Marcelo Odebrecht separou R$ 15 milhões para atender as propinas de Lula

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Marcelo Odebrecht depôs e complicou a defesa de Lula

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Paulo Roberto Netto
Estadão

Em interrogatório nesta quarta-feira, 7, o empresário Marcelo Odebrecht, delator da Operação Lava Jato, afirmou que as reformas do sítio de Atibaia, no interior de São Paulo, estavam ligadas à ‘pessoa física’ do ex-presidente Lula. O petista é réu em ação penal por corrupção e lavagem de dinheiro, por supostamente ter recebido propinas da Odebrecht e da OAS em reformas e melhorias da propriedade rural. Ele será interrogado no dia 14. O empreiteiro também é réu neste processo.

À juíza federal Gabriela Hardt, sucessora de Sérgio Moro nos processos da Lava Jato, o empreiteiro contou que soube do sítio de Atibaia quando ‘a obra já estava em andamento’, em 2010. Odebrecht citou o ex-executivo do Grupo Alexandrino Alencar e seu pai Emílio Odebrecht.

FICOU SABENDO – “Deve ter sido lá para final de dezembro, em algum momento eu soube não sei se por Alexandrino, pelo meu próprio pai ou por alguém que eu me encontrei. Em algum momento eu soube, no início, eu, inclusive, reagi, fui contra por duas razões específicas. Eu até reclamei porque primeiro eu achava que era uma exposição desnecessária, porque seria até então, fora a questão que eu já sabia que havia, que eu também tinha me posicionando contra, mas que era uma coisa bem antiga, que era o assunto do irmão, o apoio ao irmão, mas pelo que eu soube era uma coisa bem antiga e que foi renovado, chegou um momento eu acho que acabou, fora essa questão, seria a primeira vez que a gente estaria fazendo uma coisa pessoal para o presidente Lula”, disse.

Ele citou a história de um terreno em São Paulo que sua empreiteira iria adquirir para supostamente alojar as dependências do Instituto Lula – episódio que sustenta uma outra acusação da força-tarefa da Lava Jato contra o ex-presidente. “Até então, por exemplo, tinha tido o caso do terreno do Instituto. O terreno do Instituto, bem ou mal, era para o Instituto Lula não era para a pessoa física dele (Lula)”, seguiu Odebrecht em seu relato à juíza.

IA MESMO VAZAR – “Quando eu vi lá, que eu soube, tinha um bando de gente trabalhando na obra (do sítio). Quer dizer, a dificuldade de você manter isso em sigilo, em algum momento vazar, era enorme. Outra coisa, que é uma coisa mais pragmática, eu tinha uma discussão com meu pai, que o alinhamento que eu tinha com ele era de que tentasse todo acordo que ele fizesse com Lula, passar pelo contexto da planilha Italiano. Quer dizer, o conta corrente que eu tinha com Palocci, para que a gente não pagasse duas vezes.”

Durante a audiência, Gabriela Hardt perguntou a Marcelo Odebrecht se Lula ‘tinha ciência da reforma que estava sendo custeada em parte pela Odebrecht’.

“Ah tinha, com certeza. E, olha, ele sabia que tinha. Eu não escutei isso de Lula, mas meu pai sempre deixou isso claro para mim que ele sabia que estava sendo custeado e, dentro de casa, todos nós entendíamos que aquele sítio era de Lula”, disse o delator. “O que eu soube foi que esse pedido chegou via Alexandrino, foi autorizado por meu pai e a obra era para o sítio do presidente. Não entrei nos outros detalhes.”

“VALORES ALTOS” – Em outro trecho de seu interrogatório, o empresário disse que reclamou com seu pai sobre ‘valores muito altos’ que o PT, via ex-ministro Antônio Palocci, pedia ao grupo. Numa dessas ocasiões, o patriarca da Odebrecht teria dito ao próprio Lula que o pessoal do PT ia ‘da boca de jacaré para boca de crocodilo’.

“De fato, em vários momentos reclamei de valores muito altos. Falei com meu pai e, de alguma maneira, ele ia lá e reclamava com o Lula. De fato, não foi uma ou duas vezes só que fui reclamar com meu pai das demandas do Palocci, mais o Palocci, que estavam muito altos”, disse, acrescentando ter separado R$ 15 milhões só para atender a Lula.

CONTRATOS – A juíza questionou Marcelo Odebrecht se, em determinada reunião, houve discussão sobre contratos de interesse da empresa.

“Eu não diria contratos, na verdade, a gente tratou os temas. A gente nunca discutiu, eu, acho que meu pai também, nunca discutiu detalhe de contrato com o presidente. A gente foi discutindo, a agenda é bem clara”, disse.

