Mantega diz que controla o BNDES e atropela Fernando Pimentel, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior

Carlos Newton

O ministro Guido Mantega anunciou que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, terá um assento no conselho de diretores da Vale, mas não será o chairman (presidente do Conselho) da companhia, que continuará sendo Ricardo Flores, que é presidente do Previ.

Segundo Mantega, o Previ – fundo de pensão do Banco do Brasil e maior gerente de ativos do país – detém 49% das ações com direito a voto na Vale. As mudanças no conselho de diretores da mineradora devem ser decididas numa reunião de acionistas agendada para terça-feira. Como se sabe, o novo executivo-chefe da companhia, Murilo Ferreira, substituto de Roger Agnelli, assumirá o cargo em 22 de maio.

Mantega disse também que o Ministério da Fazenda já possuía um assento no conselho financeiro da Vale e que é natural o órgão possuir também um lugar no conselho de diretores. “O Ministério da Fazenda controla o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O BNDES é um acionista da Vale. Então temos o direito de ter representação”, avaliou o ministro. “Nossos funcionários são experientes e podem garantir uma supervisão correta.”

As declarações de Mantega são importantes por dois motivos. 1) Em Brasília, circula a informação de que ele está balançado e deve ser substituído na Fazenda pelo próprio Nelson Barbosa, o preferido da presidente Dilma Rousseff. Portanto, ao colocar Barbosa na diretoria da Vale, Mantega estaria tentando neutralizá-lo com o altíssimo salário da Vale  e as respectivas mordomias. 2) O BNDES é subordinado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e não ao Ministério da Fazenda.

Ao alardear que manda no BNDES, Mantega atropela o ministro Fernando Pimentel e mostra que a atuação dele se limita a cuidar da  Zona Franca de Manaus, do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), e do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). Ou seja, Fernando Pimentel é um ministro de quase nada.

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