Ministério da Saúde identifica que 1º caso de coronavírus no Brasil ocorreu no fim de janeiro

Mandetta demonstrou desconhecer registro de caso 

André de Souza, Renata Mariz, Leandro Prazeres e Gustavo Maia
O Globo

O Brasil registrou o primeiro caso de Covid-19 no fim de janeiro. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira, dia 2, pelo Ministério da Saúde, houve uma hospitalização em razão da doença na quarta semana do ano. Até então, o primeiro caso do novo coronavírus no Brasil, que já matou 299 pessoas, tinha sido confirmado no fim de fevereiro.

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Wanderson de Oliveira, o caso é de 23 de janeiro e foi importado, ou seja, contraído em outro país. De acordo com ele, no caso da epidemia de zika, em 2015 e 2016, ocorreu a mesma coisa, ou seja, investigação retroativa descobriu casos mais antigos do que os eram conhecidos inicialmente “Não tem dúvida de que é caso confirmado”, disse Wanderson.

INVESTIGAÇÃO – O Ministério da Saúde explicou que está fazendo uma investigação retroativa de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Nesse processo, foi encontrado um caso de janeiro. Desde o começo do ano, houve 23.999 hospitalizações por SRAG.

Delas, houve confirmação de covid-19 em 1.587, ou 6,6% do total. Fora o caso de janeiro, todos os demais são a partir da oitava semana, ou seja, já no fim de fevereiro. Nessa semana, houve uma hospitalização.

Depois disso, os números subiram. Na semana seguinte, foram quatro internações. Na décima, 42. Na décima primeira, 355 hospitalizações. Na décima segunda, 710. Na décima terceira, 433. E na décima quarta, que é a semana atual, já são 41. Os números podem mudar, porque nem todos os casos foram investigados.

MAIS CASOS – Quando consideradas apenas as hospitalizações por SRAG em que foi confirmada a presença de um vírus respiratório, a Covid-19 responde por mais da metade dos casos nas últimas três semanas. Em outras palavras, houve mais casos graves relacionados ao novo coronavírus do que com os outros vírus, como o H1N1, o H3N2 e o influenza B, que causam a gripe.

O estado de São Paulo, o mais afetado pela epidemia, concentra 82,5% das hospitalizações por covid-19. Quando considerado todo o universo de internações por SRAG, o estado responde por 48,4% do total. O segundo estado com mais hospitalizações em razão do novo coronavírus é o Rio de Janeiro, com 4,4%.

DESCONHECIMENTO – No início da apresentação do Ministério da Saúde, após a entrevista coletiva, Mandetta foi questionado pelo O Globo sobre a descoberta de que o primeiro caso ocorreu em janeiro, e não em fevereiro. Diante da pergunta, feita fora do microfone, o ministro demonstrou desconhecer a informação, sinalizando negativamente com a cabeça.

Sentado do seu lado, o secretário de vigilância em saúde da pasta, Wanderson Oliveira, interveio e disse que falaria do caso durante sua apresentação, surpreendendo Mandetta. Na saída da apresentação, Oliveira foi abordado pela reportagem, que insistiu no questionamento. O secretário se limitou a responder: “Estamos investigando”.

7 thoughts on “Ministério da Saúde identifica que 1º caso de coronavírus no Brasil ocorreu no fim de janeiro

  1. Esse caso supostamente identificado em 23 de janeiro, em decorrência de síndrome respiratória aguda grave em paciente, pode não se confirmar.
    Isso porque se o vírus é altamente transmissível (com até 10 para cada), muitos outros casos deveriam ser demonstrados.
    Ou seja, depende de mais embasamento científico. Até porque poderia ser por outra (H1N1, Sars, Mers que poderia ser adquirido no estrangeiro)

  2. Todos nós, algum dia vamos morrer de alguma doença. Isso é óbvio, mas nada haver com uma pandemia provocado por um vírus facilmente transmissível e espalha-se e mata rápido. Se não tomarmos as devidas providências, pode em curto prazo tirar a vida de milhões de pessoas.

  3. Hoje a mídia registra que “o Brasil, com população 20 vezes maior que Portugal e 12 vezes maior que a Holanda, descobriu o primeiro caso do coronavírus antes que os dois países e tem, em números totais, menos casos. São 7,9 mil aqui, com 212 milhões de habitantes, 9 mil em Portugal e 14 mil na Holanda.” (CH)

    Penso que esse é um indicador que temos um ministro da Saúde operando de modo eficiente no governo de Bolsonaro.

    • Infelizmente nenhuma autoridade estava – até porque ainda contavam com o clima dos trópicos como defesa (que se provou equivocada).
      Mas não esqueça que a autoridade maior nos aeroportos (a ANAC) do Governo da União pouco se importou.

      Aliás, por falar em Governo da União, onde ele está?
      – até agora o Presidente esteve mais ocupado como Chefe do Executivo Federal. Na verdade, praticamente sempre foi assim. Eles se esquecem de suas responsabilidades no Estado da União.

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