Marajás do Congresso abrem enxurrada de processos contra site que denunciou seus salários fora da lei.

Carlos Newton

Reportagem da Folha de S. Paulo mostra a que ponto chegou a desfaçatez dos marajás do Congresso Nacional. A matéria revela que o importante trabalho do site “Congresso em Foco”, um dos mais atuantes do paíse que tem denunciado muitas irregularidades da política nacional, tem sido prejudicado por dezenas de ações judiciais motivadas por uma série de reportagens que revelaram quais servidores do Senado receberam, em 2009, salários acima do teto constitucional (R$ 26,7 mil).

Os dados – nomes e salários de 464 funcionários – foram levantados pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O site os publicou em agosto do ano passado. Desde então, servidores da Casa já moveram 43 ações contra o Congresso em Foco, cada uma pedindo uma indenização de R$ 21,8 mil.

Eles argumentam que tiveram sua intimidade e privacidade invadidas pela publicação de seus ganhos, vejam só a que ponto chegamos. O pior é que todos os 43 pedidos na Justiça são idênticos e foram propostos pela mesma advogada, mas acabaram distribuídos a juízes diferentes, em função do chamado sorteio eletrônico.

Se condenado em todas, o site terá de pagar quase R$ 1 milhão – montante que afirma não ter. As audiências começaram na semana passada. Foram 20 em quatro dias. E os sete jornalistas do site tiveram de fazer um rodízio para poder representar a empresa, junto com um advogado, em cada uma delas.

Na semana passada, sabiamente, a Justiça entendeu que todas as 43 ações devem ser unidas em uma só e receber uma decisão única, o que deve aliviar o tempo despendido com as audiências judiciais.

O caso é semelhante às dezenas de ações abertas contra a excelente repórter Elvira Lobato e a Folha de S. Paulo por adeptos da Igreja Universal do Reino de Deus, em represália às reportagens escritas pela jornalista carioca sobre irregularidades na seita do auto´proclamado pastor Edir Macedo.

O site diz que as ações foram orquestradas pelo Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União. Na internet, a associação propôs que “sindicalizados que foram prejudicados com a disponibilização de tais informações” o procurassem.

Como todos os processos são absurdos e têm de ser arquivados, o site poderia agora responder à altura e processar o Sindicato que incentivou essas ações verdadeiramente improcedentes.

O caso mostra que em Brasília o espírito de porco, digo, espírito de corpo, está cada vez mais presente nos três apodrecidos poderes da Esplanada.

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