Megaempresários enfim percebem que o capitalismo precisa entrar em nova fase, mais humana

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Charge do Eneko (Arquivo Google)

Matthew Wilburn King
BBC Future

Quase 250 anos atrás, o economista e filósofo Adam Smith escreveu o livro A Riqueza das Nações, em que descreveu o nascimento de uma nova forma de atividade humana: o capitalismo industrial. Porém, ele e seus contemporâneos não imaginavam o quanto o novo sistema criaria um acúmulo de riqueza em poucas mãos.

O capitalismo alimentou as revoluções industrial e tecnológica, remodelou o mundo e transformou o papel do Estado em relação à sociedade.

PONTOS NEGATIVOS – Ele tirou inúmeras pessoas da pobreza nos últimos dois séculos, aumentou significativamente os padrões de vida e levou ao desenvolvimento de inovações que melhoraram radicalmente o bem-estar humano, além de tornar possível a ida à Lua e a leitura deste artigo de opinião.

No entanto, a história do capitalismo não é totalmente positiva.  Nos últimos anos, as deficiências do sistema se tornaram cada vez mais evidentes.

Priorizar ganhos de curto prazo para as pessoas às vezes fez com que o bem-estar de longo prazo da sociedade e do meio ambiente fosse jogado fora, especialmente porque o mundo está lutando ao mesmo tempo contra uma pandemia de coronavírus e as mudanças climáticas.

QUAL É O FUTURO – Nos últimos anos, várias ideias e propostas surgiram com o objetivo de reescrever o contrato social do capitalismo. Há o modelo dos “cinco capitais”, articulado por Jonathan Porritt, autor de “Capitalism As If The World Matters”.

Porritt pede a integração de cinco pilares do capital humano: natural, humano, social, manufaturado e financeiro, nos modelos econômicos existentes. Um exemplo tangível de onde as empresas estão começando a abraçar “os cinco capitais” é o movimento B-Corporation. As companhias certificadas cumprem a obrigação legal de considerar “o impacto de suas decisões sobre seus trabalhadores, clientes, fornecedores, comunidade e meio ambiente”.

Suas fileiras agora incluem grandes corporações como Danone, Patagonia e Ben & Jerry’s (que é propriedade da Unilever).

MUNDO E MEIO AMBIENTE – Essa abordagem se tornou cada vez mais comum, refletida em uma declaração de 2019 divulgada por mais de 180 CEOs corporativos, redefinindo “o propósito de uma corporação”.

Pela primeira vez, os CEOs que representam o Wal-Mart, Apple, JP Morgan Chase, Pepsi e outros reconheceram que devem redefinir o papel dos negócios em relação à sociedade e ao meio ambiente.

Sua declaração propõe que as empresas devem fazer mais do que oferecer benefícios aos seus acionistas. lém disso, devem investir em seus funcionários e contribuir para a valorização dos elementos humanos, naturais e sociais do capital a que Porritt se refere em seu modelo, ao invés de focar apenas no capital financeiro.

LUCROS EXCESSIVOS – Em uma entrevista recente ao Yahoo Finance sobre o futuro do capitalismo, o CEO da Best Buy, Hubert Joly, disse que “o que aconteceu é que por 30 anos, da década de 1980 a 10 anos atrás, tivemos essa abordagem única sobre os lucros excessivos. Isso causou muitos desses problemas. Precisamos afrouxar esse modelo. Se tivermos uma refundação de negócios, também pode ser uma refundação do capitalismo… Eu acho que isso pode ser feito, tem que ser feito.”

Mais de três décadas atrás, a Comissão Brundtland das Nações Unidas escreveu no documento “Nosso Futuro Comum” que havia ampla evidência de que os impactos sociais e ambientais são relevantes e devem ser incorporados aos modelos de desenvolvimento.

MAIS INCLUSIVO – Ora, é óbvio que essas questões também devem ser consideradas dentro do contrato social que sustenta o capitalismo, para que ele seja mais inclusivo, holístico e integrado aos valores humanos básicos.

Coletivamente, eles podem apoiar empresas alinhadas com suas crenças e exigir continuamente novas leis e políticas que transformem o cenário competitivo das empresas para que possam aprimorar suas práticas.

