Membros do Centrão admitem derrota de Bolsonaro no primeiro turno e a debandada já começou

Kassab

Gilberto Kassab (PSD) foi o primeiro a tirar o time de campo

Lauriberto Pompeu
Estadão

Aliado de Jair Bolsonaro no Congresso, o Centrão se dividiu para a disputa de 2022 e uma importante ala do bloco avalia que a chance de o presidente conquistar o segundo mandato está cada vez mais distante. 

O diagnóstico marca uma mudança significativa na avaliação de políticos próximos do Planalto. Até então, o palpite era de que Bolsonaro voltaria a ser competitivo novamente no ano que vem com crescimento econômico e com um novo Bolsa Família, agora batizado de Auxílio Brasil.

O QUE MUDOU? – Apoiadores do presidente também argumentavam que, com todo mundo vacinado, ninguém mais se lembraria do desastre na gestão da pandemia de covid-19. O que mudou? Com inflação, juros e desemprego em alta, a população sente os efeitos da deterioração econômica e do aumento do preço dos alimentos, do gás de cozinha, da conta de luz e da gasolina.

Não se trata de uma situação vista como passageira e, além de tudo, é agravada por uma nova onda da pandemia, crise hídrica e arroubos autoritários de Bolsonaro, que investe em ameaças à democracia e em conflitos institucionais.

Até mesmo nas bancadas de legendas com assento na Esplanada de Ministérios, como o Progressistas e o PL, há deputados que admitem agora muitos obstáculos na campanha de Bolsonaro para 2022.

GUEDES ATRAPALHA – Presidente do PL no Rio, o deputado Altineu Cortês, por exemplo, disse apoiar a reeleição do presidente, mas afirmou que o governo necessita com urgência fazer mudanças importantes na seara econômica. Bolsonarista de carteirinha, Cortês argumentou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, atrapalha o governo por não ter “sensibilidade social” e deve sair do cargo.

“Precisamos de um ministro que trate da responsabilidade fiscal, mas que tenha sensibilidade social. Essa sensibilidade social, hoje, infelizmente, o ministro Paulo Guedes tem na sola do pé”, criticou.

Cortês destacou não ter nada pessoal contra o ministro, mas disse considerar que ele inviabiliza politicamente o governo. O dirigente do PL avaliou que falta a Guedes “jogo de cintura” nos projetos de refinanciamento das dívidas de empresários e de auxílio financeiro a microempresas.

NÃO VALE A PENA – No Progressistas já há quem considere que não vale a pena ficar com Bolsonaro. É o caso do deputado Eduardo da Fonte (PE), ex-líder do partido, ligado ao ministro Ciro Nogueira e apoiador da pré-candidatura do ex-presidente Lula. Na Bahia, Estado comandado por Rui Costa (PT), o vice-governador João Leão (Progressistas) é outro nome que rechaça uma aliança com Bolsonaro.

Já o deputado Fausto Pinato (Progressistas-SP) afirmou que a única maneira de o chefe do Executivo ter viabilidade eleitoral em 2022 é contendo os arroubos autoritários. Para Pinato, Bolsonaro precisa ouvir o ministro da Casa Civil e os presidentes da Câmara e do Senado, além de cessar os ataques às instituições.

“Se Bolsonaro ouvir Ciro Nogueira, Arthur Lira e Pacheco,  tem chance de ser reeleito. Caso contrário, todo mundo vai usar todo mundo e, na hora H, vai ser um salve-se quem puder”, previu o deputado, ao alertar sobre a debandada do governo.

EXEMPLO CONCRETO – A PEC do voto impresso foi derrotada com ajuda de parte considerável de deputados do Centrão. O Progressistas liberou os deputados para que votassem como quisessem. Treze foram contra a medida defendida por Bolsonaro, 16 a favor e 11 se ausentaram. O PL foi além e orientou o voto contra a PEC, com a maioria dos deputados agindo para derrubar o texto.

