Moro diz que mensagens hackeadas da Lava Jato criaram “uma série de fantasias construídas, narrativas”

Moro disse ter ‘orgulho’ da Lava Jato e classificou como ‘injustos’ os ataques

Rayssa Motta
Estadão

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, disse que foram criadas ‘hipóteses fantasiosas’ sobre as mensagens hackeadas dos procuradores que integraram a força-tarefa de Curitiba.

As conversas foram apreendidas na Operação Spoofing, que prendeu o grupo acusado pelo ataque cibernético, e liberadas ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) pelo Supremo Tribunal Federal. Desde então, a defesa do petista vem apresentando ao tribunal laudos feitos por um profissional independente contratado para periciar o material.

GRANDE VOLUME – A análise tem sido feita em etapas em razão do volume de conversas interceptadas. A cada relatório, novos trechos vêm à tona e movimentam a opinião pública.“O que eu tenho visto é uma série de fantasias construídas, narrativas”, disse Moro em seminário virtual promovido pelo Ceap Brasil na segunda-feira, 1º. “Se vê muito no recurso argumentativo a profusão de adjetivos. Se você não tem argumentos, se você não tem fatos, você carrega nos adjetivos, obscurecendo a falta de reais argumentos”.

O ex-juiz voltou a dizer que o diálogo de juízes com advogados, promotores e procuradores é comum no dia-a-dia da Justiça. “Nós temos uma praxe jurídica um pouco mais informal do que existem em outros países. Então a troca de diálogo entre pessoas envolvidas no processo não é algo que, por si só, é criminoso”, defendeu.

Na avaliação de Moro, não há irregularidade no teor das conversas, mesmo que a autenticidade do material não tenha sido atestada. Desde que parte das mensagens foi revelada, ainda em 2019, na série de reportagens conhecida como ‘Vaza Jato’, liderada pelo portal The Intercept Brasil em parceria com outros veículos de imprensa, integrantes da operação repetem que o material não tem validade jurídica uma vez que foi obtido ilicitamente no ataque cibernético e que a veracidade das conversas não é reconhecida pelos interlocutores ou por perícia oficial.

SENSO CRÍTICO – “Não é nenhuma espécie de aconselhamento ou relacionamento inapropriado. As pessoas têm que ter um pouco mais de senso crítico quando existem muitos interesses envolvidos em anulação dessas condenações, existem muitas pessoas poderosas envolvidas”, afirmou Moro.

O ex-juiz também disse ter ‘orgulho’ da Lava Jato e classificou como ‘injustos’ os ataques ao trabalho da força-tarefa. Para Moro, a operação foi um ‘divisor de águas’ para romper com a ‘impunidade dos poderosos’ e gerou uma ‘onda anticorrupção’ na América Latina.

“As pessoas viram e veem até hoje a quantidade de ataques injustos direcionados. Claro, críticas são possíveis, isso é absolutamente viável. Mas ataques injustos e mentiras feitas contra as pessoas que participam, que fazem a coisa certa dentro desses processos”, disse.

DIVISOR DE ÁGUAS – “A Lava Jato, na esteira do caso mensalão decidido antes, foi um divisor de águas no sentido de que a impunidade da grande corrupção, no período em que a operação durou, não se tornou mais a regra. As pessoas foram identificadas, tiveram sua culpa comprovada, foram condenadas, começaram a cumprir pena”, acrescentou.

No seminário virtual, Moro defendeu ainda a construção de uma ‘cultura de integridade’ no País. A bandeira do combate à corrupção, que o acompanha desde os tempos de magistratura, foi colocada como ‘um dos caminhos da prosperidade’.

“Claro que precisa de muito mais coisa: precisa investir em educação, precisa investir em produtividade, eu acho que nós precisamos ter uma economia mais aberta. Mas combater a corrupção é um meio de ganhar eficiência e ganhar prosperidade”, defendeu.

MINISTÉRIO – Moro falou também sobre o período em que ocupou a chefia do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e explicou os motivos que o levaram a estabelecer como prioridades o combate ao chamado ‘crime de colarinho branco’ e ao crime organizado durante a sua gestão. Segundo o ex-ministro, a ideia foi consolidar os avanços obtidos com a Operação Lava Jato e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho do Brasil no enfrentamento à criminalidade violenta.

“Houve uma enorme resistência em relação a isso, não é o caso agora de entrar nesses detalhes”, disse sobre o combate à corrupção, sem entrar em detalhes.

11 thoughts on “Moro diz que mensagens hackeadas da Lava Jato criaram “uma série de fantasias construídas, narrativas”

  1. Temos que separar o juiz Sérgio Moro do ministro Moro .
    O juiz fez um excelente trabalho na lava jato .

    Como ministro Moro pouco produtivo e em certos momentos omisso na prisão de pessoas sem acusação ou crime , e sua saída do ministério foi de semelhante a judas .

  2. Este irá pagar por seus atos nesta ou em outra vida. A dívida cármica é imensa. A minha única certeza, pois a que existe um deus justo eu já exclui das minhas elucubrações.
    A mecânica quântica, a lei do retorno é a única e definitiva verdade. E olha que eu não sou de Exatas!

  3. Uma heroina a Inês Etiene Romeu, Paulo III. Última presa política libertada no País, foi a única sobrevivente, ao que se saiba, da “Casa do Terror”, em Petrópolis, Presa em SP pela equipe do Fleury, mesmo tendo sido levada vendada para Petrópolis, conseguiu, com um sendo de direção fantástico e uma memória prodigiosa, refazer o caminho e descobrir a casa utilizada para tortura na cidade serrana do Rio, que levou ao médico/monstro Amílcar Lobo, que tratava dos limites a que podiam suportar sem morrer os torturados. Na matéria anexa diz que ela, após 96 dias de martírio, foi solta graças a um estratagema, pesando míseros 32 quilos, e condenada à prisão perpétua. Solta, dedicou-se a denunciar os torturadores, o que levou a que em 2003, em pleno governo Lula, aos 61 anos, sofresse brutal agressão em seu apartamento, que lhe deixou sequelas até o fim da vida. Repito, um exemplo de coragem ímpar, mesmo que não se concorde com a posição da VPR-Palmares, organização a que pertencia. Reconheceu alguns de seus torturadores na Comissão Nacional da Verdade, em 2014. Merece reverência, nestes dias de apologia oficial à tortura.

    http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/ines-etienne-romeu/

  4. O que esperar de qualquer dessas figuras VENAIS e PATÉTICAS transmutadas em MULAS para um BOÇAL coiteiro de criminosos milicianos há mais de trinta anos?!

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