Maquiagem das contas públicas assusta Joaquim Levy

Joaquim Levy critica a “multiplicação de despesas”

Martha Beck
O Globo

A nova equipe econômica encontrou as contas públicas em situação pior do que esperava. Em conversas reservadas no gabinete improvisado no Palácio do Planalto, o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem dito a interlocutores que está impressionado com a “multiplicação de algumas despesas” que atingiram uma dimensão “impossível de ser sustentada”. Nessas avaliações, ele também questiona a efetividade de algumas das desonerações feitas nos últimos quatro anos para estimular o crescimento da economia e o emprego.

Há incentivos cuja relação entre custo e benefício não se justifica, concluiu. Embora o futuro comandante da Fazenda não revele as medidas de correção de rota que estão em estudo, ele indicou a interlocutores que o corte de despesas que crescem sem sustentação é inevitável, assim como de incentivos. Também demonstrou o desejo de não carregar para o orçamento de 2015 despesas que estão sendo represadas, como a conta de energia.

O futuro comandante da Fazenda também tem indicado que o quadro atual precisa ser corrigido logo, o que não significa necessariamente provocar um baque na economia. Nas conversas internas, Levy tem dito que “diante dos números e das perspectivas, não seria produtivo deixar as coisas para serem todas resolvidas ano que vem”:

— A ideia não é passar uma foice em tudo. Tem lugares onde o mato está tão alto que mesmo cortando ainda continuará bastante grande. (O plano) É fazer um ajuste sem dar brecadas efetivas, sem causar desconfortos efetivos — disse, segundo fontes.

CARGA TRIBUTÁRIA

Sobre o aumento de tributos, Levy também tem demonstrado cautela, dizendo que “não é boa a ideia de carregar demais na carga de impostos”. Ao comentar as benesses tributárias dos últimos tempos, brinca:

— Há áreas em que o conforto é tão grande que ninguém vai notar (a retirada).

Da atual equipe econômica, Levy tem cobrado que o resultado fiscal de 2014, não importa o tamanho, seja transparente e não deixe esqueletos. Um deles está no setor elétrico. A estratégia do governo de tentar desonerar as contas de luz em 2012 desequilibrou o setor de tal maneira que o Tesouro Nacional teve que colocar recursos orçamentários na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e ainda negociar com o setor privado dois empréstimos às distribuidoras.

Os planos da nova equipe são que os custos da CDE voltem a ser cobrados na conta de luz. Levy tem defendido em reuniões internas que a medida “vai aumentar um pouco a inflação, mas parar de criar esqueletos”. O futuro ministro também é um defensor das chamadas bandeiras tarifárias, que entram em vigor em 2015. Esse sistema indica aos consumidores as condições de geração de energia no país. Quando os custos sobem, a diferença é repassada imediatamente para as tarifas.

RAPIDEZ NA REFORMA

A urgência em mostrar como a política fiscal mais austera vai ser executada em 2015 aumentou com o atual quadro internacional, de dólar em alta e preços do petróleo em queda.

— O que é ruim é a incerteza. Quanto mais rápido a gente der o rumo, mas rápido a gente começa a avançar. O importante é arrumar a regra do jogo. Quando arruma, as peças começam a se mexer — disse Levy a interlocutores.

Na nova estratégia, os subsídios aos bancos públicos serão reduzidos substancialmente. Com o aumento da Taxa de Juros de Longo Prazo (5,5% ao ano), aprovado ontem, o BNDES terá que fazer mais escolhas na hora de emprestar seus recursos e deve “priorizar segmentos estratégicos”, disse uma fonte do Palácio do Planalto. Entre eles, pequenas empresas e setores inovadores, como o de etanol.

O discurso da transparência e uma boa comunicação com o mercado também são considerados essenciais pela nova equipe econômica. O futuro ministro da Fazenda tem demonstrado simpatia pela ideia de adotar um Focus fiscal como “ferramenta de disciplina”. A pesquisa semanal Focus, feita pelo Banco Central com as principais instituições financeiras, traz hoje as projeções para indicadores como crescimento, inflação e câmbio.

13 thoughts on “Maquiagem das contas públicas assusta Joaquim Levy

  1. Desde que não apele para o aumento de impostos, tem mais é que ser duro com os gastos públicos. Vejam bem, estou falando dos gastos, via de regra existentes em função da politicagem, e não de investimentos.
    Investimentos tem que ser aumentados. Dinheiro de onde ? Dos gastos desnecessários.
    Tem muita margem para manobra. Os governos gastam muito e gastam mal. Todos eles e não só o federal.

  2. O desarranjo que esta mulher junto com o seu ministro fizeram nas conta públicas e na economia é imensurável!

    Realinhar tudo isso debaixo das rédeas da melhor governança dará muito trabalho e despenderá muitos esforços.

