Ministros do Supremo articulam nos bastidores para conter crise maior entre os Três Poderes

Barroso elogia Alexandre de Moraes e ressalta importância da neutralidade  da PF - Jornal O Globo

Moraes e Barroso são os alvos principais de Bolsonaro

Mariana Muniz
O Globo

Alvos preferenciais do presidente Jair Bolsonaro nos últimos meses, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) adotaram como estratégia a discrição em público e a articulação nos bastidores para lidar com a crise institucional. Os ataques presidenciais, sobretudo contra Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, uniram a Corte e, longe da ribalta, seus integrantes trabalham para manter aberto um canal de diálogo com o governo.

O ápice da conflagração do ambiente entre Palácio do Planalto e Judiciário ocorreu no mês passado, quando Bolsonaro apresentou um pedido de impeachment ao Senado contra Moraes.

TRÊS INQUÉRITOS – O ministro é o relator de inquéritos em que o presidente figura como investigado, entre eles o que apura a suposta atuação de uma milícia digital especializada em disseminar notícias falsas. O processo contra o magistrado acabou arquivado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Nos últimos dias, quando ataca o Supremo, Bolsonaro tem dito reiteradas vezes que não descarta agir “fora das quatro linhas da Constituição”. Paralelamente, alguns de seus apoiadores já defenderam investidas antidemocráticas contra ministros no 7 de Setembro.

Diante disso, ministros do STF atuam para pavimentar pontes com os demais Poderes na tentativa de reduzir os efeitos do conflito.

FUX E NOGUEIRA – Os principais movimentos partiram do presidente, Luiz Fux. Ele mantém contato frequente com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, empossado no final de agosto, com a missão de melhorar o relacionamento do governo com Judiciário e Legislativo.

Nogueira tenta expandir os canais de diálogo com o tribunal para além da Presidência. Ele vem buscando aproximação inclusive com ministros mais discretos, como Rosa Weber e Edson Fachin. Tem ficado a cargo do titular da Casa Civil a tarefa de levar à Corte os temas de interesse do Planalto.

Fux também vem conversando com o ministro da Economia, Paulo Guedes. O assunto principal é o aumento dos gastos com precatórios previsto para o ano que vem, quando o governo precisará pagar R$ 89,1 bilhões em despesas judiciais.

METEORO DE GUEDES – O montante já foi classificado por Guedes como um “meteoro” na direção do Orçamento. Há  diferentes propostas de solução para o problema e parte delas seria costurada com o Supremo, para evitar que uma eventual saída construída no Congresso seja judicializada.

A discussão sobre o tema, contudo, só será retomada após as manifestações de 7 de Setembro, e o comportamento de Bolsonaro na ocasião poderá ser determinante para o sucesso das negociações. Novos disparos contra a Corte tendem a comprometer o clima e dificultar um desfecho favorável ao Planalto.

Ao cultivar linha direta com auxiliares próximos de Bolsonaro, o presidente do Supremo tentar afastar eventuais críticas de que o tribunal poderia punir o governo para reagir às estocadas do seu comandante.

ENCONTRO COM TEMER – Noutra frente, durante um jantar em São Paulo, há cerca de três semanas, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli falaram sobre a crise institucional com o ex-presidente Michel Temer, que mantinha contatos esporádicos com Bolsonaro. No mesmo evento estava o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Felipe Salomão, responsável por abrir uma inquérito que investiga as ameaças feitas por Bolsonaro ao processo eleitoral.

Temer confirma o encontro e diz que, na ocasião, defendeu que Fux trabalhe para reabrir um canal permanente de interlocução com Bolsonaro.

“Dizem que a situação chegou a um grau de tensionamento de onde não há mais como recuar. Sempre há como corrigir, mas a pacificação, o contato institucional deve ser feito entre presidentes de Poderes, ou seja, Jair e Fux. Precisam manter diálogo permanente”, disse Temer, que demonstrou preocupação com ataques virtuais disparados contra Alexandre de Moraes, que foi ministro da Justiça e chegou ao STF durante seu governo.

6 thoughts on “Ministros do Supremo articulam nos bastidores para conter crise maior entre os Três Poderes

  1. Nos bastidores, ou seja, nas sombras, conspirando contra um governo de merda.Não foi um deles que arranjou uma boquinha de desembargadora para a filha estagiária?Serei preso ou intimado a prestar depoimento na PF por tais palavras?

  2. Se o STF exercesse suas funções e não ampliasse sua área de domínio como vem fazendo a muitos anos usurpando áreas do legislativo e do executivo já seria um bom começo.
    Será de suma importância também que como poder Supremo do Judiciário exercesse sua autoridade reprimindo juízes sabidamente parciais e outras transgreções.
    Mas do jeito que está nada de bom podemos esperar.

  3. Não tem como haver interlocução com um criminoso como BROXAnaro e seus comparsas.
    Será que não aprenderão nunca? Conchavos só fortalecem o que há de pior nas instituições.

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