Ministra da AGU esqueceu de dar ao Supremo informações sobre Moreira Franco

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Grace Mendonça, da AGU, continua muito esquecida

Mario Cesar Carvalho
Folha

A Advocacia-Geral da União omitiu das informações enviadas ao Supremo Tribunal Federal que o ministro Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) foi denunciado pelo uso indevido de dinheiro público na compra de passagens aéreas quando era deputado. A acusação sobre as passagens foi apresentada em outubro do ano passado para o próprio Supremo. A corte ainda não decidiu se aceita ou não a denúncia, que acusa Moreira de peculato.

Ele foi um dos 440 deputados acusados pelo caso que ficou conhecido como “a farra das passagens” – entre 2007 e 2009, parlamentares teriam usado irregularmente passagens pagas pela Câmara. Moreira Franco nega as acusações.

O ministro Celso de Mello pediu as informações para julgar um pedido da Rede para afastar Moreira de sua pasta sob a alegação de que ele foi nomeado para o cargo de ministro para ser blindado nas investigações da Lava Jato.

NA MIRA DO MORO – Moreira Franco, citado 34 vezes na delação de um executivo da Odebrecht, não tinha status de ministro e poderia ser julgado por Sergio Moro, juiz que cuida da operação na primeira instância, considerado mais duro e mais rápido do que o Supremo.

Nos esclarecimentos ao Surpemo, a AGU diz que Moreira Franco não é investigado. “Não há qualquer investigação em curso contra o ministro”, afirma um dos trechos. Noutro, os advogados da AGU escrevem que o ministro “não é sequer investigado em qualquer inquérito ou procedimento”.

Com a nomeação, julgada legal por Celso de Mello na última terça-feira (dia 14), Moreira Franco só poderá ser investigado pelo Supremo.

A VISÃO DA AGU – Questionada pela Folha, a AGU disse que os esclarecimentos ao Supremo se restringiram aos documentos que estavam no pedido de afastamento feita pela Rede Sustentabilidade, relativos à delação do executivo Claudio Melo Filho, a Odebrecht.

“É inadmissível que a AGU, um órgão de Estado, esconda informações que poderiam ser decisivas no julgamento da nomeação de Moreira Franco”, diz Eloísa Machado, professora do curso de direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

Ela considera correta a decisão de Celso de Mello de que não havia impedimento algum para Moreira Franco assumir o ministério, já que ele não é réu em nenhum processo nem foi condenado. Mas, segundo a professora, o resultado poderia ser diferente se não tivesse havido a omissão da AGU: “A decisão foi correta, mas as informações omitidas pela AGU poderiam alterar o entendimento do ministro”.

AGU SE DEFENDE – A assessoria de imprensa da AGU diz que não houve omissão de dados nas informações enviadas ao Supremo Tribunal Federal a pedido do ministro Celso de Mello.

“A AGU leva em consideração os documentos presentes nos autos do mandado de segurança, os quais não fazem qualquer comprovação quanto à existência de investigações de caráter penal em relação ao ministro”, afirma texto da AGU enviado para a reportagem.

A AGU diz que a nomeação de Moreira Franco não tem semelhança com a indicação de Lula para a chefia da Casa Civil. Para o órgão, Moreira Franco já fazia parte do governo como secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, o que não ocorreu com Lula.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A verdade precisa ser dita. Não houve má fé da AGU. A ministra Grace Mendonça, que assinou a defesa redigida por Temer, apenas “esqueceu” de acrescentar a folha corrida de Moreira Franco, que já foi condenado na Justiça do Rio por improbidade administrativa, em sentença transitada em julgado. Antes ela já havia esquecido de copiar os processos da Lava Jato e depois esqueceu que há 19 anos era filiada ao PSDB. (C.N.)

19 thoughts on “Ministra da AGU esqueceu de dar ao Supremo informações sobre Moreira Franco

  1. Caro Newton, mentir para Juiz, creio, que seja crime, ao omitir as acusações já na área da justiça, e nada acontecer, só confirma: os poderes estão podres. (parece-me que nos EUA, recebe pulseiras, lá não há privilégios, todos são iguais perante a Lei, cometeu “crime” responde de imediato), é verdade!?!?, creio que o Dr. Beja, poderia fazer um artigo à respeito.

  2. E se ela tivesse comunicado o fato, teria o Celso de Mello mudado o julgamento? Quem acredita que ele seria contrário aos interesses do Temer? Nem a Velhinha de Taubaté!

  3. Esse esquecimento até que não foi dos piores e mais graves. Imperdoável, mesmo, e trocar Moreira Franco por Moreira Alves. Francamente, no Enem daria reprovação. Em qualquer concurso público, para qualquer cargo, mormente ao da magistratura, é reprovação na certa.
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    E por onde anda o nosso Virgílio Tamberlini? Nos artigos de ontem, nenhum comentário. Nos de hoje, idem. Será que viajou para o exterior?

  4. Creio que é conveniente lembrar que as falcatruas do Angorá vêm de longe. Ao cabo do seu “governo” no RJ, em 1990, ele mandou publicar o livro “Ele governou para todos”, em papel couche, policromia e “ricamente” ilustrado por fotos pessoais, e pago com recursos do cofre estadual. Na época, o então deputado estadual Luiz Henrique Lima entro com uma ação no Judiciário para que o RJ fosse ressarcido do custo da edição do livro. Após alguns anos, Moreira foi condenado e teve de ressarcir o RJ em R$ 400 mil.

  5. STF confirma condenação de Moreira Franco

    Agência Folha 27/04/98 19h54
    De Brasília

    O STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou nesta segunda decisão da Justiça Estadual do Rio de Janeiro condenando o deputado Moreira Franco (PMDB-RJ) a ressarcir R$ 400 mil ao Estado por lesão ao erário público. O parlamentar foi acusado de utilizar a imprensa oficial do Estado, em 1990, para imprimir o livro “Moreira Franco -Ele governou para todos”. Na época, Moreira era governador do Rio.

    A Constituição proíbe o uso, na publicidade oficial, de nomes, símbolos e imagens que impliquem a promoção pessoal de autoridade ou servidor público. Moreira Franco foi condenado a ressarcir os cofres públicos do Estado, em ação popular ajuizada por um deputado estadual da oposição.

    A condenação na primeira instância judicial foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Rio. O ex-governador ajuizou então recurso no STF.

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