Minas era diferente

Aparecido, um mineiro inesquecível

Sebastião Nery

Minas não esquece. Minas é boa de lembranças. Livro de mineiro está sempre relembrando. O passado é o adubo da alma. Como em Guimarães Rosa e Pedro Nava. Ou em Drummond. Mais um belo livro de mineiro contando historias de Minas. O jornalista e poeta (luminoso poeta) Petrônio Souza Gonçalves (“Quem soltou a borboleta azul na tarde triste?”) pagou uma divida de Minas. Lançou “José Aparecido de Oliveira – O Melhor Mineiro do Mundo”

50% do texto é do Petrônio. Texto leve, livre, solto. Cada frase um fato. Bem editado, bem ilustrado, rico em fotos e testemunhos. Os outros 50% são depoimentos de jornalistas e escritores mineiros sobre Aparecido:

Benito Barreto: -“O Homem e o Amigo”.

José Bento Teixeira de Salles”: “Assim Era Ele”.

Orlando Vaz: – “Articulador Político e Talento Admirável”.

José Augusto Ribeiro: “Dois Raros Momentos da Dupla Jânio-Aparecido”.

Gervásio Horta: ’Poucas e Boas”.

Mauro Werkema: “José de Todos os Amigos”.

Aristóteles Drummond: “O Zé Carioca”.

Guy de Almeida: “Aparecido no DF”.

Angelo Oswaldo: “O Compromisso Cultural de José Aparecido”.

Wilson Figueiredo: – “A Arte de Negociar Divergências”.

Paulo Casé: “Manifesto AAZA”.

Oscar Niemeyer: “JAO”.

Ziraldo: “As Aventuras de José Aparecido”.

Mauro Santayana: “Conversações na Rua Caraça”.

Alberto Pinto Coelho: “Demiurgo das Utopias Realizáveis”.

Silvestre Gorgulho: “Lições e Segredos de Um Mestre”.

E eu: “12 Historias de José Aparecido”.

Por ultimo, o José Maria Rabelo, porque algumas lembranças dele me deixaram a alma dolorida. Em 1950/60 nós éramos jornalistas e ativistas políticos vendo a pátria, o povo, o futuro. Nossos heróis, mesmo quando deles divergíamos, não nos envergonhavam. Hoje, a Operação Lava Jato mostrou uma elite política que afunda no dinheiro, na corrupção.

O José Dirceu, tão preparado e tão guloso,é um desperdício nacional.

JOSÉ MARIA

1.- “A Praça Sete era naqueles tempos, por volta de 1950, o coração político de Belo Horizonte, onde nós, estudantes idealistas, passávamos horas do dia discutindo os problemas daqui e do resto do mundo”.

– “Ao lado de Hélio Pellegrino, Palmius Paixão Carneiro, Fernando Correia Dias, Bernardino Machado de Lima, Wilson Vidigal e outros insensatos salvadores da pátria, todos pertencentes ao antigo Partido Socialista Brasileiro, eu participava ativamente das discussões na praça, não poupando munição contra os adversários: de um lado os integralistas, de outro os comunistas stalinistas. Nós tínhamos a chama da verdade, o socialismo democrático, com a qual iríamos incendiar o planeta”.

– “Um dia, eu estava lá, fazendo minha pregação e distribuindo impropérios à direita e à esquerda. Foi quando um grupo de integralistas se aproximou, com alguns deles passando a insultar-me e ameaçar-me de agressão. Aí surgiu meu futuro amigo, e usando um porrete, que não sei de onde tirara,avançou sobre os provocadores,forçando-os a fugir praça afora”

– “O Zé Aparecido me explicou por que tomara aquela atitude quixotesca, que poderia ter tido outras consequências. Primeiro, porque nunca admitira a ideologia integralista, herdeira do fascismo, de gente como aquela, fanática e totalitária. Segundo, pela iminência de um ato de covardia, diante de seus olhos, com um bando de provocadores lançando-se contra uma pessoa sozinha, unicamente por divergir deles”.