    Corte na despesa do Tesouro com a sustentação de preços represados à população no setor energético via conta CDE – Conta de Desenvolvimento Energético-, eliminação das desonerações tributárias a setores privilegiados, elevação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 5% para 5,5% nos empréstimos do BNDES, elevação da alíquota da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) – imposto que recai sobre a parcela de combustíveis importados; todas estas ações são um bom começo de rearrumação da casa.

    Por enquanto estamos falando em medidas que não passam pela rearrumação da máquina pública federal, mas, em algum momento terá de ser feito, doa a quem doer.

    O peso da recuperação das contas do governo não pode ser simplesmente despejado em cima do cidadão-contribuinte, mas, deverá haver compromisso do próprio governo na eliminação de ministérios dispensáveis e na diminuição dos gastos correntes com a manutenção da máquina pública.

    Que fiquem atentos os brasileiros para tal questão.

    Não é possível aceitarmos que somente nós – o povão – sejamos obrigados a suportar os ajustes econômicos necessários ao saneamento das contas públicas.

    Dilma terá de desagradar a sua base aliada sim, eliminando ministérios desprezíveis – sob o ponto de vista estratégico -, mas, muito custosos.

  3. Acho que Levy só pode ser tolinho ou muito ganancioso para aceitar convite da Dona Dilma+Lula+PT para este cargo, sabendo que vários outros nomes, antes dele, foram convidados para mesmo cargo e rejeitaram.

  4. Excelentes Comentários dos Srs. MARTIM BERTO FUCHS ( criador de CAPITALISMO SOCIAL, que a meu juízo é um CAPITALISMO BEM REGULADO), e do Sr. WAGNER PIRES.
    O Sr. FUCHS pede que: desde que não se aumente a Carga Tributária, e se cortem os gastos de “Politicagem”, pode-se até aumentar, diz mesmo, devem aumentar os gastos de Investimento do Gov. em infra-Estrutura. O Sr. WAGNER PIRES pede que além do que está proposto, os cortes passem na rearrumação da Máquina Pública, principalmente a Federal, diminuição de Ministérios, Empreguismo, etc, a meu ver, o mesmo que o Sr. FUCHS chama de gastos de “Politicagem”.
    Infelizmente, enquanto o nosso DESORGANIZADO Sistema Político de Presidência de Coalizão operando sem Cláusula de Barreira com mais de 30 Partidos Políticos e outros +- 42 na “linha de montagem”, Voto Obrigatório Proporcional, 2º Turno, etc,etc, não permitem a Presidenta DILMA de “FAZER O CERTO”, cf. Comentários acima, sob pena de cometer SUICÍDIO POLÍTICO. Sabe que se o fizer, será defenestrada em dois tempos.
    Temos que pensar em mudar para um mais bem ORGANIZADO, EFICIÊNTE e BARATO Sistema Político, sob pena de como sempre diz o brilhante Sr. MARTIM BERTO FUCHS, “não ter perigo de melhorar”.
    Existe, e passa por: Voto Distrital Puro, Voto Facultativo, Possibilidade dentro da Lei de Candidatos Independentes, Recall de maus Representantes, Eleições Diretas para Fiscais dos Tribunais de Contas Federal/Estadual/Minicipal, etc, de certos Procuradores Públicos e Juízes, etc,etc.

  5. Fugindo do assunto do texto.

    Dilma recebeu o diploma para mais 4 anos de mandato.Fez um discurso, como sempre, sem nexo. Tudo bem, faz parte do DNA da governanta.
    Mas, o que me deixou cabreiro foi a fala do presidente do TSE, José Dias Tofolli.
    Leiam: ” ELEIÇÕES CONCLUÍDAS SÃO, PARA O PODER JUDICIÁRIO ELEITORAL , UMA PÁGINA VIRADA.NÃO HAVERÁ TERCEIRO TURNO NA JUSTIÇA ELEITORAL. QUE ESPECULADORES SE CALEM.NÃO HÁ ESPAÇO. JÁ CONVERSEI COM A CORTE E É ESTA POSIÇÃO INCLUSIVE DE NOSSO CORREGEDOR GERA ELEITORAL.NÃO HA ESPAÇO PARA TERCEIRO TURNO QUE POSSA VIR A CASSAR O VOTO 54.501.118 ELEITORES.”
    Pois é amigos, essa é a fala de uma alta autoridade judicial.Então…

