Ministro da Justiça confirma que somente serão investigados os crimes dos militares. Para o governo, a luta armada não cometeu crime algum, não matou nem mutilou nenhum inocente.

Carlos Newton

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deixou bem clara a posição do governo sobre a criação da Comissão da Verdade e mandou um recado direto aos militares que ainda resistem à aprovação do projeto criando esse grupo, enviado ao Congresso em maio de 2010 pelo então presidente Lula.

Questionado sobre a posição do Comando do Exército, que manifestou posição contrária à criação da Comissão da Verdade, com apoio da Marinha e da Aeronáutica, o ministro foi incisivo: “Quem quiser resistir à busca da verdade, o fará nos termos da exposição democrática. A sociedade brasileira hoje quer a verdade. Se alguém é contra, que se expresse. Vamos apoiar esse projeto”.

José Eduardo Cardozo considera que esclarecer os fatos que ocorreram durante a ditadura é um compromisso histórico do governo. “Temos que resgatar essa memória e assumir os erros do Estado no passado, para que isso não mais aconteça”.

Nenhuma palavra do ministro sobre os efeitos negativos da luta armada. Isso significa que o governo está realmente fechado em torno da blindagem dos crimes cometidos pelos guerrilheiros e terroristas que lutaram contra a ditadura, inclusive matando e mutilando pessoas inocentes, que nada tinham a ver com o regime militar.

É público e notório que houve excessos dos dois lados, mas o governo Dilma Rousseff quer buscar a verdade exclusivamente no tocante aos crimes cometidos em nome do Estado. É uma decisão injusta e antidemocrática.

Todos os crimes devem ser investigados, independentemente de quem os tenha cometido. Criminosos não têm coloração política. Podem ser verde oliva, vermelhos, verdes ou amarelos. No fundo, são apenas criminosos.

Se não investigar todos os crimes, este país estará buscando apenas a meia verdade, ou a “menas verdade”, como gostava de dizer Lula, nos velhos tempos de liderança sindical, quando nem sonhava com a Presidência da República.

Não dá entender a posição do governo. Os crimes da luta armada são muito poucos, em relação aos cometidos pelos militares, até porque os guerrilheiros não prendiam ninguém, salvo em caso de sequestro. Mas é importante que o país conheça TODA A VERDADE sobre aqueles anos de chumbo. Ou não? – como sempre pergunta Caetano Veloso, que não acredita em verdades absolutas e questiona tudo. Inclusive suas próprias verdades.

Caetano, como se sabe, foi uma das vítimas da ditadura e teve de se exilar em Londres. É autor da belíssima canção de protesto “Podres Poderes”, que se adapta não somente ao regime militar, mas também ao regime de agora, no caso do sectarismo que se procura imprimir à tal Comissão da Verdade.

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