Meirelles devia saber que as incertezas eleitorais são próprias da Democracia

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No debate que está travando com o deputado Rodrigo Maia em face da decisão da agência S&P que rebaixou a nota de crédito do Brasil, o ministro Henrique Meirelles – reportagem de Marina Dias e Marli Prado, Folha de São Paulo deste sábado – afirmou que a decisão foi motivada por incertezas eleitorais, além de a não votação da reforma da Previdência. O titular da Fazenda não tem razão, e sua explicação não explica nada. Esqueceu que as incertezas eleitorais são próprias do regime democrático, caso contrário as eleições para serem válidas, ao invés de incertezas, teriam de ser antecipadamente previsíveis. Como aconteceu no regime ditatorial que governou o país de 64 a 85.

Henrique Meirelles esqueceu também de mencionar o desgaste do governo do qual faz parte, em função da rejeição pela Câmara dos julgamentos propostos pelo Supremo contra Michel Temer. O ministro da Fazenda deve ter acompanhado, como todos os brasileiros a sequência dos dois processos. Inclusive as negociações de bastidor em relação às duas matérias. Os dois episódios, ao contrário do que afirma Meirelles contaminaram mais o debate econômico do que o adiamento do projeto de reforma do sistema previdenciário.

MUITA CONFUSÃO – Rodrigo Maia reagiu a Meirelles, rebatendo a transferência de culpa a Câmara pela não votação do projeto que muda as regras das aposentadorias e pensões no país. Pode-se incluir no raciocínio a disputa entre os dois na busca que cada um deles desenvolve para ser o candidato de centro nas urnas da sucessão presidencial de outubro.

Mas tanto ele, Meirelles, quanto Rodrigo Maia, apresentam apenas índices que variam de 1 a 2% na recente pesquisa do Datafolha. Além disso o presidente Michel Temer, na entrevista a Eliane Cantanhede, anunciou preferir apoiar Geraldo Alckmin, entre outras razões, por ser ele o candidato que mais possibilidades tem de unir em torno de si as correntes centristas.

O quadro eleitoral brasileiro visando a chegada ao Planalto só poderia ser incerto nos dias de hoje. Pois é preciso considerar que o panorama depende do julgamento de Lula marcado para  24 de janeiro. Antes disso qualquer palpite não tem a expressão do quadro eleitoral.

UM OUTRO ASSUNTO – É um perigo usar e-mails para comunicações que envolvem a sombra de interesses fora das linhas da lei.  Na edição deste sábado, o repórter Fábio Fabrini destaca as suspeitas que estão envolvendo a vice-presidente de Fundos e Loterias da Caixa Econômica Federal, Deusdina dos Reis Pereira. Ela enviou ao presidente da CEMIG Mauro Borges comunicação sobre um crédito de 200 milhões de reais solicitado à CEF pela Empresa Elétrica de Minas Gerais. O e-mail que está sendo investigado pelo Ministério Público Federal, diz o seguinte: “amanhã apreciaremos no Conselho Diretor a operação de crédito para a empresa. Continuo aguardando seu retorno quanto a minha indicação para o Conselho”.  Estranha a comunicação feita. A vice-presidente da CEF provavelmente esqueceu que os computadores guardam as mensagens.

Aliás, por falar nisso, a revista Veja que está nas bancas publica extensa reportagem sobre o uso de e-mails e redes sociais com falsas notícias.

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