Marina Silva enfim descobre ter cometido um erro ao entrar no PV, um partido dominado por uma verdadeira quadrilha, da qual faz parte Zequinha Sarney.

Carlos Newton

Até que demorou muito para a ex-senador Marina Silva descobrir ter dado uma grande mancada ao ingressar no Partido Verde, que é dominado há 12 anos pelo grupo do  presidente José Luiz Penna, um compositor paulista desconhecido, que literalmente sempre viveu às custas do partido.

A crise estourou quinta-feira, quando Penna, no cargo desde 1999, com apoio do deputado maranhense Zequinha Sarney (essa família não é fácil, quem sai aos seus não degenera), liderou uma manobra na Executiva Nacional da legenda para prorrogar seu mandato por mais um ano.

A manobra de Penna pegou de surpresa a ala de Marina. Como dizia Vinicius de Moraes, “de repente, não mais que de repente”, sem aviso prévio Zequinha Sarney propôs adiar para 2012 a convenção que elegeria, até julho, a nova cúpula do partido, e a proposta foi aprovada por 29 votos a 16, apesar dos protestos de Marina.

Derrotada, a ex-senador protestou contra o dirigente e autorizou aliados a falar abertamente em deixar a legenda e até fundar um novo partido. Do lado de Marina, estão verdes históricos como o ex-deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) e o ambientalista pernambucano Sérgio Xavier.

Para a ex-senadora, a derrota pode comprometer o plano de construir uma terceira via na sucessão da presidente Dilma Rousseff, em 2014. Apesar do terceiro lugar na campanha de 2010, com 19,6 milhões de votos, Marina não tem maioria na cúpula do PV. Ela ia tentar colocar um elemento de sua ala no lugar de Penna para afastar aliados incômodos e organizar sua nova candidatura ao Planalto. Sonhar ainda não e proibido, mas é melhor ela esquecer.

“Há um conflito entre os fisiológicos, que parecem ver a Marina como um estorvo, e a ala que quer renovar o partido. Agora a contradição estourou de vez”, disse o deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ). “Estamos vivendo um pesadelo verde. Penna deu um golpe para tentar ser presidente vitalício. Se não conseguirmos mudar isso, o único caminho será fundar outro partido.”

Detalhe: Sirkis sempre foi um dos mais fiéis aliados de Penna e apoiou o presidente inclusive quando em 2008 foram denunciadas por toda a imprensa (Tribuna, Folha, O Globo, IstoÉ etc.) as fraudes cometidas pela cúpula do partido, com prestações de contas adulteradas, diárias de viagens inexistentes de dirigentes e tudo o mais. Até as contas pessoais da residência de Penna em São Paulo (luz, água, telefone) eram pagas pelo partido.

Essas fraudes foram identificadas pelos técnicos da Justiça Eleitoral que examinaram as contas do partido. As fraudes eram evidentes e primárias. Na forma da lei, o PV deveria ser punido com a suspensão dos repasses do Fundo Partidário, como já acontecera uma vez, quanto Sirkis era presidente. E os dirigentes (Penna & Cia) tinham de ser responsabilidades pela Lei de Improbidade Administrativa, pois se tratava de desvio de recursos públicos (Fundo Partidário).

Mas nada aconteceu. Na Justiça Eleitoral houve “ordens de cima” e ninguém foi punido. O assunto foi resolvido assim: a cúpula do PV reconheceu “os erros” (as fraudes) na contabilidade e repôs o dinheiro, usando novamente recursos do Fundo Partidário. Parece brincadeira, mas é a realidade.

Em 2008, escrevi na Tribuna da Imprensa uma série de reportagens sobre as fraudes do PV. Procurei Fernando Gabeira e o informei sobre as irregularidades, mas ele nada fez, a pretexto de não prejudicar sua candidatura a prefeito do Rio de Janeiro. E pior: pediu à bancada federal que também nada fizessem

Agora, Sirkis e Gabeira estão pagando por terem entronizado o corrupto Penna na presidência do partido. E a ex-senadora Marina Silva, que não sabia de nada, filiou-se ao PV pensando se tratar de uma legenda de pessoas decentes, preocupadas com o interesse público. Entrou de gaiata, caiu num covil de ladrões. É uma lástima, não merecia isso.

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