Ministro Sérgio Moro está sendo triturado no Planalto, mas mantém sua dignidade

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Moro precisa ter paciência e entender a precariedade do governo

Carlos Newton

Na manhã de quarta-feira, dia 8, quando o jurista Jorge Béja dissecou o decreto das armas aqui na “Tribuna da Internet” e anunciou sua absurda inconstitucionalidade, foi uma surpresa geral. Até então pensava-se que o texto se referisse apenas ao porte de arma por instrutor ou praticante de tiro ao alvo, conforme havia sido divulgado. Após o artigo de Béja, a  imprensa “escrita, falada e televisada” correu atrás, confirmou a denúncia do advogado carioca e passou a divulgar detalhes verdadeiramente estarrecedores.

A notícia mais incrível foi de que o texto recebera acréscimos inconstitucionais e brutais depois de ter sido submetido ao ministro Sérgio Moro, que inadvertidamente acabou assinando na cerimônia do Planalto um decreto que jamais lhe fora exibido.

ESTRANHEZA – O próprio Jorge Béja já tinha percebido essa questão e fizera um segundo artigo, indagando se o ministro Sérgio Moro tinha mesmo concordado com as inconstitucionalidades existentes no decreto, que jamais poderia ter caráter legislativo, nos termos do artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal.

Atingido em sua reputação de magistrado e operador do Direito, o ministro Sérgio Moro se comportou com uma dignidade impressionante. Não deu uma só palavra sobre o assunto. Como no caso do atentado do Riocentro, o ministro preferiu deixar que a bomba explodisse no colo de quem por ela era responsável e de quem a transportava – no caso, o presidente Bolsonaro, que determinou os acréscimos ao texto, e o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que tem a função de tratar da redação dos decretos e mensagens que o presidente da República edita.

No Planalto, a mecânica é esta – a Casa Civil, através da Subchefia de Assuntos Jurídicos, prepara o decreto, submete o texto ao ministro da Justiça, que o aprova, para ser então encaminhado à assinatura conjunta do presidente e dos ministros dos setores envolvidos.

TRAIÇÃO – Sem a menor dúvida, o ministro Sérgio Moro foi traído em sua confiança, ao ser levado a assinado um decreto do qual nem tomara conhecimento. O texto original, reivindicado desde o início do governo pelo filho Zero Três, Eduardo Bolsonaro, inicialmente se referia apenas a posse de armas por instrutores e praticantes de tiro ao alvo, que é um tradicional esporte olímpico.

Todos os demais acréscimos, inclusive a importação de armas semelhantes às fabricadas no Brasil, ainda não tinham sido debatidos em fase final. Portanto, fica claro que a introdução de todos esses “adendos” partiu do presidente Bolsonaro, que parece ter um parafuso a menos.

E não se pode admitir que o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, não somente tenha concordado com essas maluquices, como também continue defendendo que o decreto seja mantido na atual redação.

SURREALISMO – Na sexta-feira, Onyx deu entrevista à Rádio Gaúcha (grupo Zero Hora) e afirmou que o decreto de armas será mantido, dizendo já ter conversado a respeito com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Com isso, mostrou desconhecer o presidente Bolsonaro já admitia existirem inconstitucionalidades, que desde quarta-feira vinham sendo denunciadas pelo próprio Rodrigo Maia, após a publicação do artigo de Jorge Béja.

Como se faz no teatro, é preciso aplaudir ou vaiar os autores da peça. No caso, a ideia de ampliar o decreto foi do presidente Bolsonaro e a execução ficou a cargo do ministro Onyx Lorenzoni e do trio de “juristas” da Casa Civil – Jorge Rodrigo Araújo Messias, Flávio José Roman e Cesar Dutra Carrijo, subchefes da Assessoria Jurídica, cujo conhecimento da Ciência do Direito está abaixo da crítica, como se dizia antigamente.

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P.S.
Roga-se ao ministro Sérgio Moro que não peça exoneração e se mantenha no cargo. Precisa encarar o fato como acidente de percurso e seguir em frente na sua obra em defesa de um Brasil melhor, não importa o procedimento de quem esteja na chefia do governo. (C.N.)

