Ministro do Planejamento não quer reajustar civis e militares nem em 2019

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Charge do Nef (Jornal de Brasília)

Pedro do Coutto        

Numa entrevista a Edna Simão e Fábio Graner, edição de ontem do Valor, o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, revelou sua intenção de propor ao Presidente Michel Temer adiar mais uma vez o reajuste dos funcionários civis e militares previsto para 2019. A iniciativa, como sempre, baseia-se na redução de custos e aplicação do resultado no programa de investimentos.

O titular do Planejamento sustenta que esse novo adiamento produz uma economia de 8,2 bilhões de reais. Tal volume não representa praticamente nada em relação ao montante que o governo paga aos bancos e ao mercado em geral pela rolagem dos títulos públicos que lastreiam a dívida interna do país. A dívida líquida como O Estado de São Paulo publicou na edição de 1º de maio atinge 3,4 trilhões de reais. Tal montante recebe a incidência da taxa Selic, mantida em 6,5%a/a.

DÍVIDAS DA UNIÃO – A matéria de O Estado de São Paulo foi produzida por Eduardo Rodrigues e Idiana Tonazelli. O texto separa a dívida líquida da dívida interna bruta. Esta ultrapassa a casa de 4 trilhões de reais. Mas esta é outra questão.

O problema essencial é que no Brasil quando se fala em reduzir gastos, o projeto recai sempre na área dos assalariados. O ministro do Planejamento por exemplo, poderia prestar uma colaboração mais efetiva ao Palácio do Planalto se primeiro revelasse o montante das dívidas das empresas e em seguida a forma que pretende usar para cobrá-las.

REFINANCIAMENTO – Vejam o que aconteceu com o refinanciamento das dívidas empresariais  votado pelo Congresso e sancionado pelo Presidente da República.

A redução das  dívidas aumentou e os prazos de pagamento foram alargados. Por qual motivo  o Presidente da República não vetou o dispositivo? Enquanto a correção dos débitos é ampliada, uma vez que nos prazos estabelecidos é menor do que a inflação, por seu turno os salários do funcionalismo civil e militar perdem também a corrida contra os índices inflacionários. O funcionalismo não foi reajustado em 2017, e não será também em 2018. Com isso os vencimentos são reduzidos em seu poder de compra.

Claro: a inflação em 2016 bateu 4,5%, em 17 3%. Só aí verifica-se claramente a predominância de uma política de diminuição salarial. Isso porque para se diminuir a receita de alguém, basta que ela não seja reajustada pela inflação do IBGE.

A partir de hoje estarei de férias. Retorno ao site ao longo do mês de junho.

3 thoughts on “Ministro do Planejamento não quer reajustar civis e militares nem em 2019

  1. Sr Pedro do Coutto, sua postagem foi uma pintura. Mostra o quão desesperadamente este país precisa de gestores sérios. Isso retrata em close o grau de promiscuidade que perdura entre os políticos e grandes empresários e banqueiros. Um país cresce com o aumento do poder aquisitivo da população em geral, que aquece o mercado e juntamente com impostos justos e uma legislação moderna e virtuosa, retira os entraves de quem só deseja o lucro. A finalidade dos impostos é a de DEVOLVER a população que paga, bons serviços e garantia de direitos. Jamais dividir o dinheiro entre políticos, empresas e bancos, amigos.

  2. Antigamente, o dinheiro público dava para ser roubado e ainda sobrava para algum reajuste.
    Como a situação apertou, parece que em 2019 ele só será suficiente para ser roubado!

    Sabe como é: Uma questão de prioridade…

  3. Não ter reajuste em 2019 ainda é um grande negócio pros servidores; na grécia foram necessários vários cortes para o pais começar a se organizar. Não existe mágica, se o governo gastar demais, tem que cortar despesas, que inclui salários dos servidores, ou cria dívida e inflação.

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