Meirelles, como Proust, parte em busca do tempo perdido

Pedro do Coutto

O título desta matéria seria outro: afinal, Henrique Meirelles assume ou não a Autoridade Pública Olímpica. Mas no momento em que escrevo, noite de sexta-feira, o editor deste site, Carlos Newton, me informa que, finalmente, foi publicada a nomeação do ex-presidente do Banco Central, para a presidência do Conselho da APO. A lei que criou a Autoridade Olímpica, que terá também a seu cargo controlar os investimentos e serviços para a Copa do Mundo de 2014, foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff a 22 de março. Mas a posse de Meireles estava custando muito a se concretizar.

O vazio administrativo acumulou-se ainda mais, em face do espaço existente entre dezembro de 2010 e junho de 2011. Se no seu relatório sobre o desempenho da administração brasileira relativo ao ano passado, o Tribunal de Contas – Diário Oficial de 3 de junho – apontou a existência de largos atrasos e grandes problemas para a realização da Copa de dos Jogos Olímpicos, que dirá, após a inércia constatada, como está a situação agora em junho?

Só pode ter se agravado. Henrique Meirelles, a exemplo da notável obra de Marcel Proust, considerada um dos maiores romances de todos os tempos, terá assim que partir em busca do tempo perdido. Não será fácil. Mas ele tem experiência acumulada na presidência do Bank Boston e na do Banco Central, neste caso durante oito anos do governo Lula.

Panorama difícil porque os problemas não estão só no ritmo das obras dos estádios. As do Coríntians, em Itaquera, por exemplo, sequer começaram. Encontram-se dificuldades igualmente nos projetos de ampliação dos aeroportos. Estes não estão preparados para suportar um fluxo diário adicional de enorme número de passageiros. E tem mais um aspecto, observado por minha mulher, nos estádios obras são feitas com eles fechados. Nos aeroportos, têm que ser executadas com eles funcionando. Não há outra hipótese.

A presidente Dilma Rousseff demorou demais para oficializar a investidura de Meirelles. Ele vai supervisionar os gastos do governo federal, dos governos estaduais e dos prefeitos municipais com a execução das obras de edificação e modernização de serviços. Dilma tomou a iniciativa de centralizar a fiscalização certamente para impedir que se repitam os problemas que marcaram o custo dos Jogos Panamericanos. Os preços subiram de uma previsão inicial de 400 milhões para uma finalização de 1 bilhão e 200 milhões de reais. Houve uma evaporação de recursos.
                                          

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HADDAD, FINALMENTE, SAI DO MEC

Outro assunto. Falamos na nomeação de MeireLles. Agora focalizamos a demissão de Fernando Haddad. Reportagem de Vera Magalhães, Folha de São Paulo de sexta-feira, não deixa dúvida. Ele finalmente vai se afastar do Ministério da Educação. Depois do fracasso da prova do ENEM, da Cartilha oficial contendo erros clamorosos de português, da Cartilha sobre a homofobia e dos erros apresentados em operações de soma e subtração, em mais uma cartilha elaborada por uma ONG, Fernando Haddad, ele próprio, anuncia que vai sair.

Deseja ser candidato à Prefeitura da cidade de São Paulo, desde que tenha o apoio de Lula. As eleições são em outubro do ano que vem, e o prazo de desincompatibilização no início de abril. Mas ele deseja deixar o cargo bem antes, mesmo que perca a convenção do PT para a escolha do candidato ou candidata. Nesta segunda hipótese, o nome mais forte, sem dúvida, é o da senadora Marta Suplicy, vitoriosa nas urnas de outubro. O caminho para tentar suceder Kassab não está fácil para Haddad. Porém a impressão que predomina, pela antecedência, é que sua permanência no MEC tornou-se ainda mais difícil. Para a presidente da República, que só o manteve na passagem de governo a pedido do grande eleitor que a antecedeu e assegurou sua vitória.

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