“Foram os temas que a gente achava relevante da relação, seja da Odebrecht com o Governo, seja da Odebrecht com outros países de Geopolítica brasileira, alguns temas que a gente sempre levava para contribuir com o presidente de maneira institucional, com o país. Quer dizer, não foi nada a ver com contrato. Eu, pelo menos, eu acho que, meu pai também, nunca discutimos contratos, essas coisas, com os presidentes.”

PETROBRAS – A magistrada perguntou a Odebrecht se, no início do Governo Lula, ele participou de reuniões para ‘reclamar de dificuldades com diretoria de Petrobrás’.

 “Não, não participei dessas reuniões. Essas reuniões foram mais no contexto da Braskem. Em relação à Petrobrás, por exemplo, eu tinha uma discordância com meu pai. Eu sempre entendi que Petrobrás devia ser tratada pelos executivos que lidavam com a Petrobrás, junto aos diretores. Se isso incluía fazer contribuição política, eles que deviam avaliar”, relatou.

“Eu nunca levei, nunca tratei esse assunto Petrobrás por cima, digamos assim. Eu achava que isso devia ser conduzido pelos executivos. Meu pai tinha uma visão um pouco diferente. Ele gostava do tema Petrobrás, principalmente relativo a relação Petrobrás com Braskem, então, ele costumava ter o tema Petrobrás na agenda dele com o presidente. Não estou dizendo que tratava-se nada ilícito, mas que o tema Petrobrás de modo geral, na agenda com o presidente.”

SERIA INGÊNUO – Durante a audiência, o Ministério Público Federal perguntou ao delator se ele sabia que os ‘líderes empresariais tinham que efetuar pagamento no interesse do PT, PMDB, PP, no âmbito das diretorias da Petrobrás’.

“Eu seria ingênuo se eu dissesse que eu não sabia. Eu confirmo que eu tinha ciência”, declarou Marcelo Odebrecht.

Também depuseram o pai dele, Emílio Odebrecht, e o executivo Alexandrino Alencar, que confirmaram as propinas de Lula.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O caso de Atibaia tem muito mais provas do que o tríplex do Guarujá.  Lula vai encarar mais 15 anos de cadeia neste processo. É há outros mais em andamento, como a ação sobre o apartamento vizinho e o Instituto Lula. Vai ser um festival, mas antes disso Lula pode ser solto e fugir do país, para se asilar, alegando ser perseguido político. (C.N.)

7 thoughts on “Marcelo Odebrecht separou R$ 15 milhões para atender as propinas de Lula

  1. -Até o final de 2018 o Brasil ainda será um LIXO DE LUGAR, uma cocheira destinada a acoitar todo o tipo de vagabundo, a passar a mão na cabeça de quem não presta e a ser um símbolo do atraso e da impunidade ante o mundo civilizado.
    -Resta-nos a esperança que em 2019 comece diferente…
    …apesar do Supremo permanecer o mesmo.

  2. Sob a égide do sistema apodrecido, sempre haverá um sonho a menos, e 171 a mais. E se não mudar o sistema político apodrecido, marcelinho que separe o triplo para o próximo achacador. “Mas, Villa, qual partido não pega propina, Villa, me diga ?”. J.Bolsonaro, ao historiador Marco Antonio Villa.

  3. Disse Marcelo Odebrecht, em juízo, ontem: “Meu pai tinha que procurar Lula para conter as roubalheiras do PT”
    O apetite do PT era tão insaciável por propinas que o dono da Odebrecht, Emílio Odebrecht, era obrigado a procurar Lula para pedir moderação.

    Eis o que disse Marcelo Odebrecht, ontem, para a juíza Gabriela Hardt, no processo do caso do terreno do Instituto Lula:

    – O PT pedia tanta propina que, de tempos em tempos, meu pai tinha de negociar com Lula.

    E lembrou:

    – Em vários momentos reclamei de valores muito altos. Falei com meu pai e, de alguma maneira, ele ia lá e reclamava com o Lula.

    E ainda tem gente que acha que Lula não deve apodrecer na cadeia.

    E o PT ser expurgado da vida partidária brasileira (fonte: Polibio Braga)

  4. Newton eu estou gostando. É sinal que tua cabeça está em plena forma com raciocínio muitissímo abrangente. Essa do Lula se asilar é espetacular. Veja só a diferença: Eu fico as vezes pensando aonde está o 1,900 bilhão que Palocci disse ter a campanha da Dilma recebido. Segundo Palocci só declararam a metade. E a outra metade aonde está? Acharam de todo mundo e não acham a parte que ficou com Lula?

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