Mercado de tabalho, admissões e demissões

Pedro do Coutto

Os jornais de quarta-feira publicaram declarações do ministro Carlos Lupi sobre a reação evidenciada no mercado de trabalho com base na criação de 437,9 mil vagas no primeiro semestre do ano, das quais 138,4 mil no mês de julho. O salário médio, segundo Lupi, subiu 1,49%, atingindo 764 reais. É preciso esclarecer alguns pontos. Em primeiro lugar, confrontar o número das admissões com o das demissões sem justa causa. São muito altas.

Para se ter uma idéia exata, com base no relatório da Caixa Econômica, publicado no Diário Oficial de 27 de abri8l deste ano, relativo a 2008, houve no país 16 milhões e 500 mil demissões que causaram saques no FGTS da ordem de 26,4 bilhões de reais. Portanto a média mensal das dispensas situou-se em torno de 26,4 bilhões de reais. Portanto a média mensal das dispensas situou-se em torno de 1 milhão e 300 mil. É só fazer as contas.

Portanto para que em julho o saldo das contratações tenha sido de 138,4 mil é indispensável que tenham somado, em seu conjunto, 1 milhão e 438 mil, em números redondos, já que a média de demissões é de 1 milhão e 300 mil por mês.

Este resultado não ocorreu só em 2008, claro. È uma tendência estatística constante que talvez tenha crescido mais velozmente no segundo semestre do ano passado.

O ministro Carlos Lupi referiu-se ao resultado positivo do primeiro semestre com a recuperação de 437,9 mil postos de trabalho. Mas este número não confere com os publicados pela Caixa Econômica no relatório relativo ao primeiro semestre deste ano, página 35 do D.O. de 18 de agosto de 2009. Lá está a informação de que a receita do FGTS alcançou 27,1 bilhões de reais, mas os saques atingiram 25,3 bilhões. A receita subiu, se comparada com

a do ano anterior, porém os desembolsos também. Assim, os 437,9 mil postos novos de emprego apontados pela estatística do Ministério do Trabalho não produziram um reflexo proporcional no mesmo sentido nos saldos do Fundo de Garantia. Basta conferir e cotejar. No exercício de 2008, a receita global do FGTS elevou-se a 48,7 bilhões. Os saques somaram 42,6 bilhões de reais. Houve um saldo de 6,1 bilhões. O panorama não mudou, proporcionalmente.

Mas as comparações, em termos de mercado de emprego, não terminam ainda aí. Carlos Lupi disse que o crescimento dos postos este ano fez com que o total de empregos formais (com carteira assinada)n chegassem a 32,4 milhões, representando um resgate de 0,43% em relação presume-se a igual período do ano passado. É pouco. Pois a taxa demográfica brasileira é de 1,2% a/a.

Nascem no Brasil aproximadamente 2 milhões de pessoas no espaço de doze meses. Dessa forma, o universo do trabalho, para não registrar perda relativa, tem de crescer também 1,2% a/a. Para empatar. Se aumentar menos que 1,2%, estaremos perdendo espaços do presente para o futuro. E, com isso, agravando as tensões sociais com reflexos no campo das atividades ilegais. Na realidade, o mercado de trabalho brasileiro tem que avançar mais de 1,2%. Isso porque 1,2 significa o empate. E, no caso, o empate nos desclassifica. O país tem de vencer a luta contra o atraso refletido nas condições sociais adversas.

Finalmente uma outra comparação. O avanço de 1,49% na média dos salários não é suficiente. Mesmo se for referente ao primeiro semestre. A previsão inflacionária do IBGE é de 4,5 pontos. Portanto para que não houvesse retrocesso nos seis primeiros meses do ano, era indispensável uma evolução de, no mínimo, 2,25%. Mais do que 1,49.

Em matéria de números é preciso atenção com eles.

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