Marcelo Caetano e Rabelo de Castro divergem publicamente do presidente Temer

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Há integrantes do governo que divergem de Temer

Pedro do Coutto

O secretário de Previdência Social, Marcelo Caetano, e o presidente do BNDES, Paulo Rabelo de Castro, nas últimas 48 horas divergiram frontal e publicamente do presidente Michel Temer. O primeiro, através de entrevista a Adriana Fernandes e Indiana Tomazeli, em O Estado de São Paulo de quarta-feira; o segundo, em reportagem de Cassia Almeida, O Globo desta quinta-feira. As divergências acentuam de forma clara a existência de uma desconexão do governo federal. Desconexão, aliás, agravada com a propaganda veiculada pelo PSDB, anunciando que errou em relação a seu posicionamento político.

Mas esta manifestação tucana, hoje limitada a chamadas na TV, será divulgado na íntegra na próxima quinta-feira, dia 17, no espaço reservado ao partido pela Lei Eleitoral.

O QUE DISSERAM – Marcelo Caetano, ao contrário do que Michel Temer ainda tenta articular para reforma da Previdência, sustentou que é insuficiente aprovar-se apenas as idades mínimas para aposentadoria de homens e mulheres, incluindo os regidos pela CLT e os regidos pelo Estatuto dos Funcionários Públicos. Ele defende o teto de 5.500 reais por mês para a obtenção do direito, que ele erroneamente classifica como benefício, mas aposentadoria não é benefício, porque os que trabalham no Brasil contribuem mensalmente para obtê-la.

Marcelo Caetano, ao contrário de Michel Temer, continua a defender o texto aprovado na Comissão Mista do Congresso, considerando que reduzirá a folha de pagamento em 200 bilhões de reais. No entanto, Caetano não diz em quanto tempo tal redução poderia ser obtida e também explica se as regras projetadas já começam a vigorar a partir de 2017.

Não esclareceu, tampouco, a divisão da despesa do INSS e o desembolso do Tesouro Nacional, uma vez que neste caso esta despesa é contabilizada separadamente da primeira. O secretário, que é subordinado ao Ministro Henrique Meirelles, erradamente juntou as duas contas em uma só.

PRODUÇÃO DE JUROS – O presidente do BNDES, Paulo Rabelo de Castro, ao falar durante o encontro nacional de exportadores, matéria de Cássia Almeida, criticou a própria economia brasileira. Destacou que ela só produz juros, acrescentando que, “se não fosse o agronegócio, já poderíamos ter fechado a porta e atirado a chave no Oceano Atlântico”, evidentemente referindo-se ao Brasil. Fez a afirmação, portanto, contestando o presidente da República, uma vez que Temer vem acentuando que a economia encontra-se em recuperação.

Entusiasmado provavelmente com o efeito de suas palavras na platéia, Rabelo de Castro declarou que uma incompetência está marcando o governo no que se refere à realização da reforma da Previdência. E lamentou que a máquina pública pense em elevar impostos no lugar de cortar despesas.

As duas manifestações, tanto de Marcelo Caetano, quanto de Rabelo de Castro, mostram que ambos encontram-se insatisfeitos com a atuação do governo ao qual pertencem. Se estão insatisfeitos, devem pedir exoneração. Mas insatisfeita ainda encontra-se a população brasileira.

5 thoughts on “Marcelo Caetano e Rabelo de Castro divergem publicamente do presidente Temer

  1. Não vemos nenhuma demonstração dessa indignação em lugar nenhum, muito menos insatisfação.

    Será que a população está sofrendo de uma síndrome de Estocolmo generalizada ?!?!

    Precisa-se alertar a OMS urgente !!!

  2. O PSDB quer sacudir a poeira depois da atitude de cumplicidade com o governo Temer. Não adianta mais: o eleitor do PSDB não pertence a MST e por isso não é simples enganá-lo. O PSDB perdeu tal qual o PT e o PMDB. A mudança não é imediata mas vai acontecer – o PSDB vai desaparecer!

  3. Lucas, existe um termo científico para o mal dos brasileiros; se não falha a memória, é NORMOSE, quando a pessoa perde a capacidade de reagir, acomodada que está com a situação. Penso que isto também se deve ao fato da baixa cultura do nosso povo; um país com potencial imenso e tudo para dar certo, desgovernado por uns poucos não nos deixa sair do atoleiro em que nos encontramos, ainda por cima vem a mídia com propaganda massiva, goebbeliana de que “agro é tech, agro é pop, agro é tudo, ….” Nada absolutamente contra, mas deveria era incentivar a industrialização do país, que é o que realmente aplica a mão de obra de forma massiva.
    Abraço.

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