14 thoughts on “Ministro Sérgio Moro está sendo triturado no Planalto, mas mantém sua dignidade

  1. Newton, a ser verdade o que você e o Dr. Beja dizem, pode ser considerado inocente por parte de Moro assinar um documento sem lê-lo? Seria inteligente da parte do ministro fazê-lo? Seria um erro primário da parte de um advogado, quanto mais de um juiz renomado como Sergio Moro.

  2. Sérgio Moro, que tem o respeito da maioria absoluta da população, está convivendo com bandidos no planalto, a começar pelo “mito” de quem deve, o Moro, ter muito cuidado.

    Pena, pois a atuação autônoma do ministro era uma esperança para a população.

    Mas, como disse, ele está convivendo com bandidos e milicianos.

  3. Caro Carlos Newton,
    Não li o decreto das armas assinado pelo Presidente Bolsonaro, razão pela qual não posso afirmar se é constitucional ou inconstitucional, no entanto, o foco deve ser colocado em cima de um cidadão que é jurisconsulto constitucional e que que hoje se encontra preso mais uma vez por corrupção – o ex-presidente Michel Temer – na medida em que tem o seu decreto de indulto natalino a presos por corrupção validado pela mais alta Corte de Justiça do país.
    É a consagração do ABSURDO!

  4. 1) Por onde eu ando, no meio da massa, em transportes coletivos no Grande Rio, quero lhes dizer que a imagem do Ministro Moro não é essa que o prezado CN pinta aqui…

    2) O retrato desbotou logo, envelheceu rápido. O povão já sabe que perdeu e muito. Tenho minhas dúvidas se ele ganha alguma coisa, caso se candidate a cargo eletivo.

    3) Nas redes sociais só um ou outro militante o defende e mais os leitores esclarecidos aqui da TI.

    4) Entendo o caríssimo CN torcendo para que o atual governo federal dê certo, mas está dificílimo.

    • Engraçado, não deve ser o mesmo transporte público do qual utilizo aqui no RJ, pois não ouço ninguém falar do Moro, seja bem ou mal, mas do Bolsonaro são todos os dias, porém falando muito mal, inclusive dizendo -se arrependido de ter votado no “mito”.

  5. Evidentemente que os adeptos do PT, PSOL, PC do B e outros partidos que se dizem de esquerda, que formam boa parte da população, odeiam o Sérgio Moro.
    Tsunami haverá se o Sérgio Moro se demitir e, é bem provável que isso aconteça num futuro próximo, vai ser difícil ele aturar o Bolsonaro o tempo todo.
    O general Geisel avisou: o Bolsonaro não é normal.

  6. O choro é livre.

    A população decidiu que tem o direito de se defender.

    Bolsonaro está cumprindo a promessa de campanha.

    Moro é desarmamentista, então é normal que não tenha concordado com o decreto, mas teve que assiná-lo, pois quem manda é o presidente e o decreto estava dentro da lei.

  7. Caro CN,

    Onde o estimado colunista Dr Jorge Beja _dissecou_ o decreto? Aqui, não foi. Ele afirmou, baseado somente no número de artigos do decreto, portanto sem entrar em detalhes sobre o conteúdo, que o mesmo é inconstitucional, isso não é dissecar. Haja paciência.

    O que se vê é mais uma trampa da velha imprensa … dessa fez semeando a discórdia entre o PR e o seu ministro Dr Moro. Será que a TI ainda não percebeu que o povo se vacinou contra essas maracutaias?

  8. Minha professora …D. Maria ..lá pelos idos de 1971
    me disse certa vez : Carlos agora vc já sabe ler e escrever…Aprenda uma cousa e guarde na sua mente : Nunca assine um documento sem antes LER o que nele estiver escrito…se estiver tudo certo ASSINE…caso contrário NÃO assine.

    Prezado CN…este Sr. Moro …é uma VERGONHA..para a JUSTIÇA. E pensar que já tivemos Teixeira de Freitas e Rui Barbosa. Essa FRAUDE meu nobre CN…que vc tanto elogia …é um pária mentiroso e covarde…um astuto e perverso…desde dos tempos do processo do Sr. Luis Inácio…o MESTRE HÉLIO FERNANDES…já o DESMASCAROU…Há tempos….
    Vida que segue…
    YAWHE SEJA LOUVADO…sempre..

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