– “A partir daquele episódio, nasceu entre nós uma grande amizade, que se manteria inabalável por mais de meio século, apesar das contingências de tão extensa travessia. Mais tarde, ele foi morar em nossa república, que ficava numa velha casa. Parece-me que hoje tombada pelo patrimônio histórico da capital mineira, no cruzamento das ruas Aimorés e Maranhão, Bairro dos Funcionários. Ali, eu e o Euro Arantes vivíamos e redigimos os primeiros números de nosso jornal “Binômio”.

PETROLÃO

– “Todos levávamos uma vida muito apertada, estudando e ganhando algum dinheiro como jornalistas principiantes. Lembro-me que o Zé Aparecido possuía apenas dois trajes, ou, como se dizia, duas mudas de roupa. Um deles era um terno jaquetão preto, que o acompanhou por longo e longo tempo. De tal forma o jaquetão preto se identificou com o portador, que muita gente achava que ele fazia questão de usar por esquisitice”.

– Nesse tempo, graças a suas relações com a UDN, conseguiu uma cópia do famoso inquérito do Banco do Brasil, revelando uma grossa negociata no governo do presidente Eurico Gaspar Dutra. Entre os denunciados, apareciam importantíssimas figuras da República”.

Corrupção sempre houve. Mas o petrolão e o PT são incomparáveis.

5 thoughts on “Minas era diferente

  1. No Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona, a CASA AGOSTINHO DA SILVA crê importante, por todas as razões históricas, fazer uma saudação ao “avó” e ao “pai” da CPLP, em respectivo: Agostinho da Silva e José Aparecido de Oliveira.
    Será sempre inevitável recorrer a estas duas personalidades evidentemente lusófonas, no sentido mesmo desta palavra significar o que tinham a ela determinado: fraternidade ecumênica que contribua para a maior humanização do resto do mundo.

    É mister afirmar que foram eles, em suas áreas de atuações de expressão muito humanista, que avivaram relações diplomáticas, sobretudo, as estabelecidas entre os povos africanos, as que resultam de afinidades entre nós e, afirmaram, como consideravam indispensável e da maior relevância, o fortalecimento da CPLP — uma organização internacional única, concebida na unidade linguística e, por extensão, nas interinfluências culturais.

    Enquanto Agostinho da Silva foi, como bem faz lembrar o Embaixador Jerónimo Moscardo, “quem traçou todo o programa da nossa política para África e Ásia” desde a fundação do CEAO, na Ufa dos anos de 1950, e durante o curto período do governo do Presidente Jânio Quadros; Aparecido, sob inspiração agostiniana, foi o grande obreiro da constituição da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, pois a ele se deve, quando Ministro da Cultura do Governo Sarney, a organização de Encontro de Chefes de Estado de todos os países de língua portuguesa (ainda sem Timor) no qual foi aprovado, em São Luís do Maranhão, em 1989, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) que antecedeu a CPLP. José Aparecido foi o grande institucionalizador, em 1996, da CPLP quando era Embaixador em Lisboa e o Mário Soares era Presidente da República.

    Portanto, façamos valer no Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona a convicção do professor Agostinho da Silva e do ex-Embaixador José Aparecido de Oliveira de que o Brasil, após a consciência e o reconhecimento de suas raízes africanas, seria o motor da afirmação do mundo de língua portuguesa, sobretudo, em uma nova reconstrução civilizacional.

  2. O Nery deve lembrar acho que ele ainda não tinha saido do PDT. Em uma troca de palavras pelos jornais entre 1982 e 1985 , José Aparecido disse que Brizola era como um tipo de passarinho que sujava (seria cagava) em todos lugares que passava. Brizola retrucou dizendo que Aparecido era um “Fuchê”, giria que aprendera no Uruguai (talvez fuxiqueiro). Depois de algum tempo Brizola já em fim de carreira foi apoiado por Aparecido, Hélio Fernandes e outros quando tentou o senado e não ganhou. Coisas da política.

  3. Sr nervoso, Dr. Ulisses (no país das maravilhas ) era um homem honesto, mas não tinha visão de produção. Deixou uma constituição péssima para as pequenas empresas. O resultado aí está; milhares de jovens fazendo concurso, pouquíssimos abrindo empresas.

  4. Livro: “José Aparecido de Oliveira – O Melhor Mineiro do Mundo”
    Autor: Sebastião Nery.
    Solicito a gentileza de informar onde posso adquirir o título acima.
    Grato pela atenção, Luiz Otavio.

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