Mensalão tucano demonstra inoperância da Justiça ao processar corruptos

. Foto: Reprodução

Valério quis fazer delação, mas não conseguiu

José Marques
Folha

Quase uma década depois da denúncia sobre o mensalão tucano ser apresentada pela Procuradoria-Geral da República, mais um réu no caso – o quarto, dos 12 iniciais – não deve ser julgado. Ex-diretor de uma estatal mineira, Lauro Wilson de Lima Filho fez 70 anos em maio e pediu à Justiça para ser beneficiado pela prescrição. Acusado pelo crime de peculato (quando o funcionário público desvia recursos), seu processo estava na fase que antecedia o julgamento. A Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido.

Falta de sentença não é exceção no mensalão tucano. A única relativa ao episódio, considerado um “embrião” do mensalão petista, fez um ano e meio nesta sexta-feira (16). É a condenação de Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, a 20 anos e dez meses de prisão por peculato e lavagem de dinheiro.

DESVIO DE DINHEIRO – Segundo a PGR, ele liderava um esquema que desviou R$ 3,5 milhões (R$ 14 milhões em valores atualizados) de empresas públicas para irrigar sua fracassada campanha de reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998.

Azeredo recorre em liberdade e seu julgamento em segunda instância ainda não tem data marcada. Desde março, a ação contra ele aguarda para ser pautada pelo desembargador Adilson Lamounier.

Antes de Lauro Wilson, as ações contra Walfrido dos Mares Guia, ex-vice-governador de Minas, e Cláudio Mourão, coordenador financeiro da campanha de Azeredo, também prescreveram por causa da idade. Um terceiro réu, Fernando Moreira Soares, morreu em 2015.

PRAZO REDUZIDO – As prescrições aconteceram porque, aos 70, o prazo para que eles fossem julgados caiu pela metade, de 16 para oito anos –tempo maior que o ocorrido entre o fato (1998) e a denúncia (2007).

Atualmente, seis processos penais correm na Justiça de Minas Gerais sobre o caso. Um deles envolve os publicitários Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, condenados no mensalão petista e considerados os operadores dos dois esquemas.

O processo foi aceito pelo Supremo Tribunal Federal em 2009, mas desceu para a Justiça de Minas em 2014, após Azeredo e Clésio Andrade (PMDB) renunciarem respectivamente aos cargos de deputado federal e senador. No Estado, a ação foi dividida.

NEM FOI OUVIDO – Hoje, o processo de Clésio – que era sócio de Valério e candidato a vice-governador – é o mais atrasado de todos. Ele sequer foi ouvido porque entrou com recurso em que questionava a legitimidade de uma juíza para julgá-lo.

Outra ação, contra José Afonso Bicalho, que dirigia o extinto Bemge (banco estatal de Minas) em 98, passou a tramitar na segunda instância em 2015. Bicalho foi nomeado secretário da Fazenda de Fernando Pimentel (PT) e ganhou foro privilegiado.

Em 2018, ele completa 70 anos. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas, o processo está na fase de instrução. As outras ações, como a de Lauro Wilson, estão na fase das alegações finais, última vez que as partes se manifestam no processo. Wilson era um dos diretores da antiga Comig (atual Codemig, companhia de desenvolvimento do Estado) e liberou pagamentos de publicidade a um evento que foram usados, segundo a Procuradoria, na campanha do então governador.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mensalão tucano exibe a inoperância da Justiça no que se refere a processar corruptos. O grande otário é sempre Marcos Valério, que havia conseguido suspender a ação, mas o Ministério Público concluiu que o publicitário não tinha o que oferecer em delação premiada. Valério continua preso e não tem a menor ideia de quando será libertado. Deviam fazer uma estátua em sua homenagem. (C.N.)

6 thoughts on “Mensalão tucano demonstra inoperância da Justiça ao processar corruptos

  1. PSDB sempre foi protegido. São os comunistas protegidos pela Justiça, que o diga Gilmar Mendes, indicado pelo boca de caçapa, vulgo FHC. E ainda tem o Alexandre que vai superar o mestre (Gilmar). Ninguém fala da roubalheira de Furnas, ninguém fala da privataria. Devem estar com raiva porque os petralhas o superaram. Serra é inimputável, já deveria estar atrás das grades. Aécio jamais será preso. Tasso eu tenho jatinho comprou a Oi por um real e ainda deu um tombo de 60 bilhões. Este é o PSDB, que proporcionou o crescimento dos petralhas. E saiu das entranhas do PMDB. A turma do PMDB (Sarney, Renan, Padilha, Temer, Gedel, Angorá) não deixavam nada para os tucanos. Então fundaram um partido para tomarem a chave do cofre que foi o PSDB. Figueiredo tinha razão: a sociedade civil não tem condições morais para conduzir o país.

  2. Porque não querem ouvir Marcos Valério, ele sabe de muita coisa, o PSDB é sempre protegido pela justiça, espero que no caso de Aécio Neves a coisa mude, está muito estranho.
    O Marcos Valério até agora é o que foi mais punido, os outros estão bem, conseguiram prisão domiciliar e estão em casa.

  3. A decisão, relatada pelo desembargador Néviton Guedes ao conceder, por unanimidade, habeas corpus trancando a ação penal contra Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, pelo suposta participação em trambiques no Carf pode muito bem se aplicar às acusações contra Lula, por ter nomeado funcionários da empresa que se revelaram corruptos.
    https://goo.gl/AvcVAv

  4. Os veiculos de imprensa também não ajudam. Leia-se esta tribuna que vive a propagar que corruptos só existem no Partido dos Trabalhadores.

  5. Especialistas em ética jornalística denunciam problemas na cobertura da Lava Jato.

    A exemplo do que Sérgio Moro constatou sobre a operação Mãos Limpas, a imprensa brasileira também contribui para o avanço da operação Lava Jato.

    Alimenta boatos sem a devida checagem, promove vazamentos seletivos e “condena” os réus antes mesmo da sentença judicial…

    Em março de 2010, na sede da Fecomércio, a então diretora-superintendente da empresa Folha da Manhã S.A. – que edita o jornal Folha de S. Paulo –, Maria Judith de Brito, declarou: “Na situação atual, em que os partidos de oposição estão muito fracos, cabe a nós dos jornais exercer o papel dos partidos”

    A pesquisadora Sylvia Moretzsohn interpreta a declaração de março de 2010 como uma síntese dos desvios éticos cometidos pelos jornais brasileiros nos últimos anos. “Isso é realmente escandaloso, porque os jornais assumem através de sua porta-voz máxima que estão fazendo oposição”, afirma Moretzsohn. “Não estão fiscalizando os três poderes, como seria até desejável dentro do conceito de ‘quarto poder’, para impedir abusos, mas se colocam na luta política como um partido”, completa. “E fazer oposição é muito diferente de fazer crítica”.

    https://goo.gl/9UwRWj

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