Mercadante faz uma manobra arriscada e aposta na vitória de Dilma

Carlos Newton

Apressadamente, o Planalto divulga que o ministro Aluizio Mercadante, hoje na Educação, passará para a Chefia da Casa Civil na reforma que a presidente Dilma Rousseff anuncia para março de 2014, motivada pela desincompatibilização de vários ministros.

Isso sigifica que Mercadante está confiante na vitória de Dilma e não disputará eleição. Mas é uma aposta muito arriscada, que pode deixá-lo novamente fora do primeiro plano da política, porque a seis meses da convenção do PT que indicará o candidato à Presidência, ninguém sabe o que acontecerá.

Se a economia não estiver bem e Dilma cair nas pesquisas, ela será substituída por Lula, como já é hoje o desejo da maioria dos petistas. Nesta hipótese, Mercadante estará mal posicionado, porque Lula jamais o prestigiará.

ALTOS E BAIXOS  

Interessante notar que Mercadante sempre foi considerado o mais preparado dirigente petista. Em sua estreia na eleição de 1990, era vice-presidente do partido e foi o deputado federal mais votado do PT. Na Câmara, teve atuação destacada, fazia importantes discursos de improviso no Grande Expediente e participou de duas Comissões Parlamentares de Inquérito: a CPI do PC Farias e a CPI do Orçamento.

Mas na campanha de 1994, Mercadante cometeu seu primeiro grande erro – abriu mão de ser reeleito para a Câmara  e concorreu à vice-presidente da República na chapa de Lula. Em 1996, o segundo erro: foi candidato a vice-prefeito de São Paulo na chapa de Luiza Erundina, que perdeu para Celso Pitta.

Somente em 1998 Mercadante tomou juízo e voltou à Câmara como o terceiro deputado mais votado do país, com quase 242 mil votos. Em 2002, mais uma grande vitória. Disputou uma vaga no Senado e conseguiu a maior votação da História do País – 10,5 milhões de votos, recorde somente superado pelo tucano Aloysio Nunes Ferreira em 2010.

O TERCEIRO ERRO

Mas o maior erro de Mercadante foi confiar em Lula. Em 2002, achou que seria nomeado ministro da Fazenda e que acabaria se tornando uma espécie de Felipe Gonzáles (premier trabalhista espanhol) em versão paulista. Mas acontece que Lula jamais quis aceitar que alguma outra liderança despontasse no PT. Justamente por isso, adotou a estratégia de indicar postes e lutar para elegê-los, em detrimento das lideranças já consolidadas e que futuramente poderiam ameaçar sua hegemonia no partido.

Lula não o chamou para o Ministério, mas usou Mercadante para entronizar Henrique Meirelles no Banco Central e acalmar os banqueiros e o “mercado” em geral (num das fases em que ficou fora da política, Mercadante trabalhou com Meirelles no Banco de Boston). E mesmo com essa ajuda providencial de Mercadante, Lula o deixou no sereno, como simples líder do governo.

Quatro anos depois, em 2006, Mercadante foi candidato ao governo de São Paulo, Lula não se empenhou na campanha e ele perdeu para José Serra. Em janeiro de 2009, foi eleito líder do PT no Senado, mas logo em agosto anunciou que iria apresentar “renúncia irrevogável” ao cargo, por causa da decisão de seu partido de arquivar a abertura de investigação no Conselho de Ética contra o presidente da Senado, José Sarney. Lula imediatamente o chamou ao Alvorada, obrigou-o a ficar na liderança, e ele obedeceu, se desmoralizando publicamente.

Em 2010, concorreu como candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Lula novamente não fez campanha para ele, porque estava empenhado em eleger um poste presidencial chamado Dilma, e Mercadante foi derrotado no primeiro turno por Geraldo Alckmin.

PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO

Sem mandato, ganhou um prêmio de consolação: o inexpressivo Ministério da Ciência e Tecnologia do governo Dilma. Depois, em 2012, passou  para o Ministério da Educação, devido a saída do então ministro Fernando Haddad, para concorrer à Prefeitura de São Paulo. Agora, Mercadante vai para a Casa Civil.

Se Dilma disputar e ganhar, o máximo que acontecerá a ele é permanecer na Casa Civil. Mas se ela não disputar ou perder a eleição, a melhor opção de Mercadante será voltar a defender as cores do Banco de Boston, apadrinhado por Meirelles. O salário realmente é muito bom.

4 thoughts on “Mercadante faz uma manobra arriscada e aposta na vitória de Dilma

  1. Carlos Newton,

    teu artigo prova que Lula sempre colocou nas mãos de Mercadante fios de alta voltagem, sem qualquer revestimento.

    Lembro bem o episódio dos ALOPRADOS, no qual distintos e impolutos petistas
    foram presos em flagrante com muita grana: Valdebran Padilha portava US$ 109.800 mil e mais R$ 758 mil em dinheiro; Gedimar Passos portava US$ 139 mil e mais de R$ 400 mil em dinheiro. Ao todo, os dois portavam R$ 1,7 milhão, considerando o câmbio da época.

    Valdebran era rotulado de empresário, mas havia sido tesoureiro do PT em Mato Grosso em 2004. Gedimar, era ex-agente da Polícia Federal e se apresentava abertamente como advogado do PT. A midia noticiou que o dinheiro era destinado a comprar um dossiê envolvendo José Serra, ex-ministro da Saúde, no escândalo da Máfia dos Sanguessugas.

    Para manter a linha de atuação (linha essa denunciada por Tuma, o filho, em seu livro) o dossiê era falso; mas seria vendido pelos empresários Darci Vedoin e seu filho, Luiz Antônio Vedoin, titulares da empresa Planam, pivô do escândalo das sanguessugas.

    A mídia divulgou que na patota de petistas presos (em flagrante, é bom frisar) estavam pessoas integrantes da campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, adversário direto de José Serra na disputa pelo governo de São Paulo, e também pessoas muito próximas ao presidente Lula, que, paternalmente e tentando minimizar a gravidade da situação, os denominou de “aloprados”.

    Pelos sequência de fatos ocorridos somos obrigados a desconfiar que Lula seja o Grande Irmão do Mercadante.

  2. Lula e o PT, já não se preocupam com 2014. Estão selecionando o time para ser escalado em 2018. Gleise Hoffmann, Padilha, Mercadante, serão escalados, mas não se sabe ainda em que posição irão jogar. São favas contadas.

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