Ministro da CGU afirma que há corrupção no ‘tratoraço’ e no ‘orçamento secreto’

CPI da Pandemia ouve Wagner Rosário, da CGU, sobre suposta corrupção na  Saúde | CNN Brasil

Ministro desmente Bolsonaro e confirma as investigações

Breno Pires e Felipe Frazão
Estadão

O ministro Wagner Rosário, da Controladoria-Geral da União (CGU), afirmou que a sua pasta e a Polícia Federal investigam um esquema de venda de emendas parlamentares, em que deputados e senadores destinariam dinheiro público do Orçamento a prefeituras em troca de um porcentual.

Em audiência na Câmara, ele também disse “não ter dúvida” de que há corrupção na compra de tratores pelo governo via orçamento secreto, caso revelado pelo Estadão e que ficou conhecido como “tratoraço”.

PARCERIA DO PF – “Sobre vendas de emendas, estamos investigando vários casos porque já fazemos esse trabalho em convênios em geral. Porque não é só trator, tem várias outras coisas acontecendo fruto de convênios no Brasil em diversos outros órgãos e estamos com trabalho bastante forte nisso, em parceria com a PF, e todos nós vamos ficar sabendo no dia da deflagração de operação e também no desencadeamento dos trabalhos”, afirmou aos deputados.

O Estadão apurou que uma das suspeitas dos investigadores é de que parlamentares cobram de 10% a 20% sobre o valor da emenda em troca da indicação de recursos para uma determinada prefeitura.

O valor seria pago por empreiteiras interessadas nas obras que o dinheiro vai bancar ou pelos próprios agentes públicos.

FORA DOS REDUTOS – As investigações cercam, sobretudo, emendas enviadas por deputados ou senadores para cidades fora do seus redutos eleitorais, até em outros Estados. O Estadão mostrou em maio que R$ 181 milhões foram destinadas desta maneira. “Não temos dúvidas de que vai existir corrupção na ponta, agora o nosso trabalho tem que ser bastante cauteloso”, disse o ministro.

Durante a audiência com o chefe da CGU, o deputado Jorge Solla (PT-BA) afirmou que a prática é conhecida no Congresso. “Nós temos recebido muitas denúncias de vendas de supostas emendas de relator, com pagamento antecipado de comissão em dinheiro. Chegamos a uma situação em que o volume de dinheiro é tão grande, que, para além de atender aos interesses da base do governo em votações, está se transformando em um mercado persa”, afirmou.

HÁ INVESTIGAÇÕES – Em resposta, Rosário antecipou que as investigações estão avançadas. “Em relação a irregularidades já estamos chegando a algumas e, em breve, será de conhecimento de todos, estamos com as equipes atuando em conjunto sempre com a PF e o MP.”

Chamado de “tratoraço” por envolver a compra de tratores, o esquema do orçamento secreto tem ajudado o presidente Jair Bolsonaro a manter uma base fiel no Congresso e escapar de processos de impeachment. Bilhões de reais foram distribuídos para um grupo de deputados e senadores que determinaram o que fazer com o dinheiro sem qualquer critério técnico ou transparência.

Rosário disse aos deputados ter enviado à PF e à Procuradoria-Geral da República relatório que identificou R$ 142 milhões de sobrepreço em licitações e convênios do Ministério do Desenvolvimento Regional.

REPORTAGEM – A auditoria da CGU foi instaurada após o Estadão revelar que o governo Bolsonaro criou o mecanismo de “toma lá, dá cá” para aumentar sua base de apoio no Congresso. “Sobre a denúncia do Estadão, realmente, foi ela que deu início ao processo. E aqui até falaram, agradecer, claro, a gente sempre agradece toda reportagem ou ação da sociedade civil, que esse é o papel da imprensa de denunciar casos”, afirmou o ministro.

Além das suspeitas envolvendo as emendas de relator, outra modalidade de distribuição de recursos do Orçamento será alvo das investigações, a chamada transferência especial. Trata-se de uma espécie de “emenda cheque em branco”, pela qual deputados e senadores podem transferir recursos, desta vez de suas emendas individuais, sem que os beneficiários justifiquem ou apresentem qualquer tipo de projeto para mostrar em que, afinal, o valor será aplicado. Como revelou o Estadão, neste ano, 393 parlamentares utilizaram esse formato para enviar R$ 1,916 bilhão a Estados e municípios, incluindo prefeituras comandadas por familiares dos congressistas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O ministro da CGU desmente Bolsonaro, que vive proclamando ter acabado com a corrupção. Os parlamentares são criativos e estão sempre inventando novas formas de ganhar proibidas. O orçamento secreto era jogada ideal, porque tudo o que não vem a público pode ser usado criminosamente. Mas a festa parece que está acabando ou vai rolar só nos bastidores, sem essa espetaculosidade despudorada. (C.N.)

7 thoughts on “Ministro da CGU afirma que há corrupção no ‘tratoraço’ e no ‘orçamento secreto’

  1. O pior é que se o prefeito não aceitar, o parlamentar usa a recusa como se ele (o prefeito) não quisesse o bem de seu município e o prefeito não vai poder, pelo menos oficialmente, declarar a realidade sob pena de falsidade ideológica.

    • Este cara é um gênio!!!.
      Só por ser secreto, o tal Orçamento já é um crime. E tal. Como fica a lei da transparência Pública? Não vale nada. Neste país de bananas, todas as leis, regras e normas são puro engodo, são cumpridas apenas em detrimento do cidadão comum. Aguardem, em pouco tempo, veremos que este desgoverno foi o mais corrupto de todos os tempos.

  2. By the way, o que resultou daquela viagem do “diplomanta” Ernesto Araujo e Flavio Bolsonaro a Israel para verificar a eficácia de um spray para evitar a covid? Mandaram dois ignorantes no assunto e mais alguns “seguranças”?
    Gastamos nossos recursos para nada. No entanto o Jumento vetou recursos para assistir as mocinhas no cuidado higiênico mensal.
    Estamos sendo roubados por um farsante e seus cumpinchas fardados.
    Direto para o nosso cofre, volver!

  3. Mais um que quer aparecer. A obrigação dele é investigar. E se encontrar prova (real, documental, palpável) apresentar a justiça.
    Esse papo de há indícios, vamos investigar é papo furado. Não produz efeito exceto publicidade para ele próprio.

  4. O ministro esta certo, teve corrupção sim! Os valores foram repassados a parlamentares de direita , esquerda e centro (contra e a favor ao governo). Se investigar a fundo, vai achar o dinheiro com os parlamentares de esquerda e contra o governo. E mais, o orçamento “secreto” nunca foi secreto!

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