Médici nunca foi aplaudido no Maracanã, que costuma vaiar até minuto de silêncio

Valdenor de Souza:
“O General Médici foi aplaudido de pé, pelo Maracanã lotado. E não diziam que ele era odiado? Como você ia muito ao Maracanã, devia ser um dos raros que vaiavam.”

Comentário de Helio Fernandes:
Rigorosamente equivocado, Valdenor, desculpe. O “presidente”, (como general nunca foi ao Maracanã) seguia uma estratégia, usada por todos os que iam ao estádio depois do golpe. Lógico, iam para a Tribuna de Honra. No fundo dessa Tribuna, havia um café, ficavam lá.

Quando a seleção entrava em campo, (geralmente iam a jogos de seleção ou de decisão) apareciam “lá em cima”, acenando, como se os aplausos fossem para ele (ou eles). Ha!Ha!Ha! Jamais foi aplaudido.

Em matéria de “receber” ou “comemorar” homens públicos, o Maracanã tem dois momentos inesquecíveis. O primeiro foi com o prefeito do então Distrito Federal, Dulcidio Espírito Santo Cardoso. Naquela época, havia um comunicado, que se transformou em bordão: “ A Suderj informa”. Quando prefeito foi ao Maracanã, um dos flagelos do Rio era a FALTA D’ÁGUA. A população sofria de ponta a ponta, em todos os bairros, da elite à classe mais pobre. Quando informaram a chegada do prefeito, a multidão, (naquela época, o Maracanã, “vazio”, tinha mais de 100 mil pessoas, hoje, “lotado”, não passa de 60 ou 70 mil) se levantou e parecia um grito só.

“Água, água, água”, durante 5 minutos, indescritível. O prefeito namorava a cantora Ester de Abreu, uma das mulheres mais bonitas que já conheci. Minha amiga, a bancada de imprensa ficava abaixo da Tribuna de Honra, não dava para ver.

O segundo episódio, aconteceu no dia do velório do marechal Castelo Branco. Seu corpo estava no Clube Militar, no Maracanã jogavam América e Botafogo. A Suderj “pediu um minuto de silêncio”, o Maracanã inteiro vaiou. No dia seguinte, Nelson Rodrigues, que fazia um programa de debates (na TV Rio), registrou: “O Maracanã é implacável, vaia até minuto silêncio”.

O “presidente” Médici só deixou uma frase, (o coronel Otavio Costa escreveu para ele): “A economia vai bem, mas o povo vai mal”. (Essa até podia ser aplaudida, era de uma realidade lancinante).


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14 thoughts on “Médici nunca foi aplaudido no Maracanã, que costuma vaiar até minuto de silêncio

  1. Ou o senhor Hélio Fernandes é um mentiroso intencional, maluco ou ficou totalmente gagá. Eu estavava presente ao Estádio no Fla-Flu em 1969. E fui um dos que aplaudiu o presidente que, àquela época, era um dos homens mais admirados e queridos no país. Não sou favorável a torturas e injustiças que, com certeza, foram cometidas, mas dizer que ele não era quase endeusado pelo povo é no mínimo falta de caráter.

  2. O Senhor haje com desonestidade intelectual, por cortar o texto de Nelson Rodrigues, que segue na íntegra, sobre os aplausos ao Gen Médici:

    – Crônica de Nelson Rodrigues

    “É preciso não esquecer o que houve nas ruas de São Paulo e dentro do Morumbi. No Estádio Mário Filho, ex-Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, como dizia o outro, vaia-se até mulher nua. Vi o Morumbi lotado, aplaudindo o Presidente Garrastazu. Antes do jogo e depois do jogo, o aplauso das ruas. Eu queria ouvir um assobio, sentir um foco de vaia. Só palmas. E eu me perguntava: ‘E as vaias? Onde estão as vaias? ’ Estavam espantosamente mudas”.

  3. Eu assisti a um Botafogo×Flamengo. Quando Médici apareceu na Tribuna com seu rádio de pilha o Maracanã lotado ficou de pé para aplaudir. Eu estava lá eu vi!

    • Todas as vezes que o o Grande Presidente visitava o Maracanã e outro qualquer Estadio, era aplaudido de Pé por todas as Torcidas , eu fui testemunha e por várias vezes !!

  4. Medice era um grande brasileiro, um grande presidente, que amava o Brasil. O povo o aplaudia em qualquer lugar onde era reconhecido. Era um homem tímido, não procurava glória, amava o Brasil, estava na presidência cumprindo missão, e não por ambição política, Respeite um homem de caráter.

  5. Wilson de Paula, não se preocupe com os boatos de tortura do período revolucionário. Foi uma desconstrução orquestrada pela esquerda e eles conseguiram. Desconstruir adversário, é uma expertise da esquerda . O respeito ao ser humano faz parte do Ethos do exército brasileiro, mas toda regra tem exceção, mas não era, com certeza, modus operandi

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