Ministério Público investiga possibilidade de suborno no caso Portuguesa


O promotor do Consumidor, Roberto Senise Lisboa, afirmou em São Paulo que solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) extratos de “mais de uma dúzia” de pessoas que poderiam estar envolvidas no caso que culminou com a escalação irregular do meia Héverton, da Portuguesa, na partida de 8 de dezembro, contra o Grêmio, no Canindé. Por conta da infração, a Portuguesa perdeu quatro pontos em julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e acabou rebaixada para a Série B da competição em 2014.

O COAF deverá enviar à promotoria extratos com movimentações acima de R$ 100 mil dos investigados. O promotor disse que não pode, neste momento, divulgar os nomes de quem terá o sigilo bancário quebrado. De acordo com o promotor, já é possível dizer que há movimentações acima do limite de R$ 100 mil entre os envolvidos no período em questão.

“Estamos fazendo uma investigação cível para saber se houve tráfico de influência (suborno) para que o jogador Héverton fosse escalado ou ainda permanecesse no banco de reservas. Também investigamos se houve patrocínio infiel, ou seja, um advogado atuando em um caso de interesses conflitantes”, disse o promotor.

Segundo ele, a promotoria entrou nesta sexta-feira com um recurso de agravo de instrumento por conta da negativa do pedido de liminar que buscava anular as decisões do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que puniu Flamengo e Portuguesa com a perda de quatro pontos no Brasileiro do ano passado, por terem entrado em campo com jogadores irregulares, ainda que as publicações não tivessem sido públicas na data dos jogos. O pedido foi negado pelo juiz da 43ª Vara Cível de São Paulo, Fábio Coimbra Junqueira.

De acordo com Senise, houve omissão em nove questões colocadas na petição inicial. “A ação prosseguirá e na próxima semana deverá ser avaliada novamente. Para o Ministério Público, é evidente que o parágrafo 35 do Código de Defesa do Estatuto do Torcedor não foi levado em conta.

O código prevê que as decisões proferidas pelos órgãos da Justiça Desportiva devem ser, em qualquer hipótese, motivadas e ter a mesma publicidade que as decisões dos tribunais federas. As entidades de que trata o caput farão publicar na internet, em sítio da entidade responsável pela organização do evento (no caso, a CBF). Senise lembra também lembra que houve prejuízo aos torcedores e ao clube por conta dessa não observância.

Caso Banif

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) está investigando há cerca de um mês a relação do Banco Interamericano do Funchal (Banif), ex-patrocinador de camisa da Portuguesa, com ex-dirigentes do clube.

De acordo com o promotor, quando o ex-presidente da Portuguesa, Manuel da Lupa, assumiu o clube pela primeira vez, em 2005, a Lusa passava por fortes dificuldades financeiras, com dívidas trabalhistas e falta de capital de giro.

A partir de então, o presidente e o vice-presidente, Roberto Cordeiro, passaram a receber empréstimos em suas contas de pessoa física e repassavam esse dinheiro para o clube. O esquema teria durado mais de oito anos, envolvendo também Luís Iaúca, que teve participação na gestão a partir de 2008.

Operações semelhantes eram feitas pelo banco com outras empresas e há fortes indícios de ilícitos financeiros, o que será investigado pelo Gaeco. No início do ano passado, o banco entrou na Justiça para executar uma dívida de R$ 42,8 milhões contraída por Da Lupa. O ex-presidente sempre negou que tomou empréstimos em seu nome para administrar a Portuguesa.

(Matéria enviada pelo comentarista Paulo Peres)

5 thoughts on “Ministério Público investiga possibilidade de suborno no caso Portuguesa

  1. Esqueci de comentar que, talvez por estar envolvido com subornos e outros crimes, o pseudo presidente do Vasco da Gama, o famoso deputado gazeteiro e caloteiro Roberto Dinamite, não quis denunciar a CBF para a FIFA, sobre o que, vergonhosamente, aconteceu no jogo Vasco X Atlético PR.

  2. E a COPA DO NORDESTE segue firme como a competição com a melhor média de público dentre todas as competições de futebol do primeiro semestre pelo segundo ano consecutivo. E olha que poderia ter sido ainda melhor, caso o BAHIA que é um clube de massa não tivesse sido eliminado precocemente, o VITÓRIA eliminado nas quartas de final, o SANTA CRUZ tivesse mandado seus jogos na primeira fase no arruda etc… Mas o fato é que as semi-finais estão ocorrendo com SANTA X SPORT e CEARÁ X AMÉRICA-RN. Promessa de muita emoção e estádios cheios nesta reta final e a TV ESPORTE INTERATIVO e ESPORTE INTERATIVO NORDESTE ganhando a preferência do torcedor nordestino. Que o diga a SKY que perdeu milhares de assinantes pra OI, CLARO entre outras operadoras.

  3. Realmente Darcy e só um tapado para não ver que quem subornou a Lusa foi o Flamengo que não sabia (leia-se: não tinha conhecimento do regulamento, o que não o redime, pois o direito não socorre quem dorme) que o seu jogador não poderia jogar (embora o jornal lance tenha noticiado na véspera da partida)…………espero que as investigações cheguem às últimas consequências, doa a quem doer!

  4. Estratégia da Portuguesa é acionar Justiça comum perto do início da Série B, com intuito de adiá-la

    Terça-feira, 18/03/2014 – 12:43

    A demora para a Portuguesa acionar a Justiça, pleiteando a reversão da decisão do STJD que rebaixou o clube, é estratégica, diz a diretoria do time. O plano é abrir o processo às vésperas do início do Brasileiro para conseguir uma liminar favorável ao seu pedido sem que a CBF tenha tempo de reverter a decisão judicial. Com a sentença em mãos, a Lusa acha que conseguirá adiar o início do Nacional, programado para 20 de abril.

    Sem pressa. A diretoria da Portuguesa acredita que, se entrar na Justiça agora, a pouco mais de um mês para o início do Brasileiro, é possível que a CBF consiga reverter a liminar e o campeonato transcorra normalmente. O advogado que vai defender a Lusa ainda não foi definido.

    Fonte: Painel FC – Folha de São Paulo

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