Vice-líder do PL, o deputado Zé Vitor (MG), admitiu dificuldades no horizonte do presidente. “Não é um bom momento para ele”, afirmou. Mesmo assim, o parlamentar evitou dizer como avalia as chances de reeleição. “Estamos distante da eleição. Tudo pode acontecer”, desconversou. O deputado disse ser contra o apoio a Lula, mas não descartou avalizar um candidato alternativo ao petista e a Bolsonaro.

FLERTE COM LULA – O PL ocupa a Secretaria de Governo, comandada pela deputada licenciada Flávia Arruda (PL-DF). Uma ala do partido, porém, flerta com Lula ou procura alternativas. O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), por exemplo, já descartou apoio a Bolsonaro.

“O problema é a inflação alta, a gasolina a R$ 7, a energia subindo, a comida subindo, o gás de cozinha a mais R$ 100, os juros em dois dígitos no longo prazo, a inflação descontrolada, desemprego e fome. A situação dele é muito difícil, não dá tempo de reverter isso”, afirmou o vice-presidente da Câmara.

Um deputado, que já foi líder do PL e conversou com a reportagem sob a condição de anonimato, afirmou que hoje a maioria da bancada apoia o governo, mas não está descartado que o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, abandone Bolsonaro em 2022.

KASSAB ESTÁ FORA – O presidente do PSD, Gilberto Kassab, diz em público o que grande parte dos dirigentes de partidos reserva para o bastidor. “Tem uma chance grande de o presidente Bolsonaro não estar no segundo turno. A gestão está ruim e mal avaliada e uma série de fatores o atrapalham”, afirmou Kassab, considerado até por adversários como hábil analista de cenários políticos.

Ao fazer o inventário de problemas, Kassab citou “a conduta do presidente na pandemia, as coisas que estão sendo apontadas na CPI da Covid, a inflação chegando no preço do feijão e a vacinação que demorou para começar”.

O PSD tem em seus quadros o ministro das Comunicações, Fábio Faria, que está de saída do partido por causa das divergências da sigla comandada por Kassab com o governo. Faria vai para o Progressistas e Kassab faz articulações para filiar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ao PSD. A ideia é lançá-lo à Presidência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente análise, que cita os personagens e não se esconde sob declarações em off. O nome da crise é Bolsonaro. É ele que está provocando os próprios problemas, com seu radicalismo e sua inequívoca vocação ditatorial. Notem que a debandada começou a mais de um ano da eleição. Se houver união em termos de terceira via, poderemos nos livrar de Bolsonaro e Lula a um só tempo. Nada mal. (C.N.)

24 thoughts on “Membros do Centrão admitem derrota de Bolsonaro no primeiro turno e a debandada já começou

    • A dupla mais caótica, depois de Dilma e Luiz Inácio, é essa de Bolsonaro e Mouão.
      Mourão parece um adolescente com a máscara de um clube que faz tudo para ser popular. E não é por aí, porque o flamengo está muito mais do lado da elite do que do povo, e sempre foi assim, desde que perseguiu o Vasco porque esse tinha em seu time de futebol pessoas humildes, pobres e trabalhadores.
      Portanto, não será por aí que o general irá enganar os cariocas, cuja maioria está careca de saber da história, reconhecida até pelos rubro negros.
      Falei de um, e os outros três personagens são farinha do mesmo saco, pois vivem tentando enganar, mas esquecem que hoje quase todos sabem das suas histórias vergonhosas e macabras.
      Nenhum dos quatro tem mais chances de sucesso na vida pública, podem até se eleger, mas não tem moral para governar.
      Má sorte do Brasil de ter filhos dessa espécie que tudo fazem em causa própria e nada pelo interesse público.

  1. O povo tem que sempre ser lembrado que esse desgraçado causou a morte de muita gente:

    70 mil? E daí, porra – eu não sou coveiro!
    Sou Jair Messias, mas não faço milagre!
    É uma gripezinha, fiquem á vontade.

    E vão esperar pela eleição? Somos um povo ou filhos de cão?

