Ministério da Saúde enfim demite o diretor indicado pelo Centrão, acusado de cobrar propina

Diretor de Logística em Saúde do Ministério da Saúde Foto: Anderson Riedel/PR

Roberto Dias demorou até ser demitido do Ministério

Paula Ferreira
O Globo

O Ministério da Saúde exonerou Roberto Dias do cargo de diretor do Departamento de Logística da pasta. De acordo com o ministério, a decisão foi tomada na manhã desta terça para ser publicada na edição de quarta-feira do Diário Oficial da União. A medida ocorre após virem à tona denúncias de suspeita de irregularidade no contrato para a compra da vacina indiana Covaxin e depois a declaração de um empresário ao jornal “Folha de S. Paulo” de que Dias teria pedido propina para facilitar contratos de vacina com o Ministério da Saúde.

Em entrevista ao GLOBO, o servidor Luis Ricardo Miranda afirmou que Dias foi uma das autoridades que o pressionou para acelerar a compra da vacina Covaxin. Segundo ele, Dias teria insistido pelo envio de documentação incompleta à Anvisa. Segundo ele, o mesmo não aconteceu em processo de outra vacinas negociadas pela pasta.

INDICAÇÃO DO LÍDER – Dias foi indicado para o cargo de diretor do Departamento de Logística ainda em 2019 pelo atual líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR). Barros também é alvo de denúncias na CPI da Covid-19 no Senado por envolvimento nas supostas irregularidades do contrato da Covaxin.

Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde decidiu suspender o contrato para aquisição de 20 milhões de doses da vacina celebrado com a farmacêutica Precisa. A decisão teria sido uma orientação da Controladoria-Geral da União.

Nesta terça-feira, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma entrevista com o empresário Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresentou como representante da Davati Medical Supply, para negociar a venda de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca com o Ministério da Saúde.

OFERTA DE PROPINA – Em entrevista à Folha, Pereira afirma ter recebido o pedido de Roberto Dias de “acrescentar” US$ 1 por dose por fora para o ministério como condição para o negócio. A CPI quer ouvi-lo na próxima sexta-feira, dia 2, segundo o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM).

O material denunciando um suposto pedido de propina foi entregue na segunda-feira à  CPI da Covid. Ainda de acordo com o relatado à Folha, o denunciante teria oferecido 400 milhões de doses ao governo brasileiro em 25 de fevereiro.

À época, a Fiocruz já havia fechado acordo para produzir 12 milhões de doses de AstraZeneca. O governo brasileiro também já havia comprado 46 milhões de doses de Coronavac do Instituto Butantan. Em 18 de março, iria fechar a compra de 100 milhões de doses da Pfizer e 38 milhões da Janssen.

CONVERSAS DE WHATSAPP – Segundo o senador Alessandro Vieira (Rede-SE), a denúncia chegou à CPI da Covid nesta segunda-feira. A comissão recebeu conversas de WhatsApp sobre a negociação em torno da vacina. Vieira apresentou um requerimento para convocar Dominguetti à CPI, que deve ser votado nesta quarta-feira, segundo ele.

— Já apresentei o pedido de convocação urgente (do denunciante).

Segundo Vieira, porém, o material enviado à CPI não comprova que houve um pedido de propina. São conversas via WhatsApp mostrando que houve a oferta de vacinas que não foi adiante.

LÍDER NEGA INDICAÇÃO – Barros disse, em nota, que não indicou Dias. “Em relação à matéria da Folha de São Paulo, reitero que a nomeação de Roberto Ferreira Dias no Ministério da Saúde ocorreu no início da atual gestão presidencial, em 2019, quando eu não estava alinhado ao governo. Repito a informação que já disse à imprensa: não é minha indicação. Desconheço totalmente a denúncia da Davati.”

Procurado, Roberto Ferreira Dias não respondeu ao contato da reportagem. E O Globo reafirmou que Ferreira Dias é indicado do Centrão, com a atuação do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

5 thoughts on “Ministério da Saúde enfim demite o diretor indicado pelo Centrão, acusado de cobrar propina

  1. Ultimamente, o brasileiro que não tem chances e garantias para roubar, vem sendo acometido de uma outra pandemia: Harpaxofobia – medo de ser roubado ou assaltado!

  2. Fico feliz em ver o Surrealismo brasileiro revivido, única obra que presta no governo Bozo.

    Paranoia em Astrakan

    Eu vi uma linda cidade cujo nome esqueci
    onde anjos surdos percorrem as madrugadas tingindo
    seus olhos com lágrimas invulneráveis
    onde as crianças católicas oferecem limões para
    pequenos paquidermes que saem escondidos das tocas
    onde adolescentes maravilhosos fecham seus cérebros
    para os telhados estéreis e incendeiam internatos
    onde manifestos nihilistas distribuindo pensamentos
    furiosos puxam a descarga sobre o mundo
    onde um anjo de fogo ilumina os cemitérios em
    festa e a noite caminha no seu hálito…

    Roberto Piva (1937-2010)

  3. Agiu certo o governo do Presidente Bolsonaro. Com base em pedido da CGU, a mesma CGU que apontou dúvidas no contrato da Covaxin, afastou o servidor para aprofundar as investigações. Fosse nos governos da bandidocracia tucano-petista, este tipo de coisa sequer viria à tona.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *