foi logo reclamando. Até que… o “agente” retira o disfarce (bigode etc) e se apresenta, às gargalhadas. O agente do FBI que estava no carro era o… Frank Sinatra!!!
“Nick, eu nem paguei nada. O dono do hotel é um amigo meu. As notas são falsas, mesmo, o FBI me arranjou. Agora… o que acha deste carro? Ele é seu, comprei para você! E o apartamento onde você mora… também é seu, desde sexta-feira. Eis os documentos. Espero que tenha gostado dos presentes de casamento”.
Agora vocês vejam… um cara com a agenda superlotada, mil jornalistas querendo entrevistá-lo, shows, filmes, reuniões de negócios, viagens pelo mundo etc … e ele ainda arranjava tempo para isso. Era um menino homenageando um amigo feito em 1943!!!
Frank Sinatra era assim.

4 thoughts on “Mais uma história imperdível do Sinatra

  1. Figuraça!

    Tem o caso do clube que Sinatra destruiu a sede com um carrinho de golfe por terem barrado a entrada seu cupincha genial, Sammy Davis Jr, por ser negro. Isso procede?

  2. Ricardo Fróes, saudações
    Tendo nascido em uma “área quase favela”, onde havia mortes todos os dias, ele cresceu vendo crimes praticados entre as gangues das ruas. Como era filho de italianos, ganhou apelidos pejorativos e … brigava com os outros garotos e depois rapazes.
    Temperamento difícil, o do Frank. Pavio curtíssimo. Esta briga e muitas outras sempre estiveram presentes na vida dele.
    Forte abraço!!!

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