Mal chegou à Papuda, Estevão já quer sair para “trabalhar”

 
Arthur Paganini
Correio Braziliense

No primeiro dia no Complexo Penitenciário da Papuda, o ex-senador Luiz Estevão abriu mais um capítulo no enredo jurídico que envolve o cumprimento da pena de 3 anos e 6 meses a que foi condenado por falsificação de documentos contábeis de suas empresas. Ontem, advogados ingressaram com um pedido para que ele possa deixar a prisão para trabalhar durante o dia em uma imobiliária e retornar ao local à noite, apenas para dormir. O caso ainda não foi analisado, bem como outro recurso em que a defesa do ex-senador questiona decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Marcado para quarta-feira, o julgamento acabou adiado para a próxima semana em virtude da morte do pai de um dos defensores de Estevão.

Preso em 27 de setembro, o ex-parlamentar foi transferido pela Polícia Federal para São Paulo e, desde 1º de outubro, estava no presídio de Tremembé 2, a cerca de 140km da capital paulista. Quarta-feira, Estevão não recebeu visitas, mas se reuniu com advogados para traçar a estratégia de defesa. De acordo com a decisão de Dias Toffoli, caberá a Justiça Federal, que definiu a pena contra Estevão, determinar a prisão em regime semiaberto, uma vez que a pena é inferior a quatro anos. A punição se refere à ação em que ele foi condenado por fraudar balancetes de suas empresas para tentar esconder o valor do patrimônio e não ter os bens bloqueados.

O recurso que seria julgado ontem é a 24ª tentativa de reverter a condenação. Até agora, ele perdeu em todas as instâncias. O processo foi julgado por um juiz, quatro desembargadores, 24 ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e nove ministros do STF. Segundo os advogados, Estevão deve recorrer até a última instância em nome da ampla defesa. Segundo o ministro Dias Toffoli, o réu adota manobras meramente protelatórias para adiar o cumprimento da sentença. A pena de 3 anos e 6 meses de prisão prescreveria seis dias depois da determinação do cumprimento da sentença, no mês passado.

OUTRAS ACUSAÇÕES

Com o pedido de adiamento feito ontem pela defesa, os ministros do STF terão a oportunidade de manter ou reformar a decisão que levou Luiz Estevão para trás das grades pela primeira vez, de forma permanente, desde que o caso foi revelado, há quase duas décadas.

Além da ação de falsificação, a principal acusação que pesa contra Luiz Estevão é bem mais grave: em 2006, o ex-senador e cartola do principal time da cidade, o Brasiliense, foi condenado por peculato, corrupção e estelionato nos desvios dos recursos da obra do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, na década de 1990. A condenação foi estabelecida pela Justiça em 31 anos de prisão e pagamento de multa de R$ 30 milhões, mas o ex-senador recorre desde então no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na 12ª vara Federal de São Paulo, ele também acabou condenado a devolver R$ 2,25 bilhões pelos desvios.

9 thoughts on “Mal chegou à Papuda, Estevão já quer sair para “trabalhar”

  1. Um país dito democrata, se sustenta na credibilidade dos poderes constituídos.
    Quando estes poderes perdem o respeito da sociedade, é o começo do fim.

    Nosso país de há muito essa fé já se foi.

    Nos pegávamos ao Poder Judiciário, mas infelizmente este também perdeu a compostura e passou a usar o mesmo produto usado pelos outros, ÓLeo de Péroba.

    Literalmente, a sociedade que se exploda.

  2. Caro Jornalista,

    -Deve ter alguma coisa especial misturada na massa do concreto da Papuda: Todo VAGABUNDO que entra lá sente VONTADE DE TRABALHAR imediatamente!

    -O sujeito, quando está livre, passa a vida roubando, assaltando ou aplicando golpes em aposentados. Mas é fatal: No dia em que colocar os pés da Papuda, ele sentirá uma irresistível vontade de trabalhar!
    Não dá tempo nem de esquentar a cela.

    É preciso que as universidades pesquisem e identifiquem essa substância maravilhosa e, depois de isolado o princípio ativo, façam aspersão sobre os PALÁCIOS DO PODER JUDICIÁRIO. Com os doutores desse órgão trabalhando, nem será preciso gastar tal produto sobre os prédios do Executivo e do Legislativo, pois estes não trabalham – e só desviam dinheiro – porque sabem que no Primeiro Poder ninguém se preocupa em perder tempo com expediente e processos envolvendo corrupção.
    Um PODER JUDICIÁRIO QUE TRABALHE e que, consequentemente, faça justiça, será o nosso CAMINHO rumo ao desenvolvimento e à CIVILIDADE.

    Sem justiça não existe civilidade.

    Abraços.

  3. Sei não…
    Na medida em que a esculhambação grassa despudoradamente em todos os níveis da sociedade brasileira, é de se convir que tudo pode entrar na conta do Poder Judiciário, que se
    desmoraliza, se esforça para conquistar o título do poder mais corrupto da história do Brasil…
    Sem JUSTIÇA, não há ORDEM E PROGRESSO… atentem para isso, senhores juízes.

    • Interessante verificar como escondem o fato da ligação entre o famoso ex-senador-corrupto-playboy e o Sultão de Paris.
      Se não me engano a farra dos corruptos do Prédio do Tribunal foi no des-governo do Cappo Don Fhcorleone e sua quadrilha de éticos……….
      Não foi.???

  4. Ora, se toda gangue do PT está saindo, por que ele deveria ficar preso ? Tem que sair sim.
    E palmas para o escritório de advocacia do PT em Brasília: STF.
    Enquanto isto, ficamos debatendo qual dos partidos políticos tem os melhores quadros e propostas para governar o Brasil.
    Até quando ?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *