Manifestação contra Cabral, no Rio, interrompe o trânsito desnecessariamente e não consegue apoio popular.

Carlos Newton

A manifestação contra o governador Sérgio Cabral, realizada agora há pouco no Largo do Machado, seguida por uma passeata até o Palácio Guanabara, estava muito bem organizada, mas cometeu o mesmo erro de sempre: fechou as ruas, num ponto estratégico da Zona Sul do Rio, provocando um engarrafamento desnecessário, com muitos transtornos à população.

No tempo do regime militar, qualquer manifestação ganhava logo apoio popular, parava-se o trânsito e ninguém reclamava, era sempre sucesso. Com a volta da democracia, a coisa mudou de figura. Ninguém apoia uma manifestação que fecha as ruas propositadamente, não havendo possibilidade nem das ambulâncias passarem, como ocorreu hoje.

Os organizadores dessas manifestações precisam adaptá-las aos novos tempos. No caso, o percurso entre a concentração, no Largo do Machado, e o final da passeata, no Palácio Guanabara, é de aproximadamente dois quilômetros. A passeata poderia percorrê-los ocupando apenas a metade da Rua das Laranjeiras, deixando o trânsito fluir, e tudo correria bem.

O pior foi que, diante do viaduto que dá acesso ao Túnel Santa Bárbara, importante a passagem da Zona Sul para o Centro, os manifestantes simplesmente sentaram no meio da rua. Para quê? Como dizia o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, parodiando Cervantes, “para nada”. E ainda queriam ganhar apoio da população local.

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