Marina Silva, a candidata que encolheu

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Charge do Gilmar (Arquivo Google)

Bernardo Mello Franco
O Globo

No início de setembro, Marina Silva estava em segundo lugar na corrida presidencial. Em menos de um mês, desabou para o quinto. A ex-senadora tinha 12% no Ibope. Agora caiu para a metade: 6%.

O encolhimento de Marina não chega a ser uma surpresa. Ela se isolou após a derrota de 2014, quando chegou a liderar as projeções de segundo turno. Seu partido, a Rede, nasceu pequeno e ficou ainda menor. Hoje tem apenas dois deputados e um senador.

SEM ALIADOS – A candidata também perdeu aliados que ajudavam a bancar suas campanhas. O empresário Guilherme Leal, da Natura, e a educadora Neca Setúbal, uma das herdeiras do Itaú, escolheram se afastar. Marina esperava arrecadar cerca de R$ 9 milhões em doações. Até aqui, recolheu pouco mais de R$ 1 milhão.”>

A ex-senadora atribui suas dificuldades à escassez de dinheiro e tempo de TV. É um problema, mas não é uma explicação. Ela tem 21 segundos a cada bloco de propaganda. O candidato Jair Bolsonaro tem apenas oito e está na liderança das pesquisas.

Até o fim de agosto, Marina contava com um trunfo. Apesar de ter rompido com o PT em 2009, ela era quem mais herdava votos de Lula. No cenário sem o ex-presidente, chegava a liderar entre os mais pobres e no Nordeste. Quando o petismo oficializou Fernando Haddad, a campanha da ex-senadora se dissolveu.

AFASTAMENTO – Marina poderia ter disputado o espólio do ex-presidente, mas fez escolhas que a afastaram da base lulista. Os apoios a Aécio Neves, ao impeachment de Dilma Rousseff e à prisão de Lula queimaram suas caravelas com a esquerda, na definição do ex-aliado Luiz Eduardo Soares, que também a abandonou.

Agora ela vê até os políticos da Rede se distanciarem. Seu candidato ao governo de Pernambuco, Júlio Lossio, acaba de ser expulso por aderir a Bolsonaro.

Na primeira campanha presidencial, Marina costumava motivar seus eleitores com uma frase de Victor Hugo: “Nada é mais forte que uma ideia cujo tempo chegou”. Se o fiasco indicado pelas pesquisas se confirmar, ela terá um novo desafio: mostrar que não se tornou uma opção cujo tempo passou.

5 thoughts on “Marina Silva, a candidata que encolheu

  1. Esse petista escreve como um adolescente da sétima série. Mas ele sabe que a Marina desidratou assim que Haddad assumiu a candidatura. Ou seja, por que votar no genérico se o original já estava disponível? A coisa é simples: Marina nunca deixou de ser petista! O militante sabe disso, mas com com suas “singelas linhas” tenta passar para a platéia a lorota de que ele tem caráter e inteligência.

    Pessoas como esse tipo são as responsáveis pelo crescimento de Bolsonaro. É a esperança de ver a retirada da teta da boca da imprensa mercenária para que o Sr. Bernardo vá ganhar seu pão honestamente como os brasileiros de bem.

    • Exatamente o mesmo que pensei, Ricardo…

      Os fanáticos não conseguem tirar a viseira, não saem da bolha nunca. Mal sabem eles que, mantido o quadro que se afigura até o momento, qualquer que seja o resultado em outubro, as bolhinhas de sabão vão ser varridas por uma tempestade de merda…

  2. Marina Silva já havia sido destruída pela máquina de propaganda petista desde a eleição de 2014.
    O PT tem sido muito bem sucedido em destruir qualquer concorrente no campo da esquerda. Ao que parece nem o PSDB sobreviverá.

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