Marina Silva vai mesmo deixar o PV, junto com Fernando Gabeira. O outro dissidente, o deputado federal Alfredo Sirkis, vai dar uma de tucano e ficar em cima do muro.

Carlos Newton

Marina sonha em montar uma nova legenda – batizada temporariamente de Partido da Causa Ecológica. Ela achava que o deputado federal José Luiz Penna ia abandonar a presidência do PV, mas estava muito enganada. Trata-se de um músico fracassado, sem emprego fixo. Nos últimos doze anos viveu às custas do PV, que pagava até as contas de luz, telefone e água da residência dele. Mas desta vez conseguiu se eleger e não vai largar o osso.

Com apoio de outros diretores, Penna fraudou sucessivas vezes a contabilidade do partido, aplicando os mais diversos golpes, que não passaram despercebidos à Justiça Eleitoral. Apesar disso, estranhamente ele continuou a desfrutar da confiança dos grandes líderes da legenda, como Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e Aspásia Camargo, por exemplo.

Há alguns anos, quando foram descobertas pelos auditores da Justiça Eleitoral as múltiplas fraudes na contabilidade, vários dirigentes do partido se revoltaram contra José Luiz Penna. Todos foram expulsos, sem direito de defesa. Marina Silva só agora descobriu agora que o PV não é um partido político. Na verdade é apenas uma quadrilha, que vive às custas do Fundo Partidário, que é formado pelos impostos dos cidadãos.

O Partido Verde, que deveria entender de agricultura e paisagismo, está colhendo o que plantou. Fundado por um grupo de visionários, entusiasmados com a importância da preservação do meio ambiente, pouco a pouco o PV foi se transformando numa legenda podre, colhida fora do tempo, já madura demais em termos de corrupção.

Afinal, quem é José Luiz Penna, que desde 1999 preside o PV e vivia às custas do partido. Sua biografia revela que se trata de um músico e compositor, embora ninguém nunca o tenha visto fazer um show nem conheça qualquer composição dele.

Na direção do PV, Penna vem compondo uma impressionante obra de corrupção e cooptação de dirigentes. Formou uma sólida quadrilha, da qual faz parte o deputado maranhense Zequinha Sarney (que família, hein?), autor da recente proposta que manteve Penna na presidência por mais um ano.

Penna age confiante na impunidade. E tem boas razões. Os auditores do Tribunal Superior Eleitoral detectaram nas contas do PV as mais absurdas irregularidades, mas Penna contratou o escritório de advocacia de Nelson Jobim (hoje comandado pelo filho Alexandre) e conseguiu que o TSE aceitasse as contas, desde que o PV repusesse o dinheiro desviado, o que foi feito usando recursos públicos do Fundo Partidário.

Assim, o TSE inventou a figura jurídica do “ladrão arrependido”, aquele que roubou, foi apanhado, quando ia ser julgado disse estar arrependido, repôs o dinheiro e não foi condenado. Se a Justiça Criminal funcionasse assim, nenhum ladrão estaria preso, é claro. Sergio Cabral adotou a mesma estratégia. Apanhado em flagrante, desculpou-se dizendo que não existe um Código de Conduta e se propõe até a criá-lo, quanta desfaçatez

Na certeza da impunidade, José Luiz Penna chegou a se divertir postando vídeos na internet, em que aparecia junto a outros “dirigentes” do PV, e aproveitava para fazer gozações com Marina Silva e outras figuras do partido. Num dos vídeos, o presidente do diretório do PV em Osasco (SP), Carlos Marx Alves, diz a Penna que verdes recém-chegados pensam que vão levar a sigla “de bandeja”. “Entrou no ônibus e já quer ir para a janela, né?”, responde Penna, rindo.

Recordar é viver. Em 2007, quando surgiu o escândalo no PV, com irrefutáveis provas de corrupção, Penna conseguiu o apoio de Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e Zequinha Sarney para expulsar (sem direito de defesa) os dissidentes, que exigiam o afastamento da quadrilha que domina o PV.

Portanto, Gabeira, Sirkis e Zequinha foram cúmplices de Penna. Agora, só ficou Zequinha na quadrilha. Gabeira e Sirkis trocaram de lado e estão apoiando Marina Silva. Mas parece que se arrependeram tarde demais.

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