Ministro Jaques Wagner reconhece que PT “aparelhou” o Supremo

Wagner faz distinção entre os ministros nomeados pelo PT e os outros

Carlos Newton

O comentarista Wilson Baptista Jr., sempre atento, nos envia uma surpreendente e estarrecedora declaração do ministro da Defesa, Jaques Wagner, que reclamou da repercussão da chamada PEC da Bengala, a emenda constitucional que aumenta para 75 anos a idade limite para exercer cargo público, cuja aprovação na Câmara vem sendo considerada como mais uma derrota do governo.

Reportagem de O Globo, assinada por Catarina Alencastro, Luiza Damé e Juliana Castro, transcreve a seguinte afirmação do ministro Wagner:

“Acho uma bobagem aqueles que estão falando que tirou dela a possibilidade de indicar cinco ministros porque os cinco que sairiam sem a PEC da Bengala, três foram indicação dela ou do presidente Lula. Dois deles, os ministros Marco Aurélio e o Celso de Mello, são tipicamente ministros que não têm um carimbo de padrinhos políticos, são ministros que trabalham pelo seu saber jurídico. Então, não acho que isso tem a ver com o Executivo.”

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA

Ao nos enviar a matéria, Wilson Baptista Jr. fez a seguinte indagação: “Quando o Jaques Wagner diz que ‘três foram indicação dela ou do presidente Lula. Dois deles, os ministros Marco Aurélio e o Celso de Mello, são tipicamente ministros que não têm um carimbo de padrinhos políticos, são ministros que trabalham pelo seu saber jurídico’, o que você acha que ele está dizendo sobre o trabalho do Toffoli?”

A observação do comentarista é perfeita, por ser público e notório que Dias Toffoli jamais teve notório saber jurídico e nem mesmo reputação ilibada, pois estava respondendo a processos. A meu ver, porém, a declaração do ministro da Defesa é ainda mais grave, por considerar que entre os cinco ministros do Supremo perto de se aposentar, apenas Celso de Mello e Marco Aurélio Mello não têm “carimbo de padrinhos políticos” e “trabalham pelo seu saber jurídico”.

Ou seja, Wagner entende que os outros três (Ricardo Lewandowski, Rosa Weber e Teori Zavascki), que foram indicados e nomeados pelos governos petistas, têm carimbo de padrinhos políticos e não trabalham pelo seu saber jurídico.

“APARELHAMENTO”

Sem a menor dúvida, o ministro da Defesa simplesmente reconheceu o “aparelhamento” do Supremo Tribunal Federal pelo PT, algo que, na História deste país, só tinha acontecido antes nos governos militares ditatoriais.

Quanto a Toffoli e Lewandowski, os dois não têm jeito mesmo, estão pouco ligando. Mas será que Rosa Weber e Teori Zavascki também vão manchar suas biografias, comportando-se como áulicos do Planalto, como Jaques Wagner diz que se deve esperar? Tenho minhas dúvidas.

8 thoughts on “Ministro Jaques Wagner reconhece que PT “aparelhou” o Supremo

  1. …ratificando outrora postado, sou assíduo leitor da TI; entanto, continuo a indagar-me até que ponto alguns comentaristas têm bagagem para postar assuntos da espécie…são também de ilibada conduta e notório saber jurídico?…estão a caminho do STF? VÔTE!

  2. Newton, a indicação dos Ministros do STF não é de responsabilidade exclusiva do Presidente da República, depende, também, da aprovação da maioria absoluta do Senado Federal. Creio que seria interessante uma emenda constitucional que estendesse ao STF a forma de composição do TCU: nove membros, com 3 escolhidos pela Câmara, 3 pelo Senado e 3 pelo Presidente da República sendo que, desses três, somente um é indicado exclusivamente pelo Presidente da República, os outros dois saem de uma lista tríplice formada ou por membros do Ministério Público junto ao TCU concursados ou por Auditores Ministros Substitutos do TCU também concursados indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antigüidade e merecimento, dos quais o Presidente da República escolhe um, embora este último nomeie todos os Ministros do TCU. Claro, que, no caso, teria que se adaptar essa sistemática de escolha à quantidade de 11 membros que compõem o STF.

  3. O Dias Toffoli foi um bom advogado pois tem a malandragem necessária para tal. Ser juiz exige qualidades que ele não tem

  4. Newton vou meter o dedo nessa colher: O momento político que vive o Brasil, dá ensejo para que haja um empurra-empurra. De um lado os que torcem desesperadamente para que o “mar pegue fogo, para eles comerem peixe assado”. Outros que apresentam razões de sobra para a prisão de Dilma. Outros que querem sem saber como, enquadrar todo mundo apelando para o disse-me-disse. Outros falam coisas as mais absurdas, como se não entendessem que existem leis e nem constituição no Brasil. Outros sabem das coisas mas a paixão política os afasta da verdade. Outros ainda, individualizam problemas: Esse deve ser processado; aquele não porque eu gosto dele. Um pequeno número sabe que o tumor foi lancetado, acredita nas leis, e espera que a justiça seja feita para o bem de todos. Os sudosistas esperam, torcem, fazem promessas enchendo as igrejas de velas e as encruzilhadas de ebós e macumbas, querendo a volta dos militares em vã esperança. Os que torcem pelos bandidos, desde que pertençam aos seus “times”.Quanto ao ministro Wagner, quis responder ao Renan e falou besteira porque Marco Aurélio foi nomeado pelo seu primo Fernando Collor e Celso de Mello foi nomeado por Sarney.

  5. O Ministro Teori Zavascki, foi indicado para o STF pela presidenta Dilma Rousseff, depois de consultar o seu Ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que livrou-se de processo com ajuda do então Ministro da 1ª Turma do STJ Teori, ou seja um a Mão Lava a Outra e as duas jogam a sujeira para debaixo do tapete.

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