Melhor presente de Natal seria Bolsonaro entender o que é um Estado laico

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O presidente da República, ajoelhado diante do  bispo Macedo

Carlos Newton

Os analistas da mídia não falam muito sobre isso, ficam meio constrangidos, mas é preciso tocar no assunto. A maior grandeza do Brasil é a democracia racial, que propiciou uma miscigenação que não se vê em nenhum país do mundo com tamanha abrangência, porque aceitamos imigrantes de todos os continentes. Os Estados Unidos também procederam assim, mas sua miscigenação ocorre muito mais lentamente e com enormes diferenças. A principal dele foi que lá na matriz USA os colonizadores praticaram liquidaram os nativos.

Aqui na filial Brazil também houve matanças, mas acabou vigorando a prática de se amasiar com a população nativa e ocorreu uma mistura de raças colossal, que Martinho da Vila consagrou no samba-enredo “Quatro Séculos de Modas e Costumes”, em 1969: – Negros, brancos, índios/ Eis a miscigenação / Ditando a moda, fixando os costumes/ Os rituais e a tradição

ESTADO LAICO – Dessa salada amorosa, que inclui as mais diversas religiões, somente poderia resultar um Estado laico, que respeitasse as crenças de cada um. O católico Vinicius de Moraes, que estudou em Oxford, era um exemplo e gostava de consultar Mãe Menininha do Gantois. Quando ele estava no auge da fossa, com as mortes seguidas dos amigos mais velhos, entre eles Ary Barroso, Manuel Bandeira e Pixinguinha, a sábia Mãe Menininha disse-lhe apenas uma frase: “Olha para a frente, meu filho…”. E o poetinha seguiu adiante.

De repente, não mais que de repente, Vinicius se espantaria num Brasil que tem um presidente que se diz “enviado por Deus”, tenta impingir a hegemonia dos costumes das seitas evangélicas, embora não deixe de se dizer católico e se defina apenas como “cristão”.

Ao invés de seguir o conselho de olhar para a frente, estamos voltados ao espelho retrovisor, discutindo hábitos e costumes, enquanto a economia fica patinando, em prejuízo da imensa maioria dos brasileiros, inclusive ateus e agnósticos, que não creem em Deus ou acham que a existência Dele não pode ser provada.

LIBERDADE RELIGIOSA – Pessoalmente, sou religioso, aprecio as religiões em geral. Nasci católico, acho chatíssimas as celebrações, mas aqui no Rio recomendo as arrebatadoras missas de um dos poucos exorcistas brasileiros, padre Dom Giovane Ferreira, pároco da Igreja da Glória, no Largo do Machado.

Aceito todas as religiões, gostaria de ter conhecido Mãe Menininha; considero Sócrates um dos maiores líderes religiosos da Humanidade; gosto de estudar as vidas do avatares (Khrisna, Moisés, Lao-Tsé,  Buda, Confúcio, Jesus, Maomé etc.); aprecio muito as teorias espiritualistas, desde Sócrates a Alan Kardec; no momento estou encantado com a sabedoria budista, mas também respeito os pensamentos dos ateus e agnósticos, como o judeu Charles Chaplin e o luterano Friedrich Nietzsche.

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P.S. 1 – Acredito que o Estado laico signifique a verdadeira presença de Deus na Terra, pois ao mesmo tempo abre os braços a todos os habitantes, indistintamente, e isso significa um procedimento absolutamente divino.

P.S. 2 – Considero a liberdade religiosa um dos maiores bens da Humanidade, e lutaria até a morte, com todas as forças, para defender o Estado laico, um avanço democrático que os atuais governantes brasileiros insistem em tentar desconhecer, que Deus os perdoe…

15 thoughts on “Melhor presente de Natal seria Bolsonaro entender o que é um Estado laico

  1. Até Jesus Cristo pulou fora dessa coisa horrorosa, como tem sido praticada há mais de 2 mil anos, mas, enfim ainda tem muita gente que gosta, de ser enganada, e o que é de gosto regalo da vida. Liturgia do sistema político apodrecido, agradar gregos e troianos, à moda vale tudo pelo voto, cheirar todos os perfumes, beber em todas as taças e até jogar polo aquático no Rio Tietê, na Baia da Guanabara e afin$, moda essa que colocou até Jesus no lugar onde Ele nunca quis estar como deixou claro quando asseverou: ” A Cesar o que é de Cesar, a Deus o que é de Deus”, que, trocado em miúdos, quer dizer não me metam nessa encrenca, pelo amor de Deus. Lula e Bolsonaro, em verdade, são dois lídimos representantes da famigerada burguesia emergente, um oriundo de Garanhuns, PE, via SP, para o Brasil, e o outro oriundo de Eldorado (ex- Xiririca), SP, via RJ decadente, para o Brasil e o trono de presidente, via sindicalismo, via militarismo, pela direita e pela esquerda, para continuar tudo como dante$ no velho quartel de Abrante$.

