Metodologia no explica diferena de resultados

Pedro do Coutto

Numa excelente matria, acompanhada de primorosa edio grfica, Folha de So Paulo de 26 de abril, o jornalista Fernando Rodrigues exps nitidamente as diferenas das pesquisas realizadas pelo Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus a respeito da sucesso presidencial e as diferenas numricas que apresentaram. Os dados do Datafolha coincidem com os do Ibope, h uma proximidade acentuada entra o Vox Populi e o Sensus. Todos apontam Jos Serra na frente.

Para o Datafolha, 38 a 28 pontos. Para o Ibope, 36 a 29, de acordo com o Vox Populi, 34 a 31. Finalmente, segundo o Sensus, em nmeros redondos, 33 a 32. As direes dos quatro institutos acentuaram a hiptese de uma diferena de metodologia para interpretar as divergncias. Nada disso. Uns esto certos e outros errados. Equvocos podem constituir a explicao. Diferena de metodologia no. Alguns leitores do site Tribuna da Imprensa, o nvel de acesso muito elevado, a julgar pelas observaes a mim dirigidas em torno do artigo que publiquei sobre a posio da Rede Globo e resultados de pesquisas, me atriburam (na opinio de uns em favor de Serra, sob o prisma de outros por Dilma Roussef). Enganaram-se.

Apenas analisei os resultados e achei, pelo clima atual, que as pesquisas do Datafolha e do Ibope refletiam melhor a realidade. Alguns fatos levam a isso e tm origem na disposio da opinio pblica em face da sucesso.

Por exemplo, o voto feminino. O Datafolha e o Ibope concluram que existe um equilbrio efetivo entre Serra e Dilma entre os homens e uma vantagem muito grande de Serra junto s mulheres. Estaro certos? Creio que sim. Pois, caso contrrio, a prpria candidata do PT no anunciaria mudana em sua comunicao com o eleitorado feminino. Hoje, refletindo a populao (so 51% de mulheres para 49% de homens), o total de eleitoras est pouco acima do de leitores. A poca dos levantamentos foi a mesma. No ocorreu nenhum fato de choque capaz de, em poucos dias, influir nas intenes de voto mais recentes. Mas eu afirmava que diferena metodolgica no pode explicar divergncias de resultados. No pode. Isso porque, em sntese, todas as pesquisas se baseiam na diviso scioeconmica dos votantes. Que acompanha sempre a formao cultural e o nvel de instruo do povo.

O potencial da pesquisa portanto o mesmo. Logo, falta de convergncia resultado de erro. Involuntrio ou induzido, no importa, o que sustento que no possvel que uma empresa aponte uma diferena de 10 pontos e outra encontre a diferena de 1. Casos do Datafolha e do Sensus. Mtodos diversos no explicam. Nem Freud, Marx ou Einstein poderiam traduzir o impasse de forma convincente. Em face da predominncia da lei dos grandes nmeros. A disposio coletiva, que alis sensvel nas ruas, est contida nessa lei eterna.

Eu me lembro, a propsito, de 82, quando o Ibope apontava vitria de Brizola e a Proconsult a de Moreira Franco. Estvamos no Jornal do Brasil, eu e Paulo Henrique Amorim. Inesperadamente, o diretor de computao do JB, Tadeu Lanes, me chamou e disse que eu, ao prever a vitria de Brizola, me baseava no mtodo do Ibope, mas o sistema da Proconsult era diferente.

Respondi que isso no fazia diferena, j que se tratava de uma projeo lgica, a que eu fazia, inclusive com base no fato de que 10% dos votos j haviam sido computados. Nenhum mtodo seria capaz de mudar a tendncia expressa na votao. Paulo Henrique Amorim sustentou minha posio.

Os fatos confirmaram a nossa certeza.

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