Mandela e a política

Tereza Cruvinel
Correio Braziliense

O mundo chora a morte de Mandela mas há neste lamento universal um instrínseco louvor ao fato de um ser humano ter alcançado a dimensão do sublime,  palavra que pode resumir tantas virtudes que ele teve: coragem, clareza, generosidade, humildade, honestidade. Todas elas cabem na entrega de sua vida à realização de um sonho coletivo: a derrota do regime odioso do Apartheid e a construção de uma sociedade democrática e pacífica, dentro da diversidade étnica e cultural.

Mandela amargou 27 anos de prisão, sob trabalhos forçados e isolamento. Ali  reviu sua opção inicial pela luta armada e abraçou o caminho da resistência pacífica e da conciliação entre brancos e negros por uma sociedade plural. Mas precisou ganhar para esta posição alas radicais de seu partido, o CNA, e de seu próprio povo, além de líderes da minoria branca que anda mandava e explorava a maioria negra.. Quando um homem chega ao sublime pela política, merece ser chamado de estadista.

Muitos elogios a Mandela estão sendo publicados mundo afora. Evito minhas modestas loas, recorrendo a um grande da literatura e do jornalismo, Mario Vargas Llosa, que assim encerra seu elogio publicado em El Pais/Brasil. Este fecho muito serve ao Brasil, onde a política anda tão demonizada.

“Mandela é o melhor exemplo que temos – um dos tão escassos em nossos dias – de que a política não é só esse afazer sujo e medíocre que tanta gente acha, que serve aos malandros para enriquecerem e aos vagabundos para sobreviverem sem fazer nada, e sim uma atividade que pode também melhorar a vida, substituir o fanatismo pela tolerância, o ódio pela solidariedade, a injustiça pela justiça, o egoísmo pelo bem comum, e que há políticos, como o estadista sul-africano, que deixam seu país, o mundo, muito melhores do que como os encontraram.”.

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