    • A religião de cada um não importa, o que importa é conhecer a história de cada uma, e se realmente entendeu os seus fundamentos e se são verdadeiros, isto é, se são prováveis, sem se considerar os mistérios, a fé de cada um.
      Poucas resistirão aos embates do tempo e das provações.
      Em muitos casos fa nossa história, uma delas esteve sempre presente, inclusive nas navegações que nos deram a oportunidade de estatmos aqui no Brasil.
      Nao precisamos dizer quem é, mas foi Jesus Cristo que a fundou e disse que as forças do inferno não prevalecerão sobre ela, e la5se vão mais de 2019 anos.
      Um Feliz Natal para todos os seres humanos com as bênçãos do Nosso Salvador e a proteção de Nossa Senhora !

  2. Bom dia , leitores (as):

    Senhores Carlos Newton e Marcelo Copelli , acontece que o Presidente Jair Messias Bolsonaro tem uma grande ” Afinidade e Tara ” pelos transgressores das leis , pois sabe-se que a maioria da ” IGREJAS ENVAGÉLICAS ” devem mais de 460 milhões de reais á ” Previdência Social / FGTS aos seus funcionários e não querem pagar .

  3. O grande problema do nosso sistema presidencialista é que cada governante eleito leva o país, o estado, ou município para o rumo que ele bem entender e achar certo, rumos contrários do governante anterior, ou totalmente o inverso. O Brasil fica dependente da cabeça de quem assume a chefia do executivo.
    Então, um faz, o outro desfaz, mesmo as coisas certas, Um procura agradar os católicos para contar com o apoio, o outro os evangélicos. principalmente quando elegemos candidatos despreparados como Lula, Dilma e Bolsonaro.
    Nunca acaba bem a mistura de política com religião, são filosofias totalmente diferentes.
    É o nosso sistema que propicia o atraso do Brasil.

  4. Se Bolsonaro vai ser mais protetivo a Edir Macedo que todos seus antecessores eleitos desde 1989, é um caso a se ver. Todos eles contaram com apoio eleitor do líder da Universal, e retribuíram o favor em graus variados:
    “O chefe da Universal aliou-se a Fernando Collor de Mello, eleito em 1990, apoiou Fernando Henrique Cardoso e o próprio Lula, antes chamado de “demônio”. Nascimento anota que o próprio vice do petista, José Alencar, era filiado ao partido ligado à Universal.

    Macedo também manifestou apoio a Dilma Rousseff, mas embarcou no apoio ao impeachment, em 2016. Agora, dá sustentação a Jair Bolsonaro, a quem, inclusive, “abençoou” durante cerimônia em setembro no Templo de Salomão, em São Paulo, diante de 10 mil fiéis.”
    https://www.redebrasilatual.com.br/cultura/2019/12/gilberto-nascimento-edir-macedo-reino/

  5. As duas piores religiões e que até querem o estado para sempre são a socialista e a islamita do ISIS e do Boko Haran.

    As outras querem vantagens, como as empresas para serem contratadas pelos governos, já que no nosso modelo de estado, o socialista-fascista, o capitalismo de compadrio é o forte da nossa economia e da corrupção.

    • Com o governo corrupto da esquerda, com o PT, o Estado está todo aparelhado por crentes do socialismo. Daí a dificuldade de qualquer governante agora de gerir o país.
      Imprensa, Universidades, o STF, Congresso, sindicatos, Ongs, etc não querem perder a boquinha

  6. Não leve a mal, Newton, mas o artigo confundiu laicismo com sincretismo. O que foi dito no artigo acerca do Vinicius de Morais é sincretismo religioso, que é, dizendo de forma muito simples, juntar crenças de diferentes religiões. Laicismo ou secularismo é a crença que o Estado não deve ter religião oficial, ou seja, adotar uma religião em particular. Isso ao menos nos primórdios, porque está havendo uma tendência de se interpretar laicismo como exclusão de todas as religiões e de tudo que se relacionar à religião de espaços públicos. Os Estados Unidos sempre se conceberam como estado laico, mas isso até um passado não muito distante não impedia que se fizessem orações nas escolas públicas, até que o laicismo foi reinterpretado no sentido de se excluir o costume, de se restringir cada vez mais a presença de qualquer coisa religiosa em público. Atualmente, algumas empresas americanas chegam mesmo a evitar a palavra inglesa para Natal, “Christmas” (que etimologicamente significa missa de Cristo), preferindo usar “holiday” (feriado), pelo menos enquanto alguém não reclamar, já que “holiday” é uma aglutinação de “holy day” (dia santo).
    De qualquer forma, um Feliz Natal.

    • Uma correção:
      Os Estados Unidos sempre se conceberam como estado laico, mas isso até um passado não muito distante não impedia que se fizessem orações nas escolas públicas, até que o laicismo foi reinterpretado no sentido de se excluir o costume, a partir do que se iniciou uma tendência de se restringir cada vez mais a presença de qualquer coisa religiosa em público.

  7. Data vênia caro CN, você não se declara marxista, então não pode ser católico porque uma coisa exclui a outra, porém num ponto concordo totalmente com você, este boçal adora confundir religião com administração pública, coisas que raramente andam de mãos dadas.

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