  6. POIS É, os três comentaristas especializados em Economia, que este bog incomparável tem consigo, Fuchs, Bortolotto e Wagner Pires, apresentam a solução para os impasses nesta área de vital importância para o Brasil.
    E são conclusões exraídas de suas experiências em confronto com os resultados do governo, que têm sido medíocres e danosos ao povo, haja vista a estagnação que nos encontramos, nosso atrofiamento industrial, o alto custo administrativo da “máquina”, e a improbidade de nossos parlamentares perdulários e inúteis, corruptos e desonestos![
    Então, a pergunta, lógico:
    O que impede o governo adotar essas medidas políticas e econômicas, se elas contemplariam o País para seu desenvolvimento, progresso, e possibilitar ao cidadão estudo e aperfeiçoamento profissional?
    Má vontade?
    De fato, a corrupção e desonestidade inatas nos parlamentares e governantes são as causas precípuas?
    Até onde o povo pode ser acusado como culpado por esta situação?
    Quando que seremos um dia governados pela sensatez, espírito nacionalista, honestidade e própósitos bem definidos com relação ao bem comum?
    Ou, esta balbúrdia, este caos econômico e social é proposital, diante da facilidade que possuem para nos roubar e permanecerem impunes pelos crimes cometidos?
    Ou, definitivamente, não tem como consertar mais este País?
    Ou, então, é porque nossos governantes são mesmo incapazes e incompetentes?
    Minhas reverências aos mestres mencionados, ao mesmo tempo que lhe agradeço pelos ensinamentos deixados, de modo que tenhamos um painél real de como nos encontramos, e de que forma resolver tais impasses.
    O meu abraço aos três.

  7. Prezado Sr. FRANCISCO BENDL, também meu Mestre.
    Essa é a grande Riqueza do nosso bom Jornal TRIBUNA DA INTERNET onLine, do grande e incansável Editor/Moderador Sr. CARLOS NEWTON, que vale bem mais do que uma Mensalidade de R$ 20. Aqui, Todos aprendemos com Todos.
    O senhor pergunta: Por que no Brasil tudo é tão devagar para se adotar Solução Correta, especialmente POLÍTICA.
    A meu ver, é porque a média de nosso bom Povo ainda é pouco INSTRUÍDO. Os Judeus tem 5775 anos de Alfabetização, os Anglo-saxões 400, e Nós +- 50 anos e ainda temos +- 7% de Analfabetos. Só agora nossas CRIANÇAS, nosso maior BEM, milhares de vezes mais importante que todas nossas Riquezas Naturais, que são grandes, estão na ESCOLA. Então, ainda não desenvolvemos totalmente o BOM SENSO, e ainda somos facilmente enganados pelos Políticos. Mas estamos melhorando, por que já foi bem pior. Mais umas duas Gerações ( +- 60 anos) e estaremos no Primeiro Mundo, tendo bom Padrão de Vida e desenvolvendo plena TECNOLOGIA NACIONAL, tudo com Justiça Social e Liberdade.
    Tem um grande preço termos tido ESCRAVIDÃO até 1888, e termos começado nossa EDUCAÇÃO DE MASSA tão tarde, mas antes tarde do que nunca.

  8. Sr. Bortolotto:
    Me desculpe!, 7% de analfabetos? O Sr. está sonhando. Sr. quis dizer 7% de analfabeto funcionais, não?, porque na realidade nós temos é quase a metade da população que não sabe o mínimo de Português , o mínimo de matemática e por ai vai….
    Brasil com tecnologia própria daqui a 60 anos, e no primeiro mundo.Quem dera! Quem dera! Como se dizia antigamente ( com a licença do Carlos Newton).
    Não leve as minhas palavras para o outro lado.Não estou querendo ofendê-lo, mas é que não acredito mesmo.
    Abraço.

  9. Prezado Sr. CÉSAR – Fortaleza, Saudações.
    Fiz meus cálculos baseados no que vi nos últimos 60 anos, tenho 64 de idade. Conheci um Brasil sem Escolas nos Distritos, Escola de Primeiro Grau, não para TODOS, onde hoje tem Universidades nos Municípios, sem Médicos e Dentistas, sem Estradas de Asfalto, sem automóveis, sem água encanada e os maravilhosos Banheiros dentro de Casa, sem Telefones, sem Energia Elétrica portanto sem Eletro-domésticos principalmente geladeiras/freezers, sem Indústria de Base, (Aço, petróleo, borracha, Alumínio, Cobre, Estanho, sem Tratores na Agricultura, etc,etc.) Tudo isso e muito mais, apesar dos problemas, já temos hoje, tendo nossa Economia atingido uma Renda perCapita de +- US$ 15.000.
    Baseado nisso, fazendo bem “o dever de casa”, temos boa chance de nos próximos 60 anos ( +- 2 Gerações) chegar ao Primeiro Mundo. A chave de tudo porém é: ” a CRIANÇA BRASILEIRA”. Abrs.

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