Ministro Pazuello tenta reduzir os ataques de Bolsonaro à imprensa, mas é uma missão impossível

Tribuna do Norte - Comportamento de Bolsonaro perante a mídia é tema da  charge de Brum

Charge do Brum (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Na entrevista coletiva nesta quinta-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou a importância da imprensa no combate ao Corona Vírus, tentando nitidamente reduzir os efeitos negativos causados por Bolsonaro à mídia em geral. Destacou a importância do trabalho dos jornalistas, lamentando que sua área de atuação, a saúde, dependa muito da convergência de propósitos das fontes oficiais e do jornalismo em geral.

Como se constata, a posição do ministro da Saúde é muito diferente daquela assumida por Bolsonaro, que na realidade foi um desastre, pela culpa que atribuiu à imprensa.

O despropósito cometido por Bolsonaro é consequência de sua própria incompreensão sobre o universo da informação por parte do Palácio do Planalto. A imprensa não cria fatos, ela apenas divulga a realidade e os comenta.

ALGUNS EXEMPLOS – Não foi a imprensa a autora da rachadinha na qual encontra-se envolvido o senador Flávio Bolsonaro. Não foi a imprensa que inventou Fabrício Queirós e os depósitos que este fez em dinheiro vivo nas contas de parentes do presidente da República, inclusive a primeira-dama Michelle.

O jornalismo funciona também como termômetro da atuação do governo. Nesse caso, pode se salientar uma ironia antiga. Se alguém tem febre não adianta quebrar o termômetro.

Podemos também destacar um fato concreto que transcorre nos órgãos de governo. Os que dirigem tais assessorias são pessoas que nada têm de jornalista. Pelo contrário, seus projetos pretendem desenvolver trabalho como se fossem agências de publicidade. O propósito é claro. Participar dos contratos.

JORNALISMO GRATUITO – A imprensa tem de operar no mercado de informação absolutamente gratuita, uma vez que as matérias são transmitidas por emissoras de TV, rádio, jornais e a internet. Não adianta fake news, porque o jornalismo só opera com informações verdadeiras.

A informação e opinião obrigatoriamente devem ser de interesse público, portanto são de interesse dos órgãos de comunicação.

Entretanto isso não acontece, veja-se quantas assessorias de imprensa são dirigidos por jornalistas profissionais. Vai surgir uma realidade trágica que custa milhões de reais por ano.

CONSULTORIA MILIONÁRIA – Dou o exemplo de Furnas: a estatal tem ou tinha um contrato com uma consultoria que custava 24 milhões de reais por ano.

O fato é que é necessário ser jornalista para compreender o peso dos assuntos e sua ordem de importância. Mas como pode fazer isso se o governo só apresenta fatos negativos, e nem sequer abastece a comunicação pública com os temas que preocupam a população do país.

O jornalismo é uma atividade que destaca fatos mas não os cria.

6 thoughts on “Ministro Pazuello tenta reduzir os ataques de Bolsonaro à imprensa, mas é uma missão impossível

  1. “Ministério da Saúde e Fiocruz avaliam uso de dose única da vacina de Oxford”.

    Ser ou não ser? Estudos mostram que imunizante teve eficácia de 73% se aplicado apenas uma vez ( vão brigar por 5% em relação à vacina chinesa – que nem a China utiliza?

    “Vacina da Fiocruz deve começar a ser aplicada 5 dias após chegar ao Brasil”.

    A torcida é pela vida ou pela morte?

    “Falta de relatório com dados completos da CoronaVac chama a atenção”.

    Por que o silêncio da TI? Aí eu sou um robô, né?

Deixe uma resposta para Armando Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *