Mario Filho, o maior jornalista esportivo de todos os tempos, morreu sem ningum saber

Esse, sim, eterno, escrevendo, criando, (os Jogos da Primavera), com um livro extraordinrio e insupervel, devia ser reeditado, para distribuir entre os jovens, O negro no futebol brasileiro. a maravilhosa histria das nossas razes no futebol.

O Estdio do Maracan s saiu por causa dele, o prefeito Mendes de Moraes queria construir dois: um pblico e outro privado, nas suas contas pessoais. Merecidamente o Maracan tem o nome dele, por favor, substituir ou trocar o nome, de maneira alguma.

Chegando da Copa de 66 na Inglaterra, (a nica na qual o Brasil foi eliminado na primeira fase) Mrio Filho morreu, quase que ignorado. E era dono do Jornal dos Sports, que informou e formou geraes e geraes.

O primeiro servio de Armando Nogueira, j no muito moo, aos 23 anos, foi cobrir a chegada da seleo da Iugulsvia para a Copa de 50. Deu trabalho para o copidesque, que ento dominava as redaes.

Verdade seja dita, ele no sabia que era to genial quanto o descreveram ou exaltaram. At um ttulo tolo e sem qualquer mrito, foi desenterrado quando ele morreu: O homem que driblou a morte. Quanta besteira, Armando Nogueira. Ttulos altamente criativos, vou citar dois, poderia lembrar uns 100.

Joel Silveira, o maior reprter de todos os tempos, aos 19 anos chegava de Sergipe e escrevia, Os gr-finos de So Paulo, no parou mais. Fez entrevista com o deputado Domingos Velasco, socialista e catlico, colocou o ttulo inesquecvel: Na esquerda, com Deus. Ou ento na Tribuna da Imprensa, durante a ditadura, quando o governador de So Paulo e o do Rio almoaram: Chagas e Maluf se encontram, a polcia no aparece.

No foi poeta, e genial poucos so. No escrevia, com dificuldade alinhavava as palavras, soletrava, se empolgava e se deslumbrava. Ao contrrio de Mario Filho, viveu na poca da televiso. Soterraram-no de improprios que pretendiam consagradores, mas esqueceram precisamente a televiso.

Dois dos episdios jornalsticos mais vergonhosos da televiso, levam a marca de Armando Nogueira. No era por maldade, (nada a ver com o filme, A marca da maldade, de Orson Welles) e sim por ser impossvel para ele e para muitos, ultrapassa o que estava dentro dele, a convico de ser sempre servo, submisso e subserviente.

Em 1982 cumpriu tudo o que seu mestre mandava, tentou de todos os modos e maneiras fraudar o resultado das eleies, convencer a opinio pblica de que Brizola no ganhara a eleio. O prprio Brizola, indomvel, foi sede da Vnus Platinada, recuperou a eleio que havia ganho nas ruas. Espertssimo, Roberto Marinho devolveu a eleio para Brizola, nem consultou seu diretor.

No teve coragem de pedir demisso, a subservincia foi sempre maior do que a conscincia. Ficou diretor sem mandar nada, com Roberto Marinho ningum mandava, esqueceram disso. At que chegou o fim em 1989.

Com a eleio direta para presidente, (depois da ditadura, surgiu o primeiro debate, copiando o de Kennedy-Nixon em 1960) entre Lula-Collor, no segundo turno. At hoje o fato lembrado. A TV Globo repetia 1982, se julgava, como se julga at hoje, invencvel, inviolvel e imperturbvel. Editou o debate, de forma vergonhosa, espantosa e at delituosa.

Perdeu, mas era comum em Roberto Marinho, jogou toda a culpa em Armando Nogueira, o que era pelo menos 70 por cento verdadeiro. Ficou vagando por a, divagando nas palavras que nem imaginava que fossem geniais, s vai saber agora, j est sabendo, surpreendidssimo. Devia haver um limite para elogio pstumo, principalmente disparatado e inverdico.

J contei: o grande poeta (esse, verdadeiro e dos maiores) Manuel Bandeira, gostava de escrever conversando com ele mesmo. Perfeccionista, quando no gostava, rasgava e dizia: Quanta besteira, Manuel Bandeira. Com ele em vida, comparei, criei, repeti: Quanta besteira, Armando Nogueira.

Conheo meus personagens. Coisa que no acontece com os exibicionistas, que na fria de aparecerem, enterraram o jornalista, chamando de genial. Se fosse em Portugal, diriam apenas: Bestial, p.

***

PS Respondendo a muitos que perguntam (justamente) se o fim de Armando Nogueira foi em 1982 ou em 1989. A queda e o desgaste comearam com o fiasco e o fracasso de 1982, Brizola tomou posse, Roberto Marinho acreditava que ele fosse se vingar.

PS2 1982, foi a primeira ruga na face do personagem. Como disse antes, foi mantido, apesar de execrado. 1989 foi o envelhecimento e o envilecimento, nenhum jogo de palavras, Roberto Marinho se cansara de servos, submissos e subservientes.

No deixe de ler amanh:
A elegante, educada e at espirituosa
entrevista de Brizola a Armando Nogueira, depois
de ter abortado a fraude da Globo/Proconsult

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