Maquiagem das contas pode custar R$ 12 bilhões ao Tesouro

Deu no Estadão

O governo Dilma Rousseff poderá ter de enfrentar um novo impacto fiscal que não estava nas contas da equipe econômica. As “pedaladas fiscais”, comprovadas em relatório de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), revelado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, vão forçar o governo a tomar duas medidas: devolver imediatamente os recursos devidos pelo Tesouro Nacional aos bancos públicos e fazer o Banco Central (BC) incorporar “corretamente” à estatística da dívida pública o passivo do Tesouro com o BNDES – o que elevará o endividamento total da União.

O impacto fiscal, caso o relatório seja aprovado pelos ministros do TCU, seria equivalente a R$ 12,2 bilhões, em valores de junho de 2014. Esse aumento na dívida líquida do setor público terá de ser feito pelo BC.

De acordo com o relatório do TCU, em junho de 2014, o Banco Central contabilizava uma dívida de R$ 7,4 bilhões do Tesouro com o BNDES por causa do saldo com equalização de juros no Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Mas, no mesmo período, os dados repassados pelo Tesouro ao TCU indicavam um passivo muito maior, de R$ 19,3 bilhões.

APANHADOS DE SURPRESA

A revelação do teor do relatório antes da sua apresentação em plenário pelo relator, ministro José Múcio, pegou de surpresa a equipe econômica, que não contava com mais esse problema fiscal logo no início do segundo mandato.

Fonte da área econômica informou que o maior temor, caso o relatório seja aprovado na íntegra, é a exigência de retroatividade do registro na dívida pública pelo Banco Central. Isso poderá causar impacto negativo não apenas nas contas de 2015, mas também no resultado de 2014 e até mesmo no de 2013.

Internamente, há uma preocupação de que o julgamento das “pedaladas fiscais” pelo TCU se torne para a economia o que o “mensalão” foi para o mundo político. E também que o relator José Múcio ganhe papel relevante semelhante ao exercido pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, no julgamento do mensalão.

NAS MÃOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Em seu relatório, o TCU afirma que entregará os autos da investigação ao Ministério Público Federal para que este “adote as medidas que julgar oportunas em relação à execução de atos vedados por lei”.

O relatório final do TCU está em análise com o relator do caso, ministro José Múcio. Segundo a dinâmica do tribunal, o relatório precisa agora ser apreciado por Múcio, que definirá o que será levado ao plenário, para discussão de seus pares. Após a votação do plenário, o TCU publica o resultado como decisão.

Sobre Múcio já são exercidas pressões de diferentes áreas do governo Dilma para evitar que ele aceite integralmente o relatório produzido pelos técnicos do TCU, que, além de especialistas, passaram três meses auditando documentos oficiais.

9 thoughts on “Maquiagem das contas pode custar R$ 12 bilhões ao Tesouro

  1. O PT é mesmo incrível ! O Bendine, aquele presidente do Banco do Brasil, que não confia no sistema bancário, posto que não usa cheque, paga compra de imóvel em dinheiro vivo, irá presidir o BNDES ….

  2. BALCÕES DE NEGÓCIOS:

    A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) segue um feudo do PP (leia mais aqui). A pedido de Sergio Sessim, diretor técnico da CBTU e ex-prefeito de Nilópolis (RJ), ganharam cargos de confiança na empresa pública Marcelo Barboza e Jorge Mkhail Jarjous. Os dois, figuras importantes da gestão de Sessim na prefeitura, entre 2008 e 2011, agora ganharão salários médios.

    Barboza, ex-chefe de gabinete de Sessim, agora é Assistente de Serviço e vai ganhar cerca de 3 000 reais por mês. Jarjous, ex-secretario da Fazenda de Nilópolis, foi nomeado assistente executivo e vai receber 4 500 reais mensais.

    Filiado ao PP, a propósito, Jarjous se candidatou a deputado estadual em 2014. Na declaração de bens, informou patrimônio de 594 619 reais. Durante a campanha, na qual pretendia gastar até quatro milhões de reais, desistiu da candidatura.

    Por Lauro Jardim

    • Esse é o tesoureiro do PT…. (Fonte OESP ).
      ” REDAÇÃO
      15 janeiro 2015 | 05:00
      Relatório nos autos da Lava Jato mostra movimentação de R$ 18 milhões na conta de cooperativa dos bancários
      de São Paulo, em 2009, que foi dirigida por João Vaccari e alvo de desvios
      Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo
      Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entregue aos investigadores da Operação Lava Jato, que desmontou
      esquema de corrupção na Petrobrás, registrou uma movimentação considerada suspeita em 2009 de R$ 18 milhões envolvendo o
      Sindicato dos Bancários de São Paulo, ligado à CUT, a Bancoop, cooperativa criada pela entidade cujo presidente era o atual tesoureiro
      nacional do PT, João Vaccari Neto, e a Planner Corretora de Valores.
      Em 23 de novembro de 2009, a Bancoop recebeu R$ 18.158.628,65 do Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários de São
      Paulo, informou o Coaf, órgão de inteligência do Ministério da Fazenda. “Na mesma data, foram transferidos R$ 18.151.892,51 para a
      empresa Planner Corretora de Valores”, registra o documento enviado à Polícia Federal e anexado ao processo em que foi decretada a
      prisão preventiva de Nestor Cerveró, exdiretor
      de Internacional da Petrobrás.

  3. À medida que vão surgindo os problemas na economia e escândalos são revelados, mais claro vai ficando o porquê da oposição não ter sido tão veemente em seus protestos contra as eleições. Sabiam do tamanho do abacaxi a ser descascado e suas consequências.

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