    • É verdade, amigo, esse Bolsonaro só se compara a Luiz Inácio.
      O que diz que não é coveiro e o ex presidiário são a mesmíssima coisa.
      São pessoas arrogantes, sem freios na língua, desonestos, é tudo mais de ruim que pode haver em um homem público que não sabe o que é política.
      Política para os dois matutos metidos a malandros é se eleger para enricar, custe o que custar.
      Dois proxenetas que só enganam quem não está bem consigo mesmo.
      Homens sem fé em Deus.

  2. A coisa está ficando feia.

    Com capacidade reduzida, empresas de transporte de carga suspendem operações na hidrovia Tietê-Paraná

    Estiagem vem diminuindo gradativamente a profundidade do Rio Tietê, prejudicando a movimentação de cargas no porto intermodal de Pederneiras (SP); prefeitura confirma paralisação das operações nesta sexta-feira (27) por opção financeira das empresas.

    https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2021/08/26/com-capacidade-reduzida-empresas-de-transporte-de-carga-suspendem-operacoes-na-hidrovia-tiete-parana.ghtml

  3. Quero ver a cara de um senador do território de Roraima que na CPI faz papel de palhaço – e com muito estardalhaço. Pensa, talvez, que todos sejam tão lúcidos como ele para aceitar seus sofismas roceiros. Vou dar uma dica: tem cabelhos pintados de grisalho, mas ainda é um pouco moço.

  4. O correto seria tirar o Bolsonaro; para a esquerda colocar um substituto que se preocupe com o meio ambiente; e coloque o cassab para implantar um sistema de controle da “emissão”.

    PS: Acabei de fazer o licenciamento do meu veiculo; paguei 196,00. O ultimo que eu fiz antes do Bolsonaro (eliminar algumas tetas) custou 647,00. Sem contar a colaboração com a inspeção veicular do cassab

    https://www.brasil247.com/poder/kassab-e-reprovado-na-inspecao-veicular

  5. Não sou contra a democracia, nunca.
    Mas se diminuir pela metade o numero deputados, senadores e ministros do stf , com a metade da mordomia que desfrutam a revelia do povo ; seria uma grande economia até que seja extinta toda e qualquer mordomia.
    Outra excrecência é esse cartão corporativo para ex presidentes instituído pelo pt para dar mordomia incalculável para seus amigos .

  6. ” … Presidente verdadeiramente popular.”

    Há controvérsias.
    Mesmo que as pesquisas não sejam a realidade mencionada em termos de preferências eleitorais, razão pela qual suas margens de erros, Bolsonaro tem uma bela oposição por parte do eleitorado.

  7. Os que estão debandando do Centrão se fizerem uma mega passeata contra Bolsonaro vai ter tanta gente que abalar os portões do Inferno de Dante.
    A ânsia de alguns jornalistas em denegrir e atacar o presidente é de fazer enternecer o coração de um comandante de campo de concentração nazista e corar de vergonha as estátuas do profetas do Aleijadinho.
    Se o Baruch Spinoza ousasse aparecer em certas publicações seu auto de excomunhão seria mais ameno que a Ave Maria na hora do Ângelus.

    • Será que são cegos, não viram o mundaréu de motociclistas?
      Onde o cara vai forma logo uma multidão e o outro se sair na rua é vaiado.
      O pior cego é o surdo por conveniência.
      Vamos ao sete de setembro.

      • Na condição de que sou livre politicamente, ou seja, nenhuma tendência segui durante a minha vida – nada contra quem é partidário -, eis um dado curioso:

        De fato, Bolsonaro tem levado milhares de pessoas às ruas e em motos para acompanhá-lo.
        Portanto, se as pesquisas colocam Lula na frente, mas o maior e melhor termômetro – as ruas – o excluem dessa preferência, algo está errado.

        Ou estão forçando mesmo que Lula seja o adversário de Bolsonaro ou que o presidente leve como certa a sua vitória e relaxe depois na campanha à reeleição.

        Mas, que neste mato tem coelho, isso é verdade!

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