Marina vence debate na Record: Não à cultura das promessas

Pedro do Coutto

A senadora Marina Silva, em minha opinião, venceu amplamente o debate da noite de domingo na TV Record, dirigido pelo apresentador Celso Freitas. Com isso, adicionou para si uma fração de votos expressiva na reta final, porém insuficiente para forçar um segundo turno e levá-la a enfrentar Dilma Rousseff, não só no próximo domingo, mas no último fim de semana de outubro.

Esteve bem no confronto, foi clara, passou a naturalidade indispensável, sem prejuízo de uma suave firmeza. Mas sobretudo há de ter avançado quando sua voz exprimiu a rejeição de todos à tradicional cultura das promessas. Promessas, depois das urnas, o vento leva para o esquecimento. No papel resolve-se tudo, até à redistribuição de renda que somente se verificou para os 27% – segundo o IBGE – que ganham mensalmente o salário mínimo.

Foi importante, diga-se de passagem, este reconhecimento de Dilma Rousseff, verdadeiro aliás. O mínimo, ao longo do governo Lula, ganhou da inflação oficial. Mas e os outros vencimentos? A resposta de Rousseff terminou funcionando para esclarecer a face completa do desafio social: fazer  com que os salários não sejam derrotados pelas taxas inflacionárias. Este, na realidade, é oponto nevrálgico da questão do desenvolvimento social. Isso porque – lembro frase do meu amigo Antonio Houaiss -, o salário é o único instrumento possível, de caráter permanente, do processo redistributivo de que o país carece.

É preciso – digo eu – ver os fatos com realismo. Em política, tal fenômeno é raro. Por exemplo o tema essencial da educação tocado mais incisivamente por Plínio Sampaio. O candidato do PSOL defendeu a aplicação de 7% do PIB nos programas educacionais de todos os níveis, com prioridade para o setor público. Todos concordaram, mas isso é impossível. Plínio confundiu 7% do PIB com 7% do orçamento. O PIB previsto para este ano é de 3,4 trilhões de reais. Exatamente o dobro da lei de meios, que é de 1 trilhão  e 717 bilhões, conforme revela mensalmente no DO a Secretaria do Tesouro Nacional. Como se vê nitidamente, são totais distintos. Mas mesmo os 7% sobre o orçamento de 2010 não são cumpridos. A rubrica relativa à educação corresponde a cerca de 30 bilhões de reais. Deveria corresponder a 119 bilhões.

Porém, se adotado o critério do valor do PIB, a soma dos investimentos e do custeio do setor teria que atingir 238 bilhões. Oito vezes mais do que hoje. Por essas e outras é que os reflexos do debate foram positivos. Não para Dilma que se revelou pouco à vontade quando o assunto era a corrupção desencadeada por Erenice Guerra. Mas como se diz em política – discurso pode fazer mudar de opinião, mas dificilmente muda voto em escala decisiva. Marina Silva subiu no debate. Vamos esperar a conseqüência concreta no IBOPE e Datafolha.

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TSE TEM QUE RETIRAR IMPUGNADOS DO  MAPA ELEITORAL

Com a decisão do Supremo ao empatar a votação, como escrevi no sábado, prevalece o julgamento do TSE que manteve, entre várias outras, as impugnações das candidaturas de Paulo Maluf e Jader Barbalho. Não podem ser votados, portanto. Assim sendo, o mesmo TSE tem que retirar seus números do mapa de votação e computação de votos. E também substituir o nome e a foto de Joaquim Roriz pela foto e o nome de Weslian Roriz.

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