Moraes manda Weintraub explicar o pedido de prisão dos ministros do Supremo

Moraes deu prazo de 5 dias para Weintraub prestar depoimento

Rafael Moraes Moura
Estadão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu cobrar explicações do ministro da Educação, Abraham Weintraub (Educação), sobre a declaração feita na reunião ministerial de 22 de abril. Na ocasião, Weintraub afirmou: “Por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”.

A decisão de Moraes foi feita no âmbito do inquérito que investiga ameaças, ofensas e fake news disseminadas contra integrantes da Corte e seus familiares.

EM CINCO DIAS – “Diante do exposto, determino que Abraham Weintraub, atualmente exercendo o cargo de Ministro da Educação, seja ouvido pela Polícia Federal, no prazo máximo de 5 (cinco) dias para prestar esclarecimentos sobre a manifestação acima destacada”, escreveu Moraes.

Para Alexandre de Moraes, a manifestação de Weintraub “revela-se gravíssima, pois não só atinge a honorabilidade e constituiu ameaça ilegal à segurança dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, como também reveste-se de claro intuito de lesar a independência do Poder Judiciário e a manutenção do Estado de Direito”.

Ao levantar o sigilo do vídeo da reunião, o ministro Celso de Mello, do STF, apontou aparente “prática criminosa” cometida pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

CRIME DE INJÚRIA – Segundo o decano, a “gravíssima aleivosia” feita por Weintraub, “num discurso contumelioso e aparentemente ofensivo ao patrimônio moral” dos ministros, põe em evidência que tal afirmação configuraria possível delito contra a honra (como o crime de injúria). Mello ainda determinou que todos os ministros do STF fossem comunicados sobre o fato, enviando a eles cópia de sua decisão, para que possam, “querendo, adotar as medidas que julgarem pertinentes”.

No despacho, obtido pelo Estadão, o ministro escreveu: “Encaminho a Vossa Excelência cópia da decisão por mim proferida no inquérito em epígrafe em 22 de maio de 2020 (com especial para o item 8), bem assim reprodução da degravação procedida pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal para que vossa excelência possa adotar, querendo, as medidas que julgar pertinentes”. O item 8 é o que trata da fala do ministro da Educação.

REPERCUSSÃO – Nesta terça-feira, Celso de Mello e a ministra Cármen Lúcia rechaçaram os ataques feitos contra o STF. Para Cármen, os ministros do STF honram a história da instituição e comprometem-se com o futuro da democracia brasileira e não serão abalados por ‘agressões eventuais’.

“Nós, juízes deste Supremo Tribunal, exercemos nossas funções como dever cívico e funcional, sem parcialidade nem pessoalidade. Todas as pessoas submetem-se à Constituição e à lei no Estado Democrático de Direito. Juiz não cria lei, juiz limita-se a aplicá-la. Não se age porque quer, atua-se quando é acionado. Nós, juízes, não podemos deixar de atuar. Porque sem o Poder Judiciário, não há o império da lei, mas a lei do mais forte”, disse Cármen Lúcia.

MELLO RATIFICA – Relator do inquérito que investiga as acusações levantadas pelo ex-juiz Sérgio Moro de que Bolsonaro tentou interferir politicamente na PF, o ministro Celso de Mello reforçou a posição da colega Cármen Lúcia. “Eu também acompanho e subscrevo integralmente o pronunciamento de vossa excelência, e o faço porque também entendo que sem um poder judiciário independente que repele injunções marginais e ofensivas ao postulado da separação dos poderes, e que buscam muitas vezes ilegitimamente controlar a atuação dos juízes e dos tribunais, jamais haverá cidadãos livres nem regime político fiel aos princípios e valores que consagram o primado da democracia”, disse Celso de Mello.

“Em uma palavra: sem um poder judiciário independente não haverá liberdade nem democracia”, acrescentou o decano.

Após a repercussão, Weintraub afirmou nas redes sociais que sua fala teria sido ‘deturpada’. “Não ataquei leis, instituições ou a honra de seus ocupantes. Manifestei minha indignação, em ambiente fechado, sobre indivíduos. Alguns, não todos, são responsáveis pelo nosso sofrimento”, postou.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Educação ainda não se pronunciou.

8 thoughts on “Moraes manda Weintraub explicar o pedido de prisão dos ministros do Supremo

  1. As palavras da ministra Carmem Lucia me deixou boquiaberto, pasmo, não vou dizer estarrecido por ser esse termo propriedade intelectual da grande Presidente Dilma. A lisura e a alta confiabilidade dos membros da corte chegam perto da infalibilidade papal. Ali reside o verdadeiro poço de virtudes.
    Aquele excelso pretório é composto por ilibados membros do mesmo quilate de um Montesquieu ou mesmo os Varões de Plutarco e Catões.

  2. “no âmbito do inquérito que investiga” … todo mundo sabe que no stf (supremo tribunal das falcatruas) corre um inquérito ilegal e secreto, aberto para incriminar desafetos e liquidar com direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e de reunião. Todo mundo sabe, exceto a TI e seus novos aliados da corruptocracia.

    Os urubus togados, mais uma vez, usam a Carminha (figura da mulher), como escudo para defender as suas canalhices e ilegalidades … o “tolete de Tatuí”, além de “juiz de merda”, comporta-se também como um pusilânime.

  3. Explicar, o quê, seu ministro? O Lula, o Dirceu e muitos outros zebedeus estão soltos e o país vivendo essa zona por culpa de quem? Dos ministros do STF, seu ministro. O Weintrube foi burro ao dizer o que o povo pensa publicamente. Condene-o por ser imbecil – não por ter dito uma verdade.

  4. Para o jurista Thiago Bottino, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Weintraub pode ser processado diretamente por cada um dos ministros do Supremo que se sentir ofendido e também pelo procurador-geral da República, caso este seja provocado.

    “Quando ele diz que os ministros do STF são vagabundos, ele se dirige a um grupo específico de pessoas que eles sabem quem são, que todos nós sabemos quem são, de modo que ele afeta a honra dos ministros. Ou seja, a forma como a sociedade os vê e a forma como eles se vêem, e pratica em tese os crimes de difamação e injúria”, diz.

    Atenção: “grupo específico de pessoas que eles sabem quem são”

  5. Weintraub afirmou: “Por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”.

    Cármen Lúcia. disse: “Nós, juízes deste Supremo Tribunal, exercemos nossas funções como dever cívico e funcional, sem parcialidade nem pessoalidade.”

    Tom Jobim disse: “O Brasil não é para principiantes”.

    Um Maia decente, o Tim, disse: “O Brasil é o único pais em que puta goza, cafetão sente ciúmes, traficante se vicia e pobre é de direita”.

    E nós, cidadãos pagadores de impostos para sustentar o Estado, sabemos que o Brasil é o único lugar do planeta onde delinquentes nomeiam juízes da Suprema Corte.

  6. Roberto Jefferson, durante entrevista ao programa “Gente”, da Rádio Bandeirantes, nesta manhã, além de afirmar que o STF não passa de “puxadinho do PT e do PSDB”, a serviço dos ex-presidentes Lula e FHC, acusou o ministro Alexandre de Moraes de “advogado do PCC”. E agora, como fica ?

  7. VEjam no yuotuber o DUPLO EXPRESSO APRESENTADO POR ROMULUS MAIA,PROCUREM PROGRAMAS ANTERIORES PARA OBSERVAREM A GRANDE ALIAÇA DE GRANDES SETO RES DO PT COM A LAVA JATO E DE ARREPIAR.

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