Marco Archer continuou usando drogas na prisão da Indonésia

Rogério diz que se manteve de pé na cadeia graças ao budismo (Foto: Arquivo pessoal)

Rogério ficou 5 anos preso com Marco

Janaína Carvalho
Do site G1

Sem dormir direito há três dias e com a voz embargada, o fluminense Rogério Paez acredita que a execução da pena de morte é uma forma de aliviar a dor de Marco Archer Cardoso, brasileiro preso na Indonésia. O surfista e empresário, que atualmente vive em Niterói, contou ao G1 nesta sexta-feira (16) que o instrutor de voo, de quem ficou amigo quando ficaram presos juntos na Indonésia entre 2006 e 2011, chegou a pedir para ser morto antes, tamanho o desespero de esperar sua sentença.

Paez foi preso com um cigarro de haxixe de 3,8 gramas e ficou oito anos em presídios no país, cinco deles com Archer. Os dois já se conheciam do Brasil, mas foi na cadeia que se aproximaram. Como não foi condenado à pena de morte, pouco antes de ganhar liberdade, em novembro de 2011, ele lembra que o amigo chegou a ter um momento de desespero.

“Ele virou para o diretor do presídio e disse: ‘Posso pedir um favor ao senhor? Já tive dois pedidos de clemência negados, eu sei que vou morrer mesmo, então me mata logo’. O diretor olhou para ele, rindo, e falou: ‘Marco, adoraria te matar amanhã, mas o homem lá de cima (o presidente) ainda não assinou. Espera mais um pouquinho”.

USANDO METANFETAMINA

Apesar de saber que só sairia da prisão para ser executado, Marco era considerado um sujeito bem-humorado e responsável por alguns momentos de diversão para os presos. “O Marco é um showman. Ele faz graça, faz o prisioneiro que tem vontade de matar todo mundo rir. Ele é uma pessoa incrível”, lembra.

Rogério foi solto no dia 9 de novembro de 2011 e, apesar da felicidade, garante que deixou a prisão chorando. “Ele [Marco] ficava usando aquele negócio lá, a tal da metanfetamina, que é a praga das prisões, e ficava falando a noite toda, contando piada, ficava nu, pegava comida dos outros. No final, ele virou um personagem da prisão. Na hora da contagem todo mundo perguntava: ‘Cadê o Marco?’ ‘Simples, conta um a menos. Ele tá em alguma cela’.”

Paez diz que na cadeia apenas os presos que não têm boa condição financeira passam necessidade e não se alimentam direito. “Os indonésios ganham muito mal, os guardas são muito mal remunerados, não têm como resistir ao suborno”, diz, lembrando regalias. “Se você pagar consegue ter telefone, xampu, DVD e outras coisas consideradas de luxo dentro da cadeia. Lá a gente tem antena de TV a cabo, televisão, DVD. Os mafiosos lá têm coisas que você nem acredita, tem computador, tem tudo.”

NA SEGURANÇA MÁXIMA

Após uma tentativa de fuga frustrada e uma briga com um guarda que desrespeitou sua namorada após uma visita, Rogério foi levado para um presídio de segurança máxima com cerca de 3,5 mil presos, entre indonésios e estrangeiros, a maioria presa por tráfico e até mafiosos. “Foi lá que eu conheci a máfia chinesa, a máfia nigeriana, um monte de assassinos, viciados de tudo quanto é jeito. Foi lá que eu vi o que é a escória da sociedade”, lembra.

De acordo com Paez, apesar da pena de morte para traficantes de drogas na Indonésia, outros crimes muito graves têm penas mais brandas. “Lá tinham dois irmãos que foram presos por matar um idoso de 65 anos. Eles chutaram o homem até a morte. Um foi condenado a três anos e o outro a dois anos de prisão. Depois soube que um teve pena maior porque foi o que deu o primeiro chute”, conta o brasileiro.

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