Márcio Thomaz Bastos ia coordenar a defesa das empreiteiras

Com a morte de Thomaz Bastos, a defesa se fragilizou

Rubens Valente
Folha

A Polícia Federal apreendeu no apartamento do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, seis páginas com anotações manuscritas que revelam estratégias jurídicas adotadas pelas empresas investigadas pela Operação Lava Jato para tentar levar a investigação à nulidade e ao arquivamento. Os papéis foram localizados em 14 de novembro na residência do empresário nos Jardins, em São Paulo.

Um dos principais esforços das empresas, segundo as anotações, é “fragilizar” ou “eliminar” as delações premiadas realizadas até aqui por ao menos cinco investigados, incluindo o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. E os papéis preveem “campanha na imprensa […] para mudar a opinião pública”.

As anotações confirmam pelo menos uma reunião mantida com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, qualificada de “boa”.

QUATRO ADVOGADOS

O papel, datado de 28 de outubro de 2014, diz que a reunião teve a participação de quatro advogados, incluindo “MTB”, iniciais pelas quais era conhecido o criminalista e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que morreu no dia 20. Ele era uma espécie de coordenador informal das defesas dos envolvidos na Lava Jato.

Procurado pela Folha, um dos citados no papel, o advogado Pierpaolo Bottini, confirmou a reunião e disse que foi “formal” e “absolutamente legítima”, no gabinete de Janot.

Janot disse em entrevista ao “Jornal Nacional” de sábado (6) que teve três reuniões com advogados de empreiteiras, mas que foram inconclusivas porque eles não aceitaram a premissa de que seus clientes cometeram crimes.

Outro papel indica que as empreiteiras queriam acordo para não serem declaradas inidôneas para novos contratos com o governo. “E sem delação premiada”, diz o texto.

PLANO PARALELO

Os papéis indicam plano paralelo –chamado de “Proj. [Projeto] Tojal”, em referência ao escritório Tojal Renault Advogados Associados – com três metas: “Trazer a investigação para o STF”, “estudar o acordo (a melhor forma)” e “fragilizar as delações”.

A “proposta de trabalho” referente à Lava Jato prevê honorário de R$ 2 milhões e mais R$ 1,5 milhão “condicionado ao sucesso”.

8 thoughts on “Márcio Thomaz Bastos ia coordenar a defesa das empreiteiras

  1. Digo sempre: quer ser ladrão “impune” roube milhões do cofre público, e fique rindo na cara dos idiotas, palhaços, chamados cidadãos.
    Furtar um kilo de feijão para matar a fome dos filhos em supermercado, em 6 meses será julgado, pegará 3 anos de cadeia e mandado para a penitenciaria federal do Paraná (isso aconteceu em SP, com um pobre desempregado a 6 meses, e quantos por esse País afóra, amargam ou amargaram esssa justiça vilipendiada e estuprada que temos!?!!??
    Essa justiça que aí está, mata RUI BARBOSA todos os dias de VERGONHA.
    Pobre País, em que as nulidades e bandidos estão nos poderes.

  2. Reunião de procurador geral com advogados defensores de ladrões, deve coisa muito importante para o processo. Certamente os “CAUSÍDICOS” foram la , contar o que seus cliente tem feito pelo bem do Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *