“Meu foguete some queimando espaço”, dizia Gismonti, em seu sonho genial

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Egberto Gismonti e seu violão de dez cordas

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O produtor musical, arranjador, instrumentista e compositor Egberto Amin Gismonti, natural de Carmo (RJ), na letra de “O Sonho”, viajou pelas maravilhas existentes no espaço até acordar para a realidade. A música foi gravada por Elis Regina no LP Elis – Como e Porque, em 1969, pela Philips.

O SONHO

Egberto Gismonti


Sinto que ora salto
Meu foguete some
Queimando espaço
Tudo vejo e abraço
A vaidade
Estou morando em pleno céu
Namorando o azul
Ando no espaço rouco
Meu foguete some
Deixando traços
Entre estrelas vejo
A liberdade
Fotografo todo céu
E revelo paz
Busco cores e imagens
Faltam pássaros e flores
Coração na mão
Corpo solto estou
Entre estrelas
Vou deitar neste luar
Indo de encontro ao riso
Do quarto minguante
E o sol queimando
A pele branca
Despertando, vejo a cama e meu amor
Acordado estou
Choro, choro, choro….

6 thoughts on ““Meu foguete some queimando espaço”, dizia Gismonti, em seu sonho genial

  1. Essa genial criação da música popular (além de muitas outras) foi produzida e publicada durante a a “terrível” censura da ditabranda.

    É um caso a pensar… Mas os gigolôs da ditadura preferem manter sua narrativa mesmo depois de 50 anos…

  2. Como se dizia antigamente: Egberto Gismonti é muito bom, fora de série !

    1) Dica educativa: https://bikeaospedacos.com.br/2019/03/30/em-portugal-andar-de-bicicleta-fara-parte-do-curriculo-escolar/

    2) Como dizia o poeta Vinicius de Moraes:

    Balada das meninas de bicicleta
    Rio de Janeiro , 1946
    Meninas de bicicleta
    Que fagueiras pedalais
    Quero ser vosso poeta!
    Ó transitórias estátuas
    Esfuziantes de azul
    Louras com peles mulatas
    Princesas da zona sul:
    As vossas jovens figuras
    Retesadas nos selins
    Me prendem, com serem puras
    Em redondilhas afins.
    Que lindas são vossas quilhas
    Quando as praias abordais!
    E as nervosas panturrilhas
    Na rotação dos pedais:
    Que douradas maravilhas!
    Bicicletai, meninada
    Aos ventos do Arpoador
    Solta a flâmula agitada
    Das cabeleiras em flor
    Uma correndo à gandaia
    Outra com jeito de séria
    Mostrando as pernas sem saia
    Feitas da mesma matéria.
    Permanecei! vós que sois
    O que o mundo não tem mais
    Juventude de maiôs
    Sobre máquinas da paz
    Enxames de namoradas
    Ao sol de Copacabana
    Centauresas transpiradas
    Que o leque do mar abana!
    A vós o canto que inflama
    Os meus trint’anos, meninas
    Velozes massas em chama
    Explodindo em vitaminas.
    Bem haja a vossa saúde
    À humanidade inquieta
    Vós cuja ardente virtude
    Preservais muito amiúde
    Com um selim de bicicleta
    Vós que levais tantas raças
    Nos corpos firmes e crus:
    Meninas, soltai as alças
    Bicicletai seios nus!
    No vosso rastro persiste
    O mesmo eterno poeta
    Um poeta – essa coisa triste
    Escravizada à beleza
    Que em vosso rastro persiste,
    Levando a sua tristeza
    No quadro da bicicleta.

    3) Viva Nossa Senhora da Bicicletinha (existe sim, a Igreja fica na Itália).

  3. Dá licença Egberto Gismonti, Um abraço e minhas homenagens ao Pe Fábio que aniversaria hoje.

    3 de abril – Aniversário do Padre Fábio
    Fabrício Carpinejar

    Fábio de Melo é um gigante menino. Tem barba para parecer adulto – mas é um poeta, não se engane. Suas palavras saem com calma, como se fossem desenhadas. Você confia naquilo que ele diz porque ele confia. Os olhos oferecem a escada das sobrancelhas, o corrimão curvo para apoio. Ninguém cai em seu olhar fixo e fundo.

    Ele brinca como uma criança. Faz rir como uma criança. Diz coisas improváveis como uma criança. É espontâneo como uma criança. É alegre e triste como só uma criança sabe ser. É esperançoso como uma criança. Canta com a pureza de uma criança. Mas não é uma criança sozinha, é, simultaneamente, dentro do mesmo homem, a criança e o seu pai. É também responsável como um pai, dedicado como um pai, confidente como um pai, compreensivo como pai.

    Fábio de Melo são duas pessoas andando juntas, de mãos dadas: o menino e o pai, a imaginação e o cuidado, o sonho e o zelo, a liberdade e a devoção. Complementares, convergentes.

    Antes de ser padre, é um amigo. Nunca se coloca acima de ninguém. Posiciona-se na mesma altura, até se inclina para ficar menor. Repare o quanto ele baixa a cabeça para ouvir melhor. Dá o ouvido além do rosto.

    É capaz de se machucar com as nossas dores e cicatrizar, o tempo que for necessário, na nossa pele. É capaz de entrar em nossa alegria e encontrar uma gargalhada mais sincera do que a nossa.

    Hoje ele está comemorando aniversário. O menino corajoso e o pai de todos.

  4. E eu sonho com o trem de Egberto. Sabe para mineiro, qualquer palavra é substituida por “trem.” É trem bom este sonho

    O Trenzinho do Caipira
    Egberto Gismonti

    Lá vai o trem com o menino
    Lá vai a vida a rodar
    Lá vai ciranda e destino
    Cidade e noite a girar
    Lá vai o trem sem destino
    Pro dia novo encontrar
    Correndo vai pela terra
    Vai pela serra
    Vai pelo mar
    Cantando pela serra o luar
    Correndo entre as estrelas a voar
    No ar, no ar…

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