Marco Aurélio Mello critica Pezão e Crivella; Armínio condena a ‘pejotização’

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Um se fantasiou de governador; e o outro, de prefeito

Pedro do Coutto

Em uma entrevista a Amanda Pupo, O Estado de São Paulo desta segunda-feira, o ministro Marco Aurélio de Mello condenou a ausência tanto do governador Luis Fernando Pezão  quanto do prefeito Marcelo Crivela, na cidade do Rio de Janeiro, exatamente no momento em que suas presenças eram absolutamente necessárias. O governador foi para um retiro e o prefeito viajou para a Europa. Enquanto isso, o Rio chegava a um estágio de insegurança alarmante. Isso é péssimo inclusive para o Brasil. Ambos deviam estar na cidade durante o carnaval. Tal omissão não se justifica.

O ministro do Supremo revelou ter dúvidas sobre o resultado da intervenção decretada pelo presidente Michel Temer, dizendo que há uma promiscuidade entre o poder e o crime que é terrível e inimaginável.

SEM ESPERANÇA – Marco Aurélio Melo acrescentou que a sociedade não pode nutrir esperança quanto aos resultados concretos da intervenção. Trata-se de um processo longo  profundo.

Na realidade, digo eu, a profundidade do problema é resultado de muitos anos de pactuação entre a ordem e a desordem do Estado do Rio de Janeiro. Na medida em que o poder político foi mergulhando no pântano, mais difícil se torna o saneamento da águas no rumo de uma normalidade perdida. A cidade do Rio é um exemplo dos mais fortes. Os agentes da desordem foram acumulando forças e armamentos importados e de repente, sentiram-se tão fortes ao ponto de enfrentarem os agentes da ordem. A população tornou-se refém do impasse.

EXEMPLOS DE CIMA – A corrupção inundou os espaços estaduais, notadamente dos espaços da cidade do Rio. Os exemplos vieram de cima, como agora está comprovado pela série de prisões que atingiram a mais alta escala da administração carioca e fluminense. Com exemplos desses, o que esperar? Somente a catástrofe.

Foi nesta catástrofe que se instalaram o governador e o prefeito. O governador foi vice de Sérgio Cabral e o prefeito teve o cinismo de colocar um video nas redes sociais dizendo que estava tudo sobre controle e ele viajava para adaptar tecnologia de segurança à cidade.

Era controle remoto, como se vê. Marcelo Crivella foi atingido pelo frio do inverno europeu. E o Rio foi atingido pelo insuportável calor da criminalidade.

OUTRO ASSUNTO – O economista Armínio Fraga, entrevistado por Claudia Safatle, edição de ontem do Valor, manifestou a esperança de que os votos que seriam dados para Luciano Huck sejam transferidos para Geraldo Alckmin. Assim agindo, o ex-presidente do Banco Central manifestou seu apoio ao governador de São Paulo.

No plano econômico, defendeu a alteração do sistema tributário do país. Afirmou que se deve tributar mais a renda do setor de serviço do que os assalariados.

E acentuou que a pejotização dos contratos de trabalho é pouquíssimo tributada. A pejotizaão é o seguinte: grandes empresas condicionam os contratos de trabalho a que os empregados adquiram o caráter de pessoa jurídica. Assim os empregadores em vez de contribuírem para o INSS com 20%, ainda reduzem seu Imposto de Renda, pois o salário do trabalhador pejotizado é contabilizado como despesas operacionais.

Armínio Fraga estranhou que ao longo de 12 anos no poder, o PT não tenha tomado a iniciativa para mudar tal situação. Um dos reflexos é a queda da receita do FGTS. São contradições entre o capital e o trabalho humano.

2 thoughts on “Marco Aurélio Mello critica Pezão e Crivella; Armínio condena a ‘pejotização’

  1. Pejotização: Custo zero para o empregador todos os impostos são pagos pelo empregado. Se o trabalhador não aceitar não consegue o serviço. É pegar ou ficar desempregado.

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