Meirelles: macroeconomia longe da democracia. Tem medo de eleição e de mudança de governo. Se envaidece do que não fez, orgulhoso da proteção aos banqueiros e grandes seguradoras

Do “presidente” Médici: “A economia vai bem mas o povo vai mal”. A economia nunca foi bem e o povo sempre vai mal. Meirelles, acusado de vários crimes financeiros, presidente do Banco Central: “A economia está sólida, o medo é o tumulto da eleição de 2010 e da mudança de governo”.

Ninguém foi tão implícito e explícito ao demonstrar desprezo pela eleição e repúdio à alternância de Poder. Na entrevista publicada pelo Globo ontem, (Patrícia Duarte e Sérgio Fadul) deixa entrever embora não afirme: “Só mesmo eu como presidente, garantiria a economia e as instituições”.

Tão empolgado que pratica a contradição de palavras depois de exercer a contradição da convicção (?). Diz: “Não sou político”. A seguir: “Posso retomar a carreira política”. Retomar o que não existiu?

Em política propriamente dita, (eleitoral) traiu o povo de Goiás. Veio do Bank Boston, desembarcou no estado onde nasceu, comprou 183 mil votos, teve que renunciar ao mandato para ser presidente do Banco Central. Que carreira vai retomar? A de comprador de votos?

O presidente do Banco Central (qualquer um) faz política 24 horas por dia. Principalmente um homem arrogante, pretensioso e auto-suficiente como ele. Sofria nos primeiros tempos quando Lula dizia: “Estou esperando o Palocci me dar o sinal verde para baixar os juros”. O presidente não citava Meirelles, ninguém tinha confiança nele. Demitido, (justamente) Palocci, Meirelles ganhou como chefe (hierarquicamente) Mantega, que tem medo de tudo.

Que país é este em que o presidente do Banco Central não esconde que tem medo de eleições e de mudança de governo? Defendendo intransigentemente o câmbio flutuante, revela e apela: “Diante da inquietação (eleitoral) o BC não hesitará, dispõe de um arsenal para combater distorções”.

Sem convicções, abandonará o câmbio flutuante, mas deixará que ele flutue para onde lhe interessar. Não usa o tom pessoal, mas não diz em nenhum momento, “em oportunidade razoável, consultarei o presidente Lula”. Também pedindo aos repórteres que não revelem, (“isto é sigiloso”) “aumentar os juros é sempre o remédio clássico”.

Aí não fala só por ele, já espalham pelos “mercados”, a idéia de que em março o juro poderá subir novamente, até 10 por cento, está em 8,75%. (ATÉ DEZ POR CENTO?). E o próprio Meirelles não vai embora em 31 de março? Ou acha o cargo parlamentar (deputado ou senador) pouco para ele?

É possível que essas ameaças veladas (tão veladas quanto um filme antigo) sejam apenas tentativas de aumentar o cacife do candidato? Gostaria de ser vice de Dona Dilma, que maravilha viver.

Se perder vai para a “iniciativa privada”, (o BC no Brasil não é um órgão privado para servir a banqueiros, seguradoras, exportadores e importadores?) um ex-poderoso presidente do BC, deixando o cargo tem que examinar propostas de bancos aos montes.

Meirelles, vestido ou fantasiado de presidente do BC, é vergonhoso. Nuzinho como aparece na ótima entrevista, é indecente. E deveria vir com a chancela da televisão: “Não recomendado até 16 anos”. Só até 16 anos? E os quase 8 milhões de desempregados podem assistir o senhor Meirelles?

Tudo nele, (representativo do governo), é apenas para marquetismo fulgurante e retumbante. Mas inteiramente distanciado da verdade. (O Ministro Marco Aurélio de Mello, leu entrevista do constitucionalista Gomes Canotilho, mestre de Coimbra, dizendo “que o Supremo se mete em tudo e isso surpreende a Europa”. Economistas dos EUA e da União Européia, que conheceram Meirelles quando era do Banco de Boston, se “apavoram com a importância que exerce na economia brasileira”).

A entrevista do Presidente do BC, não é elucidativa, não é explicativa, nem ao menos é legível. Precisa ser traduzida, “no conteúdo e no continente”, (royalties para Helio Jaguaribe) porque na verdade é um orgasmo irrefletido e surpreendido, que Meirelles projeta e despeja em cima da coletividade.

(Como disse inicialmente que Meirelles vestido é vergonhoso, e nuzinho, (como na entrevista) é indecente, não dá para garantir o momento do orgasmo. Ele pode até ter ficado satisfeito, quem sofreu e não gozou, foi a parte esquecida da coletividade).

Dá para desmentir cada afirmação do senhor Meirelles. Ele fala irresponsavelmente do pânico que diz ter acontecido em “2002, quando Lula foi eleito e o Brasil mergulhou numa crise”. Se mergulhou na crise em 2002, então não saiu até hoje.

O que esperavam que Lula fizesse, a recuperação do nosso patrimônio, DOADO por FHC, não aconteceu. A crise e a insatisfação vieram daí. Aos que pretendiam que Lula mantivesse o domínio de BILIONÁRIOS grupos estrangeiros, preocupou. Mas só a banqueiros e outros apaniguados.

Meirelles, aliás, não se esqueceu de se dirigir a banqueiros, (que tomam dinheiro do BNDES a 4 por cento ao ano e emprestam a mais de 200 por cento), informando que o Banco do Brasil vai parar de concorrer com eles. A audiência do governo (“expressa” nas pesquisas que ninguém sabe onde e com quem são feitas), é garantida pela Bolsa Família e truques iguais.

Sem isso seria pior, quer dizer: esse é um paliativo que alimenta a pobreza e ao mesmo tempo sustenta a riqueza dos que ganham com todos os governos. Geralmente esses banqueiros perdem nas urnas, mas assumem a distribuição da produção, que é supervisionada pelos Meirelles que aparecem de todas as latitudes. Ou longitudes, para os pobres.

* * *

PS – O mundo tem hoje, 6 BILHÕES e 700 MILHÕES de habitantes. Uma quarta parte de pobres, A segunda, de miseráveis. A terceira, gente que não vive, não come, não estuda, não se transporta, não tem saúde, não mora, não participa, respira por aparelhos, que não matam a fome.

PS2 – E a outra quarta parte? Essa é composta inteiramente dos Meirelles da vida, que se contentam e sem conformam em serem coniventes, cúmplices, parceiros desse crime.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *