Manuel Bandeira e a sensação de ser sempre menino na véspera de Natal

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O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1866-1968), conhecido como Manuel Bandeira, no poema “Versos de Natal”, evoca a passagem do tempo numa dimensão metafísica, em que o adulto ainda permanece menino.

VERSOS DE NATAL
Manuel Bandeira

Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta

One thought on “Manuel Bandeira e a sensação de ser sempre menino na véspera de Natal

  1. Um poema do meu querido poeta dentuço mais charmoso que já vi. Ele sempre nos emociona. Viveu até 82 anos, sempre preocupado com sua saúde frágil, desde que se viu vítima de uma tuberculose, ainda jovem, doença que naquele tempo, levava muita gente.
    “Se mágico fosse, veria um menino que na véspera de Natal colocaria seus chinelinhos atrás da porta”
    Eita poema que comove a gente!

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