Quando Adam Smith observava o nascente capitalismo industrial, em 1776, ele não podia prever o quanto ele transformaria nossas sociedades hoje. Portanto, era aceitável sermos tão cegos quanto ao que o capitalismo se transformaria. No entanto, isso não significa que não devamos nos perguntar como ele pode evoluir para algo melhor no curto prazo. O futuro do nosso planeta depende disso.

15 thoughts on “Megaempresários enfim percebem que o capitalismo precisa entrar em nova fase, mais humana

  1. Mero discurso de megaempresários como desculpa à pobreza e à miséria, pelo mal que têm causado à maioria da Humanidade.
    Até porque sabemos de cor e salteado que jamais será colocado em prática um plano de o capitalismo se tornar mais humano:
    Primeiro porque dinheiro não tem sentimentos;
    Segundo, pelo fato de que as grandes conglomerações empresariais (Walmart, por exemplo), seus planejamentos são voltados para obter mais faturamentos e lucros, em decorrência;
    Terceiro, que diante de qualquer crise econômica, onde as vendas diminuem, os preços sobem para compensar a menor receita, porém o lucro não poderá ser menor.
    Quarto, os bancos é que deveriam fazer parte desta reunião, pois em tempos de crises são essas instituições que mais ganham dinheiro.

    Os males do planeta são por demais conhecidos de todos:
    Saúde, educação, falta de alimentos para os desvalidos, que não possuem poder de aquisição, desemprego, violência e … DROGAS!

    Caso tiverem algum tempo ou quiserem entender o que digo sobre o principal mal que aflige o mundo, que é o tráfico de drogas, busquem no Youtube a cidade de Kesington, na Philadélfia, Estados Unidos, assim como Detroit, no mesmo País, e constatem o que faz as drogas na terra do Tio Sam.

    Só mesmo vendo para acreditar no que se está transformando a sociedade americana, principalmente os jovens, e com bem mais incidência sobre os negros, a dependência das drogas.
    Centenas de pessoas caídas pelas ruas; morando nas calçadas; tomadas de parasitas e doenças de pele; vivendo entre lixo, fezes, urina; absolutamente abandonadas pelo poder público!

    Como achei que seria um fenômeno único nos Estados Unidos, pesquisei e percebi que o mesmo acontece em outras cidades norte-americanas, onde Detroit, que já foi a capital do automóvel no mundo, hoje está abandonada, uma legítima cidade fantasma.

    Precisam ver a prostituição nas ruas de Los Angeles, onde as mulheres perambulam em ruas imundas, com esgotos a céu aberto, em um espetáculo deprimente e decadente para a espécie humana.

    Façam o mesmo com as cidades de Medellin e Bogotá, na Colômbia;

    Agora, se quiserem ver mesmo miséria e pobreza, daqueles de doer, de se deixar de ter gosto pela vida, então busquem a Índia:
    Déli, Calcutá, Bhopal, Bombaim … e tentem descobrir como se consegue viver naquela Nação, que empatou com a China em número de habitantes, o que é miséria e pobreza!

    Encontrem o mapa do Oriente Médio, e visualizem a Síria, Líbano, Palestina, Yêmen, e vão constatar se existem razões para tanto ódio entre os habitantes daquela região.

    Para não sermos considerados xenófobos ou alienados, que somente vemos defeitos em outros Países, então verifiquemos São Paulo e sua Cracolândia, a prostituição infantil e juvenil nas maiores capitais do Nordeste, os subúrbios do Rio tomados pelas milícias, que desfilam em camionetes apinhadas de milicianos armados com fuzis …

    Pergunto:
    Haverá solução para tanta miséria e decadência, onde apenas a discussão sobre dinheiro resolverá problemas tão profundos e graves neste mundo??!!

    A menos que a ideia dos poderosos seja mesmo de diminuir a população mundial:
    De mais de sete bilhões de seres humanos que somos atualmente, para um bilhão, um bilhão e meio, no máximo!
    Então o capitalismo poderá pensar em mudanças, e contemplar o ser humano com mais condições de viver e de dignidade.

    Agora, se querem mesmo ficar irritados, alguns talvez até me ofender, as ditaduras que ainda existem são mais humanas que as supostas democracias e liberalismo econômico que temos no planeta!

    Cuba, por exemplo:
    Não existe a miséria e a pobreza que vemos no Brasil, na Índia, e dezenas de outros países (se algum comentário me disser para eu ir morar em Cuba, saliento que o autor seja mais criativo ou original);
    A China não tem drogas, igualmente a pobreza e a miséria que mencionei acima (da mesma forma, se me escreverem que eu me mude para a China direi que, se me pagarem a passagem, vou uma semana depois)!

    Enfim, o capitalismo destruiu o mundo, para agora querer ser compreensivo e “ajudar” os mais pobres.
    Não se deram por conta, o megaempresário e o banqueiro, que se aproxima o maior tsunami já visto desde o surgimento do ser humano:
    Os bilhões de pobres e miseráveis começam a existir nas nações mais ricas do globo.
    Em pouco tempo não haverá consumo, e de nada adiantará subir os preços, em razão do desemprego;
    As doenças, pandemias, tomarão conta da população mundial;
    As drogas já estão presentes em mais de SESSENTA POR CENTO das pessoas;
    O povo que pode está se armando (milícias, quadrilhas, traficantes, movimentos religiosos …)
    A Terra será o buraco negro do sistema solar, onde dentro de dezenas de anos implodirá!!!

    As tais reformas precisam ser muito mais bem elaboradas, que simplesmente reuniões de poderosos conversarem sobre dinheiro.

    Nessas alturas, discutir uma melhor sociabilização do lucro é piada, grotesca e infame!

      • Rubens,

        Você não entendeu as minhas colocações.

        Eu poderia te responder se o cubano vive na ilha presídio, então me define como que vive a pessoa dependente do Bolsa Família?

        Não seria um presidiário do governo, que o mantém nesta condição para obter o voto desse pessoal carente??!!

      • É difícil de contra-argumentar esta sua comparação de quem recebe uma ajuda alimentar no Brasil; com quem tenta fugir da ilha presidio agarrado em uma câmara de ar, para não viver na pobreza igualitária.

        Fico imaginado alguém com esse seu raciocínio, na porta da caixa econômica, tentando convencer os bolsistas, á trocarem a ajuda por uma passagem ‘só de ida’, para o paraíso socialista.

        PS: Para os cubanos, não precisa nem oferecer uma bolsa família no Brasil, se der uma boia mais resistente, eles já ficaram contentes.

        • Não há como debater com radicais.

          O teu conceito sobre liberdade é bizarro demais, assim como inventar que denominei Cuba de paraíso socialista.

        • O sarcasmo de paraíso socialista foi meu.
          Mas, foi você quem propagou essa Fake News abaixo: Cuba, por exemplo:
          ‘ ‘ ‘Não existe a miséria e a pobreza que vemos no Brasil, na Índia, e dezenas de outros países (se algum comentário me disser para eu ir morar em Cuba, saliento que o autor seja mais criativo ou original);’ ‘ ‘ .

          PS: Faz parte do debate: Calar e consentir; não precisa admitir o erro; e muito menos se desculpar. Deixar o meu argumento, e o seu, já é suficiente para as pessoas não serem enganadas (nem por mim, nem por você) e tirarem suas próprias conclusões.

  2. Como o próprio nome diz, o capitalismo visa remunerar o capital de quem o tem. Quem não tiver, FDS.
    E assim a concentração de renda vai aumentando indefinidamente.

  3. O capitalismo ainda é o melhor sistema. Mas existem vários tipos e o que parece melhor é aquele com viés mais social, Países escandinavos, Alemanha, Suíça são exemplos de países que praticam esse tipo de capitalismo.

  4. Vidal, meu conterrâneo,

    Postaste o óbvio.

    A questão é fazer com que as nações mais pobres do mundo também façam parte deste capitalismo “melhor”, que seria a social democracia.

    De nada adianta reconhecermos este regime como o mais adequado neste momento, se as nossas condições, principalmente advinda dos poderes constituídos, impedem que tenhamos uma vida não tão cruel para pobres e miseráveis.

    Ótima semana que ora inicia.

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