Malafaia ataca Ciro Nogueira por articular alternativa ao ‘terrivelmente evangélico’

Malafaia desafia ministros palacianos a declarar apoio a André Mendonça  para o STF | Política | Valor Econômico

Malafaia decidiu endurecer o jogo sem consultar Bolsonaro

Anna Virginia Balloussier e Igor Gielow
Folha

O pastor Silas Malafaia, aliado do presidente Jair Bolsonaro, divulgou um vídeo prometido no domingo e dirigido ao “povo abençoado do Brasil” para centrar fogo no ministro Ciro Nogueira, da Casa Civil. Malafaia citou reportagem de domingo (10) da Folha, sobre uma articulação de ministros palacianos para emplacar o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no STF (Supremo Tribunal Federal), para criticar o prócer do PP, uma das abelhas-rainhas do centrão.

Como que “o ministro da Casa Civil, um dos mais importantes cargos políticos, vai jantar com Renan Calheiros?”, questiona o pastor.

ARTICULAÇÃO – O nome de Alexandre Cordeiro de Macedo, um presbiteriano, foi defendido em dois jantares ocorridos em Brasília na semana passada, dos quais Ciro, Renan e outras figuras políticas participaram.

Renan Calheiros (MDB-AL) é o relator da CPI da Covid, um dos focos de desgaste da gestão bolsonarista. Em entrevista à Folha, o senador chamou Bolsonaro de “mercador da morte” e “facínora” por sua conduta durante a pandemia do coronavírus.

O pastor indaga como Ciro Nogueira poderia conspirar com um “cara que quer destruir Bolsonaro por interesses políticos”, peça central no que define como “CPI da safadeza”.

O QUE EXISTE – Ciro Nogueira (Casa Civil), Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e Fábio Faria (Comunicações) estão entre os que buscam alternativa ao nome de André Mendonça, o ex-advogado-geral da União que foi indicado por Bolsonaro à vaga aberta com a saída de Marco Aurélio Mello.

Também presbiteriano, Mendonça é apoiado pelos líderes evangélicos, enquanto Cordeiro simplesmente não convence a comitiva pastoral de que é um homem de fé. “Lembra de Constantino? Imperador de Roma?”, diz à reportagem o deputado e pastor Marco Feliciano (PL-SP), um dos braços evangélicos do ocupante do Palácio do Planalto. “Quando cristianizou seu reino, se tornou viável ser cristão para obter o favor do imperador.”

“Bolsonaro nos assegurou que a indicação de um evangélico passa por, nós líderes evangélicos”, diz César Augusto, apóstolo da igreja Fonte da Vida. “Esse compromisso o presidente tem com a liderança evangélica.”

TEMENTE A DEUS – O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), da igreja de Malafaia, foi ainda mais incisivo: cabe ao grupo dizer se um nomeado ao STF é de fato um homem temente a Deus.

“Quem tem autoridade moral para dizer ao presidente se ele realmente é evangélico ou não somos nós. Estão achando que vão enganar quem? Vocês não são evangélicos”, diz ele, que presidirá a bancada evangélica no ano eleitoral de 2022.

No domingo, Malafaia havia antecipado no Twitter que compartilharia um vídeo para sustentar que dois ministros de Bolsonaro “perderam a condição moral” de seguir no cargo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica claro que politicamente são duas coisas distintas – os evangélicos e os protestantes. E Mendonça só é aceito porque se tornou híbrido.  (C.N.)

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