Mandela neles!

João Gualberto Jr.

A ideia inicial era dedicar esse espaço ao legado de Mandela, uma entidade pública que compreendeu, melhor do que nenhuma outra, a potencialidade do esporte como instrumento de construção de conciliação e fraternidade de um povo. Ele não só entendeu como se dedicou a esse intento e teve sucesso em um país à beira do abismo de uma guerra civil racial. Mas muito já se homenageou aquela tempestade sorridente de homem – como os senadores aqui ao lado. E toda menção, seja aqui ou além do Atlântico, tem razão e mérito.

Mas grita mais alto o país do futebol, a pátria de chuteiras, a sede da Copa. Nos últimos dias, duas passagens se destacaram nesse meio-de-campo. Como pode uma imagem de herói nacional virar pó (não é trocadilho)? É a sanha por grana que transformou Ronaldo? O apetite que tinha por gol parece ter se deslocado para novos contratos. Desde que foi coroado “embaixador do mundial” ou algo que o valha ele não dá uma dentro. Atestado disso é a entrevista que deu ao nosso repórter Thiago Nogueira, na semana passada, no britanizado “Final Draw” baiano. Ronaldo tornou-se um sujeito reativo, daqueles que respondem já justificando qualquer suposição ou receio, mesmo quando a pergunta é neutra.

Foi assim, da mesma forma babaca que o ex-craque explicou em coletiva que estrangeiros não entendem o “jeitinho brasileiro”, nossa forma peculiar de cumprir compromissos públicos. Em outro idioma, ele passou o atestado de incompetência para o mundo ao tratar dos atrasos nos cronogramas dos estádios.

A NOIVA ATRASADA…

Paralelamente, Aldo Rebelo, a autoridade pública presente, solta a infeliz metáfora da noiva que atrasa, mas não compromete o casamento. Depois, Blatter, o cartola-mor, reza a Deus e a Alá para que não ocorra outro acidente como o que vitimou dois operários e parte da cobertura do Itaquerão. Aliás, tal como essas falas recheadas de ciência e seriedade, o futuro estádio do Corinthians é o símbolo do trato correto da coisa pública na organização da Copa: fiaram-se em um lote vago como cenário da abertura.

E, para fechar o fim de semana, o episódio dantesco na arquibancada de Joinville – cidade catarinense escolhida pelo Atlético Paranaense mandar um jogo contra o carioca Vasco. As desventuras em série começam por esse arranjo geográfico esquisito. As cenas horrorosas correm o mundo, apesar da indisposição das maiores emissoras de TV. É mais um atestado de incompetência do país da Copa.

Torcedor-mafioso briga mesmo, quebra o pau, é essa a razão de eles existirem. Mas bandido medieval se trata com a coerção da lei, do estado de direito, certo? Como atleticanos e vascaínos brigaram por tanto tempo sem um policial entre as hordas? Agora, ficam o Ministério Público e a Polícia Militar de Santa Catarina apontando o dedo um para o outro.

Da arquibancada ao presidente da República, todos devem ter uma lição como Mandela. Esporte não deveria combinar com crimes, tragédias e malversações. (transcrito de O Tempo)

2 thoughts on “Mandela neles!

  1. Vamos por etapa.

    Primeiro, o Ronaldo gordo que foi um gde jogador e logo atendendo a interesses não se sabe de quem, logo trataram de colocá-lo na condição de gênio.
    Qto as suas manifestações em cada entrevista dada, nada de surpresa, ele sempre se comportou como o famoso bobão da corte e foi exatamente por isso que o escolheram para fazer parte da tal comissão da copa. Soltando grana, ele não tá nem ai, não sei se por estupidez ou gostar tanto de dinheiro que não mede as consequencias.

    Segundo, o sr Aldo Rabelo não passa de um protótipo de político que quer poder e nada mais.

    Terceiro, sobre os vândalos, que seriam melhor caracterizados como BANDIDOS mesmo, só existe uma opção para parar com esses caras, CADEIA, CANA, o rigor da lei.

  2. Não deve haver ocupação ostensiva no espaço privado por agentes públicos.
    É pura ignorância de quem defende cordões de policiais nos estádios de futebol ou eventos privados de qualquer natureza como shows, encontros religiosos, fóruns de discussão, congressos etc. a custo zero para as entidades que os organizam.
    Qualquer atuação da polícia deve ser de maneira secundária à ação da segurança privada, esta a cargo da pessoa ou entidade responsável pela organização do evento, e aquela primeira – polícia – acionada quando da ação criminosa, quando então fica à frente do comando.
    O papel secundário, não quer dizer que a polícia esteja em posição de subordinação – mas de assessoramento. Apenas que no espaço e evento em questão, por serem privados, caráter recreativo e relacionado a evento lucrativo, não pode o Estado atuar com recursos seus, portanto, colidentemente com os princípios do direito público que deve respeitar.
    No episódio ocorrido em SC, partida Atlético Paranaense x Vasco, é claro nas imagens que foi colocado entre as torcidas cerca de uma dúzia de seguranças privados sem preparo e recursos. Ah, não adiante vir como argumentos:
    1 – Não pode usar armas… Ora, nem a polícia pode em tais ocasiões, salvo as não letais!
    2 – Também não pode usar gás, spray de pimenta ou acessórios de choque de uso controlado… Verdade. Mas o uso de cães treinados, por exemplo, é livre, dispensando considerações sobre a sua eficácia.

    O correto, ao menos, seria a realização de convênios, a exemplo do que ocorre nas cessões de policiais no estado do RJ às concessionárias de serviços públicos, pelo Proeis, ou uma parceria público-privada, mediante retribuição pecuniária do ente privado aos policiais de folga, que já preparados, realizariam a segurança sem custo para o Estado.

    Já no momento da ocorrência de crime ou clarividente

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