Moro defende inquérito das fake news : “Campanha difamatória não tem a ver com liberdade de expressão”

Moro se opôs à militância que reclama de cerceamento 

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro voltou a falar sobre o inquérito das fake news do Supremo Tribunal Federal (STF). Em seu Twitter, o ex-juiz federal defendeu que “campanhas difamatórias contra adversários, ameaças e notícias falsas não têm a ver com liberdade de expressão”.

Na última quarta-feira, dia 27, a Polícia Federal (PF) realizou buscas e apreensões contra apoiadores do presidente Jair Bolsonaro no âmbito do inquérito que apura ameaças e divulgação de informações falsas contra ministros do STF. A ação aumentou ainda mais a temperatura entre o presidente e a suprema Corte.

FOCO – O ex-ministro ainda frisou que o foco é a defesa do Estado de direito e a proteção à vida em meio à pandemia de coronavírus, dois pontos “sensíveis” nas atuais atitudes do governo de Jair Bolsonaro. ” Um debate que não pode tirar o foco do que importa agora:defender o estado de direito e a vida.Meu respeito à democracia,ao Judiciário e às famílias de vítimas da Covid.”

Moro aproveitou a situação para relembrar uma troca de mensagens entre ele o presidente sobre a Polícia Federal que já foi divulgada. Na mensagem, Bolsonaro enviou um notícia sobre inquérito das fake news na qual dizia que a investigação estava “na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas” e escreveu: “mais um motivo para a troca”, referindo-se à mudança da direção-geral da PF.

O presidente queria que o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, ficasse à frente da corporação no lugar de Maurício Valeixo. Moro pediu demissão no dia em que Valeixo foi exonerado acusando Bolsonaro de interferência política na PF. A acusação gerou um inquérito que está aberto no STF.

AUTONOMIA – “A Polícia Federal tem que trabalhar com autonomia. Que sejam apurados os supostos crimes no RJ e também identificados os autores da rede de fake news e de ofensas em massa. Diante das denúncias de interferência na PF, o Ministro Alexandre manteve os delegados que estavam na investigação”, escreveu Moro.

13 thoughts on “Moro defende inquérito das fake news : “Campanha difamatória não tem a ver com liberdade de expressão”

  1. Mas acontece que as investigações podem atingir em cheio a família e os amigos dos amigos do presidente. Isso é inaceitável e pode resultar em situações impevisíveis!
    Ora, ora, se fosse contra o Moro, o Doria, o Witzel, ou até o Pezão, seria certo, mas contra o pessoal da situação – isso não! É contra a lei.
    E liguem o ventilador, por favor, que lá vem estrume!

  2. Vejam a diferença de postura entre Moro e o novo ministro da justiça.

    É notória a diferença.

    Moro tinha postura e posição firme em favor da Lei. Em cumprir a Lei. Nem dava ideia ao seu Jair.

    Já não podemos dizer o mesmo desse André Luiz que faz o que seu mestre mandar sem contestar como fazia o Moro.

    Esse é o nível desse desgoverno.

  3. Que triste fim esse do Dr Moro … depois de “correr com a sela”, cabuetar a sua amiga e afilhada, expor colegas do ministério que nada tinha a ver com os seus faniquitos, envolver terceiros na numa trampa que, depois, ele mesmo renegou, afirmando em depoimento que o Presidente “nunca lhe pedira pra interferir no andamento de investigações da Polícia Federal” … eis o que resta do ex-ministro … defender inquéritos e atos ilegais dos urubus togados. Daqui a alguns dias, a própria corruptocracia que ele agora apoia o desprezará.

    Pelo menos essa reportagem me serviu para lembrar de outra arbitrariedade cometida pelo aloprado advogado da Transcooper, que persegue, intimida e censura cidadãos críticos dos deuses do olimpo. Diz o Dr Moro “manteve os delegados que estavam na investigação” … pergunto: desde quando cabe ao juiz escolher ou tornar inamovíveis os agentes da equipe de investigadores? Alguém pode responder?

  4. Moro tem razão. Nos meus textos, aqui e alhures, repudio com vigor e rigor, a tônica do ex-ministro. Ontem, nessa linha, o Jornal Nacional ouviu juristas que também retrucaram, com fortes argumentos, ações de levianos e covardes que usam redes sociais para insultar pessoas e instituições. Salientaram que ofensas, ameaças e calúnias não têm nada a ver com liberdade de expressão. Alguns, inclusive, destacaram que também é crime utilizar pseudônimos, escudados na liberdade de expressão. Abram os olhos, Newton e